O mercado imobiliário do Rio de Janeiro está em lua-de-mel com a zona norte da cidade. Após anos de investimentos focados essencialmente nas zonas oeste, fazendo brotar condomínios em cada canto da Barra, Recreio dos Bandeirantes e Jacarepaguá, o setor voltou-se para bairros tradicionais que estavam esquecidos. Áreas como São Cristóvão, Vila da Penha e Del Castilho têm ganhado espaço nos projetos das grandes construtoras, e o resultado são unidades mais sofisticadas que, a reboque, valorizam a região.
Numa pesquisa feita pela Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi), o desprestigiado bairro Del Castilho alçou o terceiro lugar em número de lançamentos de imóveis no primeiro semestre de 2007. Ele é responsável por 16% das novas unidades na capital fluminense, ficando lado a lado com a Barra (17%) e passando à frente do Recreio.
Os números revelam uma tendência que está se estabelecendo. “O Rio, pela sua topografia, não tem mais muito espaço físico bom para ser ocupado. A zona sul já está praticamente toda ocupada. A oeste está em pleno desenvolvimento. E a zona norte é hoje a zona de futuro, porque tem mais possibilidade de crescimento, expansão. Tem muita casa, ainda se pode construir muito prédio”, explica Manoel Maia, vice-presidente do Sindicato de Habitação do Rio (Secovi-Rio).
Expansão imobiliária revaloriza a região
Uma das primeiras a descobrir a vocação da região, a Rossi Residencial veio de São Paulo em 2000 e, enquanto as demais empresas se acotovelavam para conseguir um espaço perto das praias, a companhia paulista se refugiou na Vila da Penha. “Quando chegamos, percebemos que havia uma grande oportunidade nos bairros da zona norte, pois não estavam sendo atendidos pelas construtoras. Resolvemos apostar e fomos muito bem sucedidos”, conta um dos diretores da Rossi, Frederico Kessler.
Os 96 apartamentos lançados em 2001 foram vendidos em apenas 15 dias. O sucesso se repetiu por outras vezes, uma nova safra de projetos para a zona norte surgiu e hoje os bairros locais têm recebido condomínios bem mais modernos. A própria Rossi está voltando agora para a Vila da Penha com o lançamento do “Vila Imperial”. O conjunto de edifícios com fachada neoclássica e ampla área de lazer lembra os modelos da zona oeste.
“Estamos acompanhando uma tendência de vida. As pessoas hoje procuram conforto, segurança. O que aconteceu primeiro na Barra agora acontece em outras regiões”, explicou Kessler. José Conde Caldas, que é presidente da Comissão de Desenvolvimento Urbano da Ademi, concorda. “Isso é uma atração. É o modelo de sucesso da Barra repetido ali. Fica muito interessante e cria um novo modo de viver”, comentou.
Caldas explica que a instalação de prédios sofisticados numa região com moradores de classe B e C não é mais um grande problema: “Há muito tempo o setor não atuava em baixa renda por falta de financiamento. Com essa volta dos bancos financiando as classes B e C, em alguns bairros que estavam parados já se está lançando condomínios com toda essa infra-estrutura”. O especialista ressalta que por o preço do terreno na área ser baixo, as condições também são facilitadas. “Dá para conseguir terrenos grandes e baratos e agora o consumidor está pagando em 20 anos ou mais”, comemora.
De acordo com analistas, os moradores da zona norte só têm o que festejar. A atenção que o mercado imobiliário está dispensando para a região tende a levar melhorias na segurança, lazer, comércio e serviços. Por meio de parcerias com a prefeitura, as empresas estão revitalizando áreas antes deixadas de lado, investindo em melhorias não apenas nos terrenos comprados, mas também no entorno dos novos condomínios, abrindo espaço para que a região seja novamente valorizada. “Há espaço para a expansão da cidade em outra direção diferente da óbvia zona oeste”, conclui a pesquisa da Ademi.
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