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Sidney Rezende

Sidney Rezende

Diretor do SRZD, apresentador do "Brasil TV", da "Rede Globo", e âncora de telejornais da "GloboNews". Sidney foi um dos fundadores da "CBN".

* Os textos desta seção não representam necessariamente a opinião deste veículo e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.



29/01/2010 21h18

A despedida da filha que perdeu o pai
Sidney Rezende

Boa noite, Sidney,

É com muita emoção que agradeço as lindas palavras ao meu paizinho, Sérgio Nogueira.

Abaixo, te encaminho dois e-mails que mandei a pessoas queridas, como você. Infelizmente não tenho o e-mail de algumas pessoas da rádio "Globo" como Maurício Menezes, Eraldo Leite etc.

Um beijo grande e, mais uma vez, obrigada!

Queridos amigos,

É com muita tristeza ainda no coração, mas com a força que vocês me deram, que escrevo esse e-mail para vocês.

Coloquei neste e-mail todas as pessoas que me ajudaram e estão me ajudando a passar o momento mais difícil da minha vida. É uma dor absolutamente desconhecida, que eu estou vivendo, uma dor que parece que nunca mais terá fim. Tudo passa pela cabeça... alegrias que tive com meu pai, momentos inesquecíveis, mas o que mais me martiriza neste momento, e muitos de vocês sabem, é o fato dele ter morrido sem a gente ter conseguido se falar.

Por motivos tolos (que agora consigo enxergar claramente que eram tolos) estávamos sem nos falar há um ano. Se vocês soubessem o arrependimento que sinto, a dor profunda que está no meu peito, e eu tenho certeza que ele também, teríamos feito diferente.

Vai ser difícil apagar a imagem do meu marido carregando o caixão do meu pai, aos prantos, pois ele também perdeu um pai, um grande amigo.

Meu pai foi uma pessoa maravilhosa, um homem de bem, que dedicou a vida dele inteira ao Vasco, por puro amor... só amor!

Ontem, no velório, tivemos a prova concreta de como ele era querido. Pessoas de todas as partes, que passaram um dia pela vida do meu pai foram lá para dar o último adeus. O Club de Regatas Vasco da Gama foi incrivelmente carinhoso com o meu paizinho, até o seu último dia de vida. Agradeço ao presidente Roberto, a todos os dirigentes, todos os funcionários do clube, a todos os chefes de torcida que compareceram ao velório e depois no jogo fizeram uma linda homenagem gritando o nome do meu pai na arquibancada. As bandeiras a meio mastro, o placar eletrônico com dizeres, os jogadores entrando de luto em campo e o minuto de silêncio antes da partida. MUITO OBRIGADA! Tenho certeza que de onde ele estiver está MUITO feliz com essa homenagem.

Agradeço agora aos meus queridos amigos, que me ajudaram com energias positivas nesse momento em que eu achava que não ia aguentar. Agradeço aos que compareceram, aos que ligaram e aos que, por algum motivo, não conseguiram falar comigo, mas que tenho certeza, certeza MESMO, que pensaram e mandaram boas energias.

Hoje, eu vejo a vida muito diferente de ontem. É muito louco achar que tudo pode mudar de um dia para o outro. Mas, hoje, eu tenho certeza que sim. A morte do meu paizinho foi um susto, uma coisa inesperada, que aconteceu de um dia pro outro, um dia ele estava bem, outro, infelizmente, ele não estava mais aqui... então é com essa dor no coração e com todo amor que vocês estão me dando, que eu peço a vocês: VIVAM A VIDA COMO SE HOJE FOSSE O ÚLTIMO DIA! Façam o que tenham vontade de fazer, FALEM! Digam que amam seus amigos, seus pais, seus avós, seus filhos, beijem, abracem... vocês nunca vão saber quando eles se vão. Hoje consigo ver quantas discussões idiotas temos ao longo da vida, com amigos, no trabalho... Nossa! Quanta bobagem.

Meus amigos, hoje quero jogar no lixo todas as coisas que eu não acho que valem a pena e plantar todas as coisas boas, amor, amizade, tudo que valha a pena.

Obrigada por tudo! Pelas palavras, pelos pensamentos, pelas atitudes,

Obrigada por estarem na minha vida nesse momento

Amo, do fundo do meu coração, todos vocês!

Bruna.

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Hoje, logo após que mandei aquele e-mail para vocês, percebi que esqueci de agradecer a uma parte importante da vida do meu paizinho. Como a maioria sabe, meu pai foi um grande radialista, a voz do programa "O Globo no Ar", da rádio "Globo", durante 22 anos. Ontem vários amigos, radialistas, foram dar o último adeus a ele e hoje percebi que esses amigos jornalistas fizeram grandes e inúmeras homenagens ao meu pai tanto na internet, como em todas as rádios, não só a Globo. No site do jornalista Sidney Rezende encontrei um texto que me confortou um pouco. A filha, que ele menciona no texto sou eu. E isso me fez lembrar o grande carinho que eu e meu paizinho tínhamos um pelo outro. Que afago gostoso. Te agradeço do fundo do coração Sidney!

Um beijo enorme a todos (novamente)

Bruna

"Hoje cedo eu fui surpreendido com o desaparecimento de Sérgio Nogueira, locutor, e que durante muito tempo foi o titular do tradicional programa "Globo no Ar", da "Rádio Globo".

Nesta época, éramos muito ligados. Ele possuía um humor próprio. Um cara muito engraçado, dono de ironia corrosiva. Sérgio Nogueira sempre tinha uma tirada divertida. Rimos juntos incontáveis vezes.

Vascaíno apaixonado, um eterno devoto do veículo rádio, Nogueira não vivia sem estes dois amores.

Eu me lembro que fora dos estúdios, ele nutria paixão pela filha. Um pai dedicado. Quando caminhavam pela rua do Russel pareciam namorados. Um exemplo de entrega afetiva. É lindo quando pais e filhos se entendem.

Que Deus o tenha."

Sidney Rezende


Comentários
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    02/02/2010 00:44:44Tereza MariaAnônimo

    Quando criança, fui vizinha do Sergio, brincávamos na área que havia no prédio. Sua mãe, se não me engano, se chamava D.Glória. Crescemos e só há alguns anos atrás, soube por uma ex-vizinha, que a voz que eu ouvia as notícias na CBN era dele. Não entendi quando de repente sua voz sumiu. Lindas palavras de sua filha. Meus sentimentos sinceros.

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    30/01/2010 18:45:18Nelma EspíndolaAnônimo

    Sidney gostaria de deixar aqui minhas desculpas com a prezada Bruna, pois nesse cenário de perda e dor, por você nos exposto, revivi minhas dores pessoais. Meu apoio a você e principalmente a ela se esvaiu. Perdoem-me. Quero deixar um pequeno recado a Bruna, embora não a conheça, mas, certamente, conheci seu pai pelas ondas do rádio, uma linda voz. Por favor, não se torture assim, por esse espaço de tempo que entrecortou a relação de vocês. Às vezes temos atitudes e reações que numa linha de racionalidade não deveriam acontecer. São lições que aprendemos, tempos depois, e de modo muitas vezes doloroso e que achamos irreversíveis. O que vale é que aprendemos e poderemos desse modo não ensinar, mas exemplificarmos a quem está em a nossa volta, em nossas relações interpessoais. Penso na morte como uma passagem. O amor que existe entre você e seu pai é eterno, e de muito lhe dará forças para seguir em frente, se refazendo a cada dia, com novos olhares e atitudes como você mesmo nos demonstrou. Linda a sua atitude, a de amar sobre todas as coisas. Fique em paz! Ele também ficará.

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    30/01/2010 18:07:52ClarisseAnônimo

    Nossa Bruna, nossa Sidney, fiquei muito comovida. Olha Bruna, filhos e pais tb brigam e você não deve se sentir assim. Pensa só nos momentos bons e tenha certeza que o tempo vai acalmar o seu coraçãozinho e aliviar a imensa saudade. Sua palavras também serviram para mim. Um grande beijo, você não me conhce, mas sou leitora do Sidney.

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    30/01/2010 15:10:20JOAOMembro SRZD desde 12/05/2010

    Querida,Vá em frente sem pesos o importante Bruna é vc caminhar com erssa nova luz,durma pouco,sonhe mais porque entenda que por cada minuto que fechares os olhos perderá a razão que encontrares agora...Minhas solidariedades,abraço vascaino-João-largo do boiadeiro n4 capela nsra aparecida Rocinha.

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    30/01/2010 09:24:37Laerte AfonsoAnônimo

    Muito bonito as palavras da Bruna, o seu pai me fez rir muitas vezes, ele me deu muitas dicas de como ser um grande profissional do Radio, A ele o meu respeito e minha saudade!!!!!!!!

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