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23/01/2008 07h00

Concurso de fantasias no Hotel Glória resiste ao tempo
Marco Aurélio Lisan

O ‘glamour’ de outros tempos passou e o carnaval ganhou um contorno mais específico voltando todas as suas atenções no Rio de Janeiro para os desfiles das escolas de samba. Há algum tempo, a folia de rua tem ganhado fôlego, mas outra tradicional manifestação momesca segue ladeira abaixo, para tristeza de quem sempre esteve envolvido na organização dos concursos de fantasias, que tiveram sua época áurea nos anos de 1970 e 1980.

Eles chegaram a ser dez, espalhados em várias capitais e cidades (Recife, Campinas, Porto Alegre, Florianópolis, Brasília). Agora, resta apenas um: o concurso do Hotel Glória, na zona sul do Rio, que acontecerá este ano no dia 2 de fevereiro, sábado de carnaval, às 19h. E ainda persiste por causa da obstinação de seu organizador, Arnaldo Montel.

“Eu acredito que o dia que eu parar de realizar o concurso do (hotel) Glória ou morrer acaba o concurso. Hoje não há mais interesse. O carnaval se resume apenas aos desfiles na Marquês de Sapucaí (Sambódromo do Rio) e ao famoso baile do (hotel) Copacabana Palace, que é um pioneirismo que eu tenho a honra também de trabalhar já há 15 anos”, lamenta Montel.

Na época que os concursos de fantasias tinham destaque a maioria exigia o traje black-tie. Havia transmissões pelas emissoras de televisão e revistas publicam páginas sobre os eventos. Hoje em dia, essa realidade é bem diferente, mas Arnaldo Montel não culpa a imprensa pela decadência dos concursos.

“Eu não culpo a mídia, não. Eu culpo muitas coisas: problema de orquestra caríssima, problemas ligados ao Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição) relacionados a direitos autorais e falta de apoio de governantes”, desabafa o organizador do concurso do Glória.

Este ano será o 34º ano do desfile de fantasias no Hotel Glória. 70 candidatos já estão inscritos nas categorias luxo Masculino e luxo Feminino, além de originalidade masculina e originalidade feminina. O primeiro colocado na categoria luxo (masculino e feminino) levará para casa o Troféu Evandro Castro Lima, uma jóia avaliada em R$ 5 mil. Mesmo valor do Troféu Clóvis Bornay para os vencedores da categoria originalidade.

Arnaldo Montel admite que vive um momento difícil financeiramente e garante que, mais do que o prêmio, os participantes e vencedores se sentem vitoriosos por causa da importância do concurso.

“Eu tenho dificuldade financeira porque o apoio que recebo é pequeno. Ganho uma verba da Riotur (empresa de turismo da cidade do Rio de Janeiro) e de três ou quatro patrocinadores da iniciativa privada, mas precisaria de mais recursos. Arrecado uns R$ 80 mil e gasto em torno de R$ 70 mil. Já ganhei muito dinheiro com esses concursos, hoje a realidade é outra.”

O campista Neucimar Pires sempre se espelhou nos principais vencedores dos concursos de fantasia que dão nome aos prêmios do Glória (Evandro Castro Lima e Clóvis Bornay). Já venceu o concurso cinco vezes o que garantiu a ele o título de hors-concours. Neucimar, que é estilista de noivas em Campos, no Norte Fluminense, sabe que um dia pode acordar sem ter mais onde se apresentar e lamenta muito por isso.

“O concurso de fantasias do Glória é um bem cultural. Cada roupa que você coloca requer estudo. É uma parte do Brasil e do mundo que você está carregando em um corpo, resumindo em pedrarias, em plumagem. Quem é que não gosta de um concurso de fantasia, de assistir tanta beleza, tanto luxo?”, pergunta Neucimar.

Para 2008, Neucimar Pires se inspirou no ‘Feitiço de Áquila’. A fantasia dele deve pesar de 35 a 40 quilos e está avaliada em mais de R$ 30 mil. Preço que não paga, segundo Neucimar, a emoção do desfile. “É uma emoção muito forte em ver aquela platéia, aquelas pessoas te admirando. Os turistas se aproximando, batendo fotos, querendo levar sua foto para outros países. É muito gostoso, faz muito bem ao ego”, confessa.






Comentários
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    09/11/2009 01:47:26jorgeAnônimo

    fantasias

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