“Rio - o Estado da Bicicleta” está em fase final

Bernardo Camara | Rio+ | 01/11/2007 22h00

O projeto "Rio - o Estado da Bicicleta", que pretende incentivar o transporte sobre duas rodas no estado, está em fase final de elaboração. Depois de algumas reuniões com especialistas, o secretário estadual de Transportes, Júlio Lopes, disse que as últimas linhas do programa já foram traçadas. O próximo passo é apresentar o trabalho ao governador Sérgio Cabral. A previsão é de que isto seja feito no início de dezembro.

“Tivemos um avanço enorme. Agora só falta marcar a apresentação ao governador para que sejam tomadas as decisões finais”, disse Lopes, que discutiu o programa com representantes da Agência Nacional de Transportes Públicos (ANTP) e com a Associação Transporte Ativo. O presidente da organização, Zé Lobo, está otimista: “Faltam fechar alguns detalhes, mas percebi que há vontade, senti que o projeto está andando”, comemorou.

De acordo com Lobo, que é especialista em planejamento de cicloviário, o programa está sendo elaborado de maneira adequada. “Está andando no caminho certo, já está num estágio bem fechado, redondo, pronto para apresentar”. Ele adiantou, ainda, que alguns pontos podem ser implementados até antes do fim do ano, como a instalação de bicicletários em estações de trem e metrô.

“A integração da bicicleta com o transporte público é o fator chave. A gente tem muita ciclovia, mas não tinha integração. Assim, a viagem de bicicleta que normalmente é curta pode ficar longa, porque o ciclista vai poder deixá-la nas estações e pegar outro meio de transporte”, afirmou.

O secretário explicou que a proposta também engloba a construção de bicicletários junto aos terminais de ônibus e barcas. No metrô, Linha 1, a integração seria na estação Cantagalo, em Ipanema, zona sul. Na Linha 2, as estações privilegiadas seriam Pavuna e Inhaúma, na zona norte. Já nos trens metropolitanos da SuperVia, a integração se daria nas estações de Belford Roxo, Gramacho e Manguinhos. E nas Barcas, que cruzam a baía de Guanabara, os bicicletários ficariam em Cocotá, na Ilha do Governador, e em Niterói.

Antes de ampliar o sistema cicloviário no estado, o programa pretende fazer campanhas de educação, para que motoristas, ciclistas e pedestres tenham mais informações sobre os direitos de cada um. “Não adianta só fazer obra física. Tem que ter educação e sensibilização da população que fica em torno das ciclovias”, disse Lobo.

A intenção da Secretaria de Transportes é tornar a bicicleta um meio de transporte primário, e não apenas de passeio. Num levantamento, Lopes afirmou que apenas 4% dos brasileiros usam os pedais para se deslocar pela cidade. Cidades planas como São Gonçalo, Duque de Caxias e Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, também estão na mira do projeto. Por esta razão, o secretário não soube precisar datas para o início das obras: “O programa interage com outros municípios. É bom esperar um pouco para dizer”.

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