Ligado no Big Brother Brasil, o espectador pode assistir Pedro Bial discutir com Angélica sobre as preferências sexuais da jornalista mineira. Numa festa, o assumidamente gay Serginho dá um "selinho" no transformista Dicésar. O programa que é desprezado por muita gente séria vai prestando um serviço à tolerância pela escolha de alguém. A "odiada" Tessália comentava com o namoradinho Michel: "os gays são os grandes favoritos dessa edição".
Já Elenita, a encrenqueira mor desta edição, tem a maior comunidade da internet pela defesa dos direitos dos gays. É ótimo que as pessoas conheçam opiniões e atitudes destas pessoas que nem sempre puderam frequentar nossas salas.
A diferença entre essa edição e a vencida por Jean é que naquela, o professor baiano foi discriminado. Isso acabou fortalecendo seu nome e o levou ao cobiçado prêmio. A tolerância na casa é prática até do lutador Marcelo Dourado, que mesmo cometendo alguns deslizes verbais, tem ótimo relacionamento com os três integrantes "coloridos" do BBB.
Pois bem, quando tudo parecia desanuviar a intolerância sexual, o general Raymundo de Cerqueira Filho disse que os gays só devem ser aceitos nos quartéis se mantiverem a opção sexual em segredo. O que deixa a declaração mais grave é que ele foi indicado para uma vaga no Superior Tribunal Militar. O festival de absurdos continuou com o general dizendo que a tropa não respeita comandantes homossexuais.
Haverá execração e defesas acaloradas às declarações do general. Vamos tentar entendê-las. Se um general que vai ter posto no STM dá uma declaração como essa, há respaldo. Quem chega a tal posto hierárquico não chega sem força política. Provavelmente, ele deu voz a um sentimento profundo que corre nos quartéis, vide o caso da prisão dos ex-sargentos Laci Araújo e Fernando de Figueiredo. Os dois assumiram uma relação amorosa.
Seguimos numa toada engraçada com programas de televisão ensinando que independentemente da orientação sexual que as pessoas tenham, elas são normais. Já as Forças Armadas dão sinais de intolerância, que em nada é parecido com o lema do "Braço Forte, mão amiga". Como diz um pensador político do país: " O Brasil não é para iniciantes".