Feios garantem resistência da humanidade
Da Redação | Comportamento | 10/06/2007 19:00
De acordo com a teoria da seleção natural, a escolha sexual das fêmeas pelos machos mais atraentes deveria rapidamente separar os “melhores” genes e espalhá-los pela população. Assim, em pouco tempo todos os “feios” seriam eliminados e a humanidade teria um padrão de beleza elevadíssimo.
Sabemos que não é isso que acontece – afinal, somos todos uns diferentes dos outros. Mas, por quê?
Encontrar a razão para a imensa variabilidade da espécie humana até agora vinha sendo um problema para os biólogos evolucionários. Até agora, porque um grupo cientistas da Grã-Bretanha acaba de descobrir a resposta à grande questão.
De acordo com o estudo dos britânicos, há tanto “feios” quanto “bonitos” porque quando um gene que transmite beleza é herdado, junto com ele vai um gene modificador, que causa mutações. Dessa forma, ao invés de aproximar nossas características, o que a seleção sexual faz é distanciá-las. O que, segundo Marion Petrie e Gilbert Roberts, da Universidade de Newcastle, no Reino Unido, é ótimo.
Para eles, nós não temos nada a ganhar com a homogeneidade. Se fôssemos todos iguais, até a própria seleção natural pararia de funcionar, simplesmente porque não haveria nada a ser selecionado. Uma única doença poderia dizimar toda uma população, caso não houvesse nenhuma variação para resistir.
Usando um modelo no computador, Pertie comprovou que o elemento que altera mutações genéticas em bactérias também causa impacto em espécies que se reproduzem de forma sexuada, como nós. É o gene modificador.
A maioria das mutações é maléfica, causa câncer e várias outras doenças, mas quando se aumenta o número geral de mutações, automaticamente as de caráter benéfico também aparecem em maior quantidade.
A seleção sexual, então, age. As fêmeas escolhem os indivíduos com o maior número de mutações benéficas – ou seja, os que carregam o gene modificador. Assim, cria-se um ciclo, o que explica a diversidade da espécie humana.
Como os privilegiados pela seleção sexual necessariamente têm o gene modificador, a espécie humana ganha em diversidade, o que significa mais capacidade de resistência e maior durabilidade. Em compensação, nascem poucos Rodrigos Santoros e Giseles Bundchens entre nós.























