Torça para o Brasil sem descuidar do coração

Laís Ferenzini* | Copa 2010 | 20/06/2010 08h15

O Verde e amarelo se espalha por todos os lados. Sons de cornetas anunciam que a grande festa do futebol já começou. Mas se o coração já está batendo no ritmo da Copa, imaginem quando a Seleção Brasileira entrar em campo. É o momento de curtir toda a emoção desta grande festa, mas sem descuidar do coração.

Não é por acaso que o coração é tradicionalmente vinculado às emoções, já que o órgão sente o impacto de sentimentos como ansiedade, tensão, alegria ou euforia, o que pode inclusive acarretar riscos cardiovasculares. Preocupada com o coração dos torcedores brasileiros, a Sociedade Brasileira de Cardiologia, a SBC, decidiu fazer um estudo para avaliar o efeito da emoção sobre o torcedor durante os jogos da Copa da África do Sul.

A pesquisa será realizada em 17 hospitais brasileiros das cidades de Porto Alegre, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Campinas, Divinópolis (MG), Uberlândia, Aracaju e Maceió. Serão cerca de 300 a 400 profissionais envolvidos. "A Sociedade Brasileira de Cardiologia espera trazer alguma informação a mais para as autoridades, inclusive para futuramente serem tomadas medidas preventivas, como, por exemplo, quando tiver a Copa do Mundo no Brasil", afirma o coordenador do estudo, o cardiologista Nabil Ghorayeb.

O cardiologista Nabil Ghorayeb, presidente do departamento de Cardiologia do esporte da SBC e responsável pelo Sport Check-up do Hospital do Coração (HCor) explica que cada caso será avaliado, serão preenchidos questionários e as ocorrências serão catalogadas.  Os eventos cardíacos analisados serão a angina, o infarto, o derrame cerebral, as arritmias cardíacas e a parada cardíaca.

O que evitar para não prejudicar o coração

Algumas medidas simples podem minimizar os riscos de uma ocorrência cardiovascular ao assistir a um jogo de futebol. Deve-se evitar alimentos ricos em sal, bebidas alcoólicas ou a base de cafeína, pois aumentam os batimentos cardíacos e a pressão arterial. Para aqueles mais exaltados, Nabil Ghorayeb recomenda inspirar profundamente e soltar o ar lentamente para poder relaxar. Se a pessoa estiver muito tensa, ela pode avaliar a possibilidade de tomar um tranqüilizante ou um chá e até mesmo sair da frente do jogo e procurar fazer outra coisa para se distrair. Para aqueles que tomam betabloqueadores, medicamentos que ajudam a baixar a pressão, toda a noite, deve-se verificar com o seu médico se tomada pode ser antecipada nos dias de jogo.

Em qualquer situação de estresse ou emoção, o organismo recebe uma descarga de adrenalina, hormônio que controla as reações do indivíduo, que tem a sua produção aumentada nestes momentos. "Normalmente, quando a adrenalina é secretada, ela produz instantaneamente um aumento dos batimentos cardíacos, o aumento da pressão arterial e o estreitamento dos vasos sanguíneos, refletido nas pessoas muitas vezes pela palidez", afirma o cardiologista.

Com o aumento dos batimentos cardíacos, da pressão arterial e o estreitamento dos vasos sanguíneos, a descarga de adrenalina pode levar a um infarto. Devido ao rompimento de uma placa de gordura, ocorre a falta de irrigação das coronárias, que são as artérias que nutrem o coração, o que provoca o infarto do miocárdio. Este pode levar a uma parada respiratória ou cardíaca, que é a principal causa de óbito dos infartados.

É importante que aqueles indivíduos que tem uma doença prévia como cardiopatias, diabetes, colesterol alto, pressão alta, idade acima de 40 anos ou são fumantes fiquem mais atentos com as medidas preventivas nos dias de jogos. Os homens também devem se preocupar, pois, estatisticamente, eles infartam mais que as mulheres.

Saiba quais são os sintomas do infarto

Os principais sintomas de um infarto são a dor no peito ou nas costas, falta de ar e sudorese. Se houver uma parada cardíaca no início do infarto, ele é fulminante. Embora o seu uso ainda seja controverso, tomar uma aspirina (ácido acetilsalicílico) no início do infarto pode ajudar bastante, lembrando-se de que o comprimido deve ser mastigado. "Numa situação de emergência, ela pode ser útil para dissolver o coágulo que levou ao entupimento", afirma Ghorayeb.

Se uma pessoa sofrer um infarto, é recomendado esperar pelo socorro médico, já que o transporte inadequado até uma unidade de saúde pode agravar o quadro. "A melhor medida é chamar o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). Muitas vezes, o transporte não profissionalizado pode levar a pessoa à morte", alerta o cardiologista Nabil Ghorayeb.

Enquanto o socorro não chega, a vítima de infarto deve ficar deitada de forma confortável, com a cabeça levemente elevada. Pode-se deixá-la também semi-sentada ou até mesmo de lado, para que a sua respiração seja facilitada e para evitar que ela engasgue com a própria língua, que pode cair para trás. Não se pode deixá-la sozinha e deve-se conversar com ela. Se a pessoa ficar inconsciente, tem que se iniciar a massagem cardíaca imediatamente. "A inconsciência pode ser causada por uma parada cardíaca", afirma Nabil.

* Laís Ferenzini é jornalista e colaboradora do SRZD

 

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