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Tragédias urbanas e políticas

Soares Junior | Soares Júnior | 17/01/2010 17:16

Muito boa reportagem sobre a exploração de menores travestis na edição do Globo de domingo. É uma tragédia, que Chico Otávio e Tatiana Farah jogam luz. É uma tragédia social porque é a exploração infantil, além de ser um tema tabu por causa da questão do homossexualismo.

Acho que a matéria é esclarecedora, assim como parece ser a tese de mestrado do assistente social Alan Loiola. O loteamento das calçadas para que elas possam trabalhar, me chamou atenção de um aspecto. Pelo texto, um terço do valor do programa vai para o travesti e dois terços para a cafetina. No entanto, para poder "lotear" o espaço público, algum tipo de conivência espúria deve haver.

Os "donos" do que é público, que cobram para conceder facilidades, fazem parte das redes que exploram e ultrajam a qualidade de vida nas grandes cidades. É mais uma metástase desta doença urbana.

Nestas férias (o que explica esta longa ausência deste espaço virtual) ouvi uma história inverossímil, mas que pode explicar a mentalidade de muitos. Tentava comprar uma cerveja numa barraca na praia. Pelo revezamento era meu dia de beber, minha mulher ficou no refrigerante. No entanto, o vendedor demorou a me atender pois contava a dois embevecidos turistas a maneira como ele escondeu um dinheiro que achou na praia. Segundo o relato, as notas voavam por causa de uma forte rajada de vento e vieram em sua direção. A narrativa era de como ele fez para esconder o dinheiro. Em nenhum momento ele pensou em devolver a quantia, que seria de inacreditáveis US$ 3 mil. Desisti da bebida e fiquei sem o fim da saga.

É a impunidade compulsória, num lugar em que "as imagens não falam por si"  e no qual se prega "vista grossa" para que as obras para a Copa de 2014 e Rio 2016 não atrasem.

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Acho inacreditável que tenha alguém questionando a ajuda brasileira ao Haiti. Não foi Deus quem esqueceu o país caribenho, foram os homens. Tragédia dentro da tragédia, a morte de Zilda Arns, que construiu a vida para se lembrar das pessoas.

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Saber o que aconteceu ajuda a entender o momento atual. Além disso, pode impedir a repetição de alguns erros, erros que muitas vezes estão na trilha do caminho mais fácil. No entanto, o revanchismo, obviamente, deve ser rejeitado.

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No último texto esqueci de citar a chegada do Cosmo, da Ítala e do Marcelo. Imperdoável.

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Por falar em retrospectiva, galho de Arruda combina com óleo de peroba facial?