Logo após o Carnaval de 2010 ficou no ar uma pergunta que se espalhou por todo o mundo do samba. Vou repetir essa dúvida: - Esse carnaval da Unidos da Tijuca e o estilo do carnavalesco Paulo Barros mudarão a cara e a característica do carnaval carioca?
A todos que me fizeram essa pergunta respondi dessa forma: - Eu acho que não. O estilo do carnavalesco Paulo Barros é estritamente pessoal e, por isso, intransferível. É um estilo diferente do proposto pelo mestre Fernando Pamplona, aceito e acatado por todos. É também um estilo próprio e bastante diferente da nova roupagem de Pamplona que o grande mago João Jorge Trinta fez e a exemplo do mestre também foi seguido e tornou-se o padrão de nossos desfiles. Um outro gênio e para mim o maior de todos os nossos carnavalescos - O grande Fernando Pinto deu sua roupagem pessoal à escola "pamploniana".
Outra artista que deu sua personalidade foi a Maria Augusta Rodrigues que nos ensinou que o carnaval pode ser livre, leve, colorido e solto. Mas não consigo ver o genial e criativo Paulo Barros como um novo Pamplona, ou como Joãozinho, Fernando Pinto ou Maria Augusta.
Ele não criou uma nova escola de carnaval. Ele apenas massificou e deu um toque muito pessoal a um estilo que o bom Oswaldo Jardim começou a ensaiar, mas a sua morte prematura não deixou que ele o lapidasse e lhe desse o gigantismo, a grandiosidade e o sucesso que Paulo Barros conseguiu.
Não quero dizer que o Paulo tenha imitado, mas captou, muito bem, a idéia e o faz de forma irretocável. É muito hollywoodiano? Com certeza, é. Mas é muito bom de se ver, de curtir e apreciar o belo show que ele nos proporciona. E a resposta que o carnaval deu a isso foi um campeonato legítimo, aceito e respeitado por todas as demais escolas de samba.
Mas será que todo esse show vai ficar por isso mesmo, ou isso terá conseqüências para o nosso carnaval? Eu acho que trará conseqüências. Não que o estilo Paulo Barros deva ser seguido, não vejo seu estilo como uma nova faceta de nosso carnaval. É o jeito e a cara dele fazer carnaval. E quem o seguir será uma cópia vergonhosa será uma imitação barata.
Percebo, numa análise muito pessoal, que o carnaval da Unidos da Tijuca e o vice campeonato da Grande Rio mexeu com a forma de se olhar a arte carnaval. Se antes eram as volutas, barrocos, arabescos e rococós que nos enchiam os olhos. Hoje não é mais. Se antes o luxo, o clássico requintado e as fantasias volumosas nos traziam a emoção de um carnaval. Hoje não trazem mais. Eu considero que a coisa caminha para o simples, para a fácil leitura e para um imediato entendimento. O luxo pelo luxo, em alegorias e fantasias, sem uma adequada leitura já não engana ninguém, nem o julgador e nem o grande público.
Os enredos não podem mais ser viagens maionésicas, daquelas que não se diz nada, não se conta nada e não se vai a lugar algum. Esse povo já não quer mais ser enganado. Ele quer entender, quer compreender o que está acontecendo na sua frente. Ele quer entender o enredo, o samba, as fantasias e alegorias. Ele quer ver a fantasia do casal de Mestre sala e Porta Bandeira e a compreender. Ele quer acompanhar a comissão de frente e sacar o seu significado dentro do enredo. Ele que ver o rodopiar das baianas e o batucar da bateria com os pés no chão e não num louco devaneio.
Quando o povo entende, ele aplaude e se emociona. Quando o julgador entende, sem precisar recorrer aos manuais e Abre Alas, ele aplaude e se emociona e é impulsionado a dar boas notas.
Aquela lenda indígena ou aquela lenda africana da princesa escrava que se tornou rainha é tão bonita de se ler, mas já tá ficando chata e enfadonha como enredo de escola de samba. E passam 80 alas de índios ou umas 70 de africanos, todas as fantasias e alegorias criadas com capricho e carinho, mas são apenas devaneios de quem as cria. E a gente olha e até acha bonitinho, mas se cansa na terceira ou quarta ala ou alegoria. E como o samba já não é mais descritivo, na verdade, a gente acaba por não entender nada de nada. Sinceramente esse tempo já passou.
Aquela alegoria gigantesca ornada em arabescos prata e ouro, emoldurados de aljofres, galões e paetês, aquelas composições em queijos simétricos e num crescer de alturas terminando num destaque qualquer, rico e belíssimo, mas que pode passar em qualquer outro enredo, já não emocionam, já não nos alegra como outrora acontecia.
Aqueles enredos fajutos, chinfrins, sem mensagem e sem nada a oferecer, que mais parecem criados para cumprir tabela, já não cabem mais no maior palco de carnaval do mundo.
Que as escolas pensem bem em seus próximos enredos e que desrespeitem uma máxima que o futebol nos ensinou: "Pênalti é tão importante que deveria ser batido pelo presidente do clube ". Mas em escolas de samba, enredo e samba enredo não podem ser escolhido por apenas um nome, um dirigente ou mesmo o presidente da escola. Eles precisam ser analisados, debatidos e avaliados por um colegiado, por uma comissão de carnaval.
Um enredo autoral mal pensado se torna pior que um enredo patrocinado. Gostaria muito de saber a opinião de nossos leitores-comentaristas. Entendo que esse papo pode gerar um bom debate entre nós. Essa foi apenas a minha opinião e gostaria muito de ouvir outras opiniões.
Um abraço aos amigos
Luiz Fernando Reis
jorge alfredo de paula
Membro SRZD desde 22/02/2010
09/08/2010 15:06:51
FESTA DE LANÇAMENTO DA VOLTA DO BLOCO CARNAVALESCO UNIDOS DA VILA JARDIM DIA 07 DE SETEMBRO DE 2010 A PARTIR DAS 15:00 H LOCAL: CAMPO DO G.A. 40 AO LADO PREZUNIC VILA JARDIM CAMPO GRANDE COM VARIAS ATRAÇÕES E UMA GRANDE RODA DE SAMBA COM OS MELHORES SAMBISTAS DA CIDADE ONIBUS 846,847 E KOMBIS NA RODOVIARIA DE CAMPO GRANDE Contato Jorginho tel:8639-3215 KH
Adilson de Almeida
Membro SRZD desde 23/07/2010
26/07/2010 11:16:26
Luiz Fernando, Gostariad e saber se você é a mesma pessoa qe trabalhou no Metrô do Rio de Janeiro. Adillson de Almeida
Adilson de Almeida
Membro SRZD desde 23/07/2010
26/07/2010 11:14:06
Caro Luiz Fernando, Leio seus exclentes, ciativos e que nos fazem pensar sobre o nosso carnaval. Mas tenho uma imensa curiosidade: você já foi empregado do Metrô do Rio de Janeiro/ Se foi, gostaria de entrar em contato contigo pois, creio, você se lembrará de mim. Não é pdeido de nada, de mprego, de ajuda de nada, somente revê-lo. Adilson de Almeida
Amaury Limeira
Membro SRZD desde 28/04/2009
28/05/2010 21:12:41
Caro, Luiz Rangel. Sim, a meu ver, os desfiles de escolas de samba passarão por algumas alterações, oriundas do desfile da U. da Tijuca em 2010. Prova maior disso é a troca da coreografa da comissão de frente da Beija-Flor que após 15 anos no posto, foi dispensada. Este fato, muito antes de se tratar, tão somente, de uma costumeira alteração profissional carnavalesca e, na realidade, um claro reflexo da influencia que o desfile da Tijuca começa a exercer sobre as demais agremiações. Ainda usando a Beija-Flor para evidenciar o que digo, o Laíla, Diretor geral da escola e ferrenho defensor do estilo “conservador” que a escola defendia há anos, declarou à imprensa que a Beija-Flor virá muito mais leve (acredite! Sem resplendores em suas fantasias!), exigiu que o próximo samba a ser cantado pela escola deverá, obrigatoriamente, sem mais popular, mais descontraído e acessível ao público e que as alegorias serão menos entupidas de destaques e adereços. O que é isso? Uma mudança comum, surgida de uma hora para a outra? Não! É, isso sim, o reflexo da preocupação – e busca de adaptação – que as escolas estão tendo por conta do apoteótico desfile da U. da Tijuca. Se um único carro, o do DNA, foi capaz de alterar consideravelmente a estética alegórica em muitas agremiações, quando passamos a ver cópias descaradas dessa alegoria, que dirá todo um desfile aplaudido e altamente comentado como foi o da escola Tijucana em 2010. Assim, eu acredito que por mais discretas que as referências ao desfile da Tijuca em 2010 sejam, elas estarão lá, se não em todas, em grande parte delas, pode apostar.
Amaury Limeira
Membro SRZD desde 28/04/2009
28/05/2010 20:19:22
Caro, Evandro. Obrigado por sua pertinente contribuição neste debate. Deixe-me fazer um esclarecimento. Quando eu incluí o saudoso e extraordinário Fernando Pinto na escala Pamploniana, quis, na verdade, evidenciar o fato de que este profissional, assim como os outros, citados por mim, realizaram carnavais independentes, com seus traços pessoais, suas idéias e irreverências, comportamento que se deu após a entrada do Pamplona nesse circuito. O que eu, na verdade, quis abordar, foi “a nova roupagem”, a nova estética que as escolas passaram a ter após as inovações do Pamplona e que, até antes dele, não ocorriam, já que todos elaboravam desfiles iguais, sem as peculiaridades de cada carnavalesco. A partir das ousadas inovações do Pamplona foi que os demais profissionais ligados à criação de desfiles passaram a se libertar da “receita” vigente e a elaborar suas próprias concepções, dando a cada uma delas, suas marcas, suas assinaturas. E, foi nesse contexto que eu incluí o grande e talentoso Fernando Pinto que deixou sua marca particular na história do carnaval brasileiro.
Luiz Rangel
Membro SRZD desde 13/04/2009
28/05/2010 19:19:37
Caros senhores, a discussão encontra-se em altíssimo nível, uma das maiores manifestações culturais desse país estah em jogo, mas gostaria de voltar ao foco do texto brilhantemente escrito por Luiz Fernando. Não deveríamos estar discutindo a origem dos grandes carnavalescos que jah desfilaram grandes obras na sapucaí, mas sim, discutir as possíveis mudanças do carnaval a partir da vitória da Tijuca de Paulo Barros. Volto a frisar que no estilo de cada um dos carnavalescos citados aqui e dos desfile por mim citados ,eu vi a espontaneidade, a alegria livre leve e solta do componente, a emoção do grande samba, enfim a essência da festa. Mas infelizmente essa emoção estah se transformando, deixando de ser oriunda da espontaneidade para se tornar refen das artimanhas visuais, do passo marcado, das alegorias humanas, da coreografia ensaida a exaustão, enfim de um exército treinado para a nota máxima. No tempo dos carnavalescos aqui citados, o carnaval acontecia na avenida, hoje ele estah pré concebido, sabe-se tudo que vai acontecer ao menos na cabeça de seus criadores. Cantar é obrigação, e não um prazer, mãozinha pro alto sem sincronismo nem pensar, abram seus guardas chuvas em exato intervalo de tempo, olhe para o lado, não ultrapasse o componente enfileirado, etc... O showtime vai começar, olhos bem abertos, e ouvidos; bem por qual canal a emoção deveria ser captada? Olhos ou Ouvidos? Essa eh a questão primordial.
Renato de Souza
Membro SRZD desde 08/04/2009
28/05/2010 18:19:36
Pois é, Evandro. Por isso, apenas destaquei o saudoso Fernando Pinto dentro do rol de meus carnavalescos preferidos. Mas, sem citar, destacar ou encaixá-lo nesta ou naquela escola de carnavalescos. Que fique bem claro isso. Ah! Quanto à "tupinicópolis" (a cidade fantasiosa de Fernando Pinto), este, a meu ver, foi o enredo (história imaginária) mais rica, onírica, convincente e elaborada que já passou pela Sapucaí.
evandro
Membro SRZD desde 30/01/2010
28/05/2010 17:39:22
Excelente senhores. O debate está em alto nível, com fundamentações plausíveis. Mas é bom ter cuidado ao inserirem informações sem a devida veracidade. Fernando Pinto não se encaixava na escola de carnavalescos que se destacou desde a década de 50. Fernando Pamplona, Maria Augusta, Rosa Magalhães e Arlindo Rodrigues eram formados em Belas Artes e trouxeram esse conhecimento acadêmico para o mundo do carnaval. Pura verdade! Joãozinho Trinta, Renato Lage e Max Lopes beberam nessa fonte, cada um com suas características, mas vindos da mesma escola. Fernando Pinto não. Ele vinha de Pernambuco e parecia inaugurar uma nova linha no desfile das escolas de samba. Infelizmente ele se foi, e aí vimos que ele não inaugurou linha alguma. Fernando era único, e se não parecia seguir ninguém, também não teve sucessores. Sua maior referência era o folclore nordestino, que rendeu belas imagens em seus desfiles. Juntando ainda uma estética tropicalista, símbolos da cultura pop e uma inquietude incansável, surgia o gênio imprevisível. Talvez seja essa a melhor definição para F Pinto, o imprevisível. Será que esse fenômeno também não acontecerá com PB? Será que ele não inovou com uma fórmula tão particular que não deixará seguidores? O tempo dirá. No momento, Barros representa o novo, e o novo sempre assusta. Assim como Fernando, que também sofria críticas contundentes naquela época (embora toda a sua obra tivesse como base a cultura brasileira), o carnavalesco tijucano parece vivenciar peculiaridades duma época globalizada da qual retira elementos para formatar seus carnavais. Nela, o entrelaçamento entre culturas - superficiais ou não - podem ser benéficas ou não, depende do ponto de vista de cada um. Tupinicópolis, por exemplo, foi concebida segundo uma visão utopista embasada numa realidade vigente no Brasil, a demarcação de terras onde grupos indígenas vivem.
Renato de Souza
Membro SRZD desde 08/04/2009
28/05/2010 17:17:34
Amaury Limeira, eu também sou fã e confesso admirador do estilo de se fazer carnaval que tanto consagrou o Fernando Pamplona, o Fernando Pinto, o Arlindo Rodrigues, o Joãosinho Trinta (escrito com "s", como ele mesmo determina), entre outros. Quem me conhece bem sabe perfeitamente que, embora eu dê maior ênfase à estética afro e barroca, sempre curti todos os estilos carnavalescos. Sou bastante eclético nesse sentido. E ainda bem. Pois, do contrário, pelo andar da carruagem, decididamente não teria mais saco para acompanhar nem tampouco prestigiar o que se tornou ao longo do tempo este "grandioso espetáculo". Ah! E, com certeza, por consequência, também não estaria hoje aqui debatendo este polêmico e, não menos, suculento tema contigo. Quando venho por meio das minhas postagens não defender, mas apoiar, o estilo “paulobarriano” (como assim você prefere o definir) é única e exclusivamente devido às duras críticas e desaprovações vindas tanto da crítica especializada como do público comum que esse grande artista sempre recebeu e continua recebendo desde que estreou no Grupo Especial em 2004. Tudo bem que, de lá para cá, em alguns desses anos, ele até fez por merecê-las. Reconheço. Vide o desastroso e nada convincente desfile da Viradouro de 2008. Contudo, a impressão que fica é a que, por mais que o Paulo Barros se esforce para manter e/ou aliar toda a sua ousadia e criatividade com o pra lá de usal e encanecido luxo, requinte e com o pouco que restou do tradicional num desfile de Escola de Samba, como ele conseguiu fazer sabiamente no carnaval desse ano, o mesmo não convence, não agrada. Ora bolas! Que culpa o Paulo tem se agradar ao público através de um desfile leve, solto, mágico, vibrante, emocionante... Enfim, de fácil entendimento e nada burocrático é uma de suas maiores prioridades? É, quiçá, o seu maior comprometimento?
Amaury Limeira
Membro SRZD desde 28/04/2009
28/05/2010 15:36:33
uma comoção para que aconteça em sua plenitude. Foi o que se deu com o “ITA” do Salgueiro, vitorioso muito mais pelo samba que pelo conjunto. Foi o que se deu com a própria Tijuca e o seu carro do DNA. Foram pontos específicos que emocionaram e embalaram todas as demais emoções. Essa é a minha opinião. Faça uma pergunta às pessoas próximas a você sobre detalhes de alguns destes desfiles citados por mim e você verá que elas, prontamente, responderão em cima dos pontos de destaque que eu frisei. Quando se fala do desfile da U. da Tijuca de 2010, a primeira coisa que se ouve é: “Nossa! Mas aquela comissão de frente foi fantástica!” se se pergunta do restante do desfile, as pessoas se perdem e dizem: “Tava lindo!”, mas, não sabem especificar o que, no restante do desfile, estava lindo. Estavam entorpecidas pela comissão de frente e foi isso o que perdurou – e perdura – nos seus imaginários e que lhes fazem respaldar, em conteste, àquela apresentação. Muito diferente, por exemplo, do que aconteceu com “KIZOMBA” da V. Isabel. Ali, sim. Ali, samba, desfile em todo o seu conjunto fizeram a grande diferença. A meu ver, aquele é um dos raros desfiles que mereceu o campeonato pelo todo. E, só pra finalizar. De verdade, eu amo a U. da Tijuca. Embora seja Beija-Flor de carteirinha, é na quadra da Tijuca que eu sempre estou. Amo aquela bateria. Em nenhum momento quero desqualificar a vitória merecida da escola. Eu apenas tento ressaltar meu ponto de vista. Mas, em se tratando de merecimento, a escola, por sua luta, dedicação, perseverança, MERECEU e dignificou seu campeonato.
Amaury Limeira
Membro SRZD desde 28/04/2009
28/05/2010 15:35:16
Caro, Renato de Sousa. Como bem frisou o L. Fernando, o carnaval do Paulo Barros é, e sempre será visto e analisado com grandes discordâncias. Aliás, que espetáculo artístico alcança unanimidade? Sempre existem os prós e contras, não é verdade? Bem, eu não consigo gostar do que o Paulo Barros elabora. Não adianta, por mais que me esforce, que lute para reconhecer-lhe os méritos, não consigo. Sou fã da escola Pamplona, seguida e difundida por Fernando Pinto, Joãozinho, dentre outros. Chego, nessa minha admiração, até o grande Renato Lage, para mim, carnavalescos que inovaram, ousaram, romperam barreiras e quebraram paradigmas sem, no entanto, sacrificarem e descaracterizarem o nosso carnaval. Sempre que eu ver um componente jogando a mão pra esquerda e pra direita, estático, apenas para cumprir a uma “coreografia” que atenda às “invenções” paulobarrianas, em detrimento do molejo tão brasileiro, vou me indignar. Sempre que eu deparar-me com um homem aranha ocupando o posto que por merecimento deveria ser das Marias Latas D´água nas cabeças. Sempre que eu observar um grupo de componentes sobrassando lencinhos e/ou guardas chuvas, somente com as mãos em movimentos, lembrarei-me que existem, aos borbotões, jovens que sabem, como ninguém, encantar com seus gingados e que, indiscutivelmente, é tão mais emocionante que ver-se sombrinhas abrindo-se e fechando-se. E, desculpe, mas eu acredito, sim, que o que deu a vitória à U. da Tijuca foi a sua comissão de frente que por ser “inovadora”, ousada e altamente dinâmica, dentro de um desfile de escola de samba, suscitou toda a euforia que, a partir da sua exibição, contagiou todo o restante da escola. Duvido que se a U. da Tijuca tivesse se apresentado sem aquela comissão de frente teria recebido todos os elogios que recebeu. Afinal, todo o restante da escola era, tão somente, uma seqüência do estilo Paulo Barros. Nada de inovador havia. Carnaval é mesmo assim. É preciso
Luiz Rangel
Membro SRZD desde 13/04/2009
28/05/2010 11:02:41
Caro Luiz Fernando, esqueci de citar outros desfiles fantásticos como os de Fernando Pinto tipo Tupinicópolis e Ziriguidum que me marcaram intensamente, bem como os da nossa querida União da Ilha com seus desfiles alegres e sambas bélissimos. O que eu gostaria de frisar no meu comentário é que a festa dos desfiles de escolas de samba estão em um caminho perigoso se afastando da essência do carnaval, que na minha opinião é a descontração, a espontaneidade, a emoção de um belo samba que perdure ao final do seu desfile, e não o militarismo, a coreografia exata, o truque de mágica bem executado. Estou dizendo que o público não vibra mais como antes. Hoje o visual das Alegorias gigantescas eh mais importante que o áudio do carro de som, da bateria, do canto da escola, enfim, vivemos a era do "poderio bélico", visitamos a CDS na Gamboa pra saber quem tem a artilharia mais pesada, sem se importar com enredo, samba, que seriam os fatores de emoção, se transformaram em coadjuvantes. Enredo hoje com a homologação do Paulo Barros, pode ser qualquer coisa que agregue visual pesado, possibilidade de mágica, ilusionismo, diversidade de cores. Não tem que necessariamente possuir um fio condutor, uma linearidade de fatos, começo, meio e fim. Basta iludir, encantar visualmente, que o samba por mais pobre que seja resolve o resto.
Renato de Souza
Membro SRZD desde 08/04/2009
28/05/2010 10:01:47
Amaury Limeira, embora discorde veementemente do seu ponto de vista, respeito a sua opinião acerca da matéria escrita pelo Luiz Fernando Reis. Contudo, ao analisar a sua postagem, não me soou nada ponderado a parte em que você afirma que a Unidos da Tijuca só ganhou o carnaval de 2010 devido à sua comissão de frente. Ainda mais quando essa afirmação vai ao encontro de cada uma das imagens que pontuou e enviveceu o dorso do desfile como um todo. O que tornou a Unidos da Tijuca campeã foi a soma do todo. Isto é, do trabalho, do talento, da ousadia, da criatividade e, sobretudo, da persistência do seu carnavalesco mais o empenho e determinação da comunidade tijucana. Bom, quem de fato não apenas viu, mas conseguiu enxergar o desfile da Escola do pavão em sua plenitude pôde claramente perceber que, esse ano, sem abrir mão do seu estilo, Paulo Barros conseguiu dosar de forma brilhante (como nunca antes vista) toda a sua ousadia e criatividade com uma apresentação amplamente carnavalizada, onde a ORIGINALIDADE casou-se perfeitamente com o CLÁSSICO e o SOFISTICADO. Enfim, com o HABITUAL. Pois é... E de pensar que, para muitos, até ontem o CLÁSSICO, o SOFISTICADO e o HABITUAL estavam pra lá de saturados em meio à mesmice que se tornou os desfiles das Escolas de Samba na atualidade. Vá entender, não é?! Tomara que Paulo Barros continue feliz da vida na Unidos da Tijuca, com sua mente fervilhando de ideias geniais, para que no próximo carnaval o mesmo possa seduzir novamente a Sapucaí, se valendo do seu talento, ousadia e imprevisibilidade. Tomara!!!
Luiz Fernando Reis
Membro SRZD desde 24/04/2009
27/05/2010 17:47:31
Caro Luiz Rangel.................................. ...................................... O amor que tenho pelo carnaval nasceu nesses mesmos enredos que vc citou. O Barroco e o detalhismo de Arlindo Rodrigues e Rosa Magalhães sempre me emocionou. A Alegre irreverencia de Fernando Pinto e as loucuras do Oswaldo Jardim sempre me emocionaram. O Modernoso e impecável trabalho do Renato sempre me cativou. Os trabalho das cores e requinte do Max e do Alexandre Louzada sempre me impressionaram. Esses gênios, com a permissão do maior deles - João Jorge Trinta, marcaram para sempre o nosso carnaval. Não quero e não posso deletar os maiores mestres de nosso carnaval, mas me permitam incluir nessa galeria de Gênio o hollidiano e criativo Paulo Barros. E de todos eles sempre cobrarei uma melhor leitura de seus enredos. É sempre bom debatermos com gente que ama essa coisa mágica chamada carnaval.




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