A vida de Zilda Arns

Sidney Rezende | Sidney Rezende | 13/01/2010 11h46

A minha primeira reação quando soube da morte de Zilda Arns foi titular este post como "A morte de Zilda Arns". Nem terminei a frase e logo a substitui por outra: "A vida de Zilda Arns".

Zilda não tem nada a ver com morte, com isolamento, perda. Ela sempre dedicou-se ao prolongamento da vida, sem separações desnecessárias.

Se a jovem gestante se viu de repente tendo que se deparar com o desafio de ser mãe, lá estava Zilda Arns e os seus programas de amamentação. Se a criança não tinha peso suficiente para sobreviver, lá estava Zilda Arns e suas iniciativas de combate à desnutrição.

Se o jovem tinha dificuldades de conseguir o seu primeiro emprego, lá estava Zilda Arns mobilizando a sua imensa rede de relacionamentos para acomodar o mais novo postulante ao mercado de trabalho.

Zilda Arns foi uma brasileira respeitada por todos os governos. Uma católica admirada por todas as demais religiões. Uma pessoa boa, completa.

Ela e o irmão, cardeal Paulo Evaristo Arns, não só trabalharam pelos pobres e necessitados, como deram cada segundo de suas vidas a causas essenciais como as lutas em favor da liberdade, Justiça e paz.

A democracia brasileira deve muito a eles. Sorte a nossa que floresceram no Brasil pessoas com estes propósitos. Zilda Arns, amiga da vida. Um exemplo comovente de entrega e bondade.

Comentários (17)

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Zenesio Trevisan

08/02/2010 09:51:41

Estamos tristes pela tràgica morte da Dra. Zilda Arns, mas ao mesmo teempo, alegres, pois morreu uma santa. Alguém que viveu com amorr e desprendimento em favor dos menos afortunados. Zilda,inter ceda por nòs de làdo ceu e, principalmente por aqueles que mais necesitam neste imeenso e desigual Brasil. Obrigado, Dra Zilda.

Achel Tinoco

23/01/2010 20:57:24

“O Haiti é aqui.” Não, o Haiti é lá onde ele sempre esteve esquecido. O Haiti é a prova irrefutável de que Deus não existe. Se ainda aquele povo insiste em glorificá-lo, é porque foi condicionado — todos somos produtos do meio, cães famintos sob vigas que não se sustentam. Foram soterrados pela esperança. Alguém em suas crendices lacrimosas há de dizer, as mãos levantadas aos céus, que, pelo menos, a cruz do Senhor Morto ficou de pé. Ficou de pé porque era feita de boa madeira, ora! Não preguemos, a partir de amanhã, o milagre da cruz. Não há milagre que não seja sustentado pela própria morte para confortar os moribundos. Talvez apenas um milagre seja recomendado ali: o da união dos outros povos para reconstruir aquele povo e soerguer sua pátria carcomida pela fome. Naquele instante trêmulo, onde estava Deus onipresente que não respondeu aos gritos de socorro? Onde estava Deus onipotente que não freou as lágrimas...? Ah, sim, “Ele escreve certo por linhas tortas”, ou seja: Ele mata por vias indiretas. Por mais que também soframos com o olhar soterrado da criança, jamais, em tempo algum, sentiremos em toda extensão a dor da mãe. E desta vez, nem se pode creditar à mãe África a desgraça de existir... A tragédia está à porta para uma reflexão momentânea. Daqui a pouco, as notícias vão escasseando e não choraremos mais os mortos-vivos, nem os mortos velhos. Se Deus existisse, decerto nos ensinaria tão somente uma lição. Uma que não cobrisse de escombros a vida suave de dona Zilda, nem deixasse órfãos dois milhões de crianças. Se alguém por aí adiante ainda teima que Deus existe, Ele está justamente nessa força medonha da natureza, não no homem que a destrói, não na imagem da catedral que foi ao chão. Assim concluo: Deus é a tragédia do universo à imagem e semelhança do homem que o inventou. Basta olharmos para o Haiti.

andre

18/01/2010 10:03:12

realmente zilda era uma pessoa estraordinaria altruista e estremamente preocupada com o ser humano lamento que assim como eu milhoes de brasileiros so vieram conhecer seu trabalho com sua morte tambem so agora a imprensa deu devido valor ao trabalho dessa serva de DEUS mas uma coisa que nao é noticiado é que ela era contra o aborto em todas as hipoteses ate mesmo gravides por estupro ora pois porque a mesma imprensa,sociedade e governo que agora lamenta a sua morte e respeita o seu trabalho -que por sinal é magnifico-nao leva em consideraçao a opiniao dela sobre o aborto?sabe porque?é porque vivemos em uma sociedade hipocrita.Precisamos de homens e mulheres que levantem a bandeira contra o aborto para dar continuidade ao trabalho dessa magnifica mulher

José Raposo

Membro SRZD desde 07/04/2009

16/01/2010 12:54:10

Sidney, meu grande amigo, não sou capaz de acrescentar uma letra ou um símbolo a sua postagem. Apenas aplaudi-lo e admirá-lo ainda mais pela sensibilidade demonstrada.

João guilherme

16/01/2010 11:08:25

Querido amigo Sidney,o falecimento da Zilda arns,nos tras nesse determinado momento que com seu falecimento passa a ser luz para aqueles que não são muito atento a atitudes e gestos de amor como ela fez e continuará fazendo através de voluntários na pastoral da criança que recentemente foi inplantada na favela da Rocinha na paróquia Nsra da boa viagem que agora tem a direção dos franciscanos que dia 20/01 receberá seu novo paraco.Gostaria também de te colocar sei aqui não é o espaço mas o que a tau s/a tem de horror de onibus nas suas linhas que circulam principalmente em torno da Rocinha sao horriveis nas linhas 176,177,591,592,593,175,546,....Faz um materia.

Lia Lopes Silva

Membro SRZD desde 30/09/2009

14/01/2010 02:35:56

As vezes, para vencer a morte - é preciso dar a vida. Só os grandes espíritos conseguem fazê-lo. Nada nunca é por acaso. Ou será que podemos acreditar que Zilda Arns estava precisamente no lugar que, em todo mundo, mais precisava de ajuda? No momento do terremoto, ela poderia estar num lugar seguro e luxuoso. Mas estava onde as pessoas mais estavam a precisar de ajuda. Assim como o soldado que não foge, que não se acovarda pode morrer no campo de guerra, os verdadeiros missionários podem tombar no campo de ajuda. Mas os justos, os verdadeiramente solidários, os verdadeiramente altruístas não são derrotados ou anulados ao tombar: amplificam suas forças para a guerra, para a luta. Entretanto, não deixa de ser irônico que alguém que foi candidata ao prêmio Nobel da Paz - e não ganhou - tenha desaparecido no campo de ajuda, e quem foi laureado com aquele prêmio esteja no campo da(s) guerra(s)... injustas, egoístas, desumanas.

Pedro

14/01/2010 00:32:18

Dra Zilda e D. Paulo são imortais....não como Sarney.... de verdade

Sidney Rezende

Membro SRZD desde 23/05/2006

13/01/2010 22:30:56

Polimático, não existe um lado só. A vida é o exercício de contradições. Darei um exemplo tolo, mas ilustrativo. Na festa de Revéillon eu achei os fogos lançados aos céus de Copacabana inexpressivos em comparação aos dos outros anos. A repórter Laura Carneiro, que estava em outro ponto, adorou. E ainda me disse que viu pessoas chorando. Resultado, esculhambei no blog e ela elogiou na home do site. O Chefe da Redação e os demais jornalistas nela representados, ficaram com a opinião dela, e não com a minha. Guardei minha viola e recebi tudo isso numa boa. Amo a contradição. Zilda Arns era uma pessoa que possuía a caridade cristã na alma, no espírito. Um ser elevado. Se era contra o aborto, é porque sempre foi a favor da vida. Eu não recomendo aborto para ninguém, também. Mas não fecho os olhos para as mulheres que precisam de amparo médico e legal diante das contradições que todos enfrentamos. A mulher é dona do seu corpo. É o que penso. E viver, meu caro, é muito arriscado, amigo!!

polimatico.com.br

13/01/2010 22:06:33

Belas palavras. Mas sinto certo incômodo porque parecem-me vâs palavras. Zilda Arns combatia firmemente o aborto. Muitas personalidades ateis já elogiadas neste site tinham postura absolutamente contrária à da dra. Zilda. Não sei, mas parece-me que por motivo de coerência seria certo estar em um dos lados, e não dos dois.

Clarisse

13/01/2010 21:50:25

Sidney, muito bom o seu comentário é isso mesmo.

jacqueline

13/01/2010 20:49:40

Apesar das tragicas circunstancias, Dra Zilda finaliza sua luta aqui na vida terrena da maneira mais digna e coerente possivel. Com mais de 70 anos em plena atividade na busca de propiciar mais oportunidades as populacoes sofridas face as desigualdades existentes em nosso planeta. Sua partida aconteceu no momento em que usava seu discurso para transmitir riquezas advindas de sua digna e vasta experiencia. Pessoa de muito carisma irradiava grande beleza em suas ideias,gestos e atitudes. Hoje li um artigo no qual o competente Dimestein falava sobre o amor que teve a primeira vista por Dra. Zilda. Complemento:acho que ela passava essa sensacao a todos que paravam um tempinho para ouvi-la. Ficam a nossa admiracao e saudade. Que os que estiveram proximos a ela consigam continuar sua obra...

Mauricio Gonçalves da Silva

13/01/2010 13:34:25

Lamentável esta noticia, tenho uma entrevista com ela em um jornal dedicado a Educação onde ela aponta o lado sensível e humano das crianças. Fico profundamente comovido e sou muito solidário com a causa que ela defendia no Brasil e no mundo. Zilda sua missão não acaba com a sua partida, esteja sempre em PAZ. Admirador Mauricio.

Mauricio Gonçalves da Silva

13/01/2010 13:33:00

Lamentável esta noticia, tenho uma entrevista com ela em um jornal dedicado a Educação onde ela aponta o lado sensível e humano das crianças. Fico profundamente comovido e sou muito solidário com a causa que ela defendia no Brasil e no mundo. Zilda sua missão não acaba com a sua partida, esteja sempre em PAZ. Admirador Mauricio.

Mauricio Gonçalves da Silva

13/01/2010 13:30:56

Lamentável esta noticia, tenho uma entrevista com ela em um jornal dedicado a Educação onde ela aponta o lado sensível e humano da crianças. Fico profundamente comovido e sou muito solidário com a causa que ela defendia no Brasil e no mundo. Zilda sua missão não acaba com a sua partida, esteja sempre em PAZ. Admirador Mauricio.

Nelma Espíndola

13/01/2010 13:24:30

Fiquei muito entristecida ao ouvir no rádio, a suspeição de morte da Dra. Zilda Arnes. Torcia para que em toda essa tragédia no Haiti, também, além de outros brasileiros e haitianos, ela não teria seguido nessa partida trágica. Nessa confirmação, só tenho que junto com todos fazer firmar a minha dor e em silêncio fazer minha prece.

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