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Ney Matogrosso tasca 'Beijo Bandido' no Rio de Janeiro

Luiz Felipe Carneiro | Opinião | 11/01/2010 02:31

Ney Matogrosso tasca 'Beijo Bandido' no Rio de Janeiro | Foto: Gabriela Siciliano

Alguém que não viva nesse planeta e que tenha assistido aos shows "Inclassificáveis" e "Beijo Bandido", jamais desconfiaria de que se trata do mesmo artista. Em seu novo show - aliás, nem tão novo assim, porque já rodou algumas cidades no ano passado -, Ney Matogrosso, de fato, se despiu de todos os exuberantes figurinos de "Inclassificáveis". Em "Beijo Bandido", Ney não troca de roupa, e permanece o tempo todo com um elegante (e sóbrio) terno bege e uma camisa branca. Também não há cenário, mas tão somente um telão que transmite (desnecessárias) imagens do cantor. A iluminação também é muito mais econômica. Mas, musicalmente, "Beijo Bandido" tem a mesma exuberância de "Inclassificáveis", em um repertório que transita de Herivelto Martins a Cazuza com a mesma naturalidade que abraça Chico Buarque, Roberto Carlos, Astor Piazzola, Vinícius de Moraes e Herbert Vianna.

Para quem conhece o CD "Beijo Bandido", lançado no segundo semestre do ano passado, o show acaba surpreendendo pouco. E esse acaba sendo o único ponto fraco do show. Todas as 14 faixas do CD são executadas na apresentação, ainda que em ordem diferente. Outras quatro canções foram acrescentadas para fechar o roteiro, em 75 minutos de apresentação. Lógico que quantidade não é sinônimo de qualidade. Mas a apresentação pecou por ter sido tão curta. Ney Matogrosso e sua excelente banda - Leandro Braga (teclados e direção musical), Lui Coimbra (violoncelo e violão), Ricardo Amado (violino, banjo, viola e pandeiro) e Felipe Roseno (percussão) - poderiam ter ido além, abrindo novas possibilidades para o ótimo disco de estúdio. Lá no segundo bis da noite, quando Ney disse que ia apresentar duas canções que não faziam parte do show originário, parecia que já era tarde demais. E a verdade é que "Poema dos Olhos da Amada" e "Tema de Amor de Gabriela" não deram nem um gostinho além do "Beijo Bandido". Pena.

Nesse seu novo show, em cena, Ney Matogrosso também está tão contido quanto o repertório. De cara limpa, o cantor se movimenta pouco (mas sempre com brilho) durante a apresentação. Em "Beijo Bandido", a estrela da noite é mesmo a sua voz, sempre azeitada, diga-se de passagem. Desde o início da apresentação, com "Tango Pra Tereza" até "As Ilhas", última canção antes do bis, Ney aparece sempre contido, mas capaz de criar momentos mágicos, como, por exemplo, em "Fascinação" (alguém respirava no Canecão durante essa música?) e em "Da Cor do Pecado", faixa que também não faz parte do CD de estúdio, e que ganhou um arranjo deslumbrante calcado no violoncelo de Lui Coimbra e no banjo de Ricardo Amado. "À Distância", sucesso popular de Roberto e de Erasmo Carlos, ganhou um arranjo sofisticado e delicado ao mesmo tempo. Foi um dos momentos mais arrepiantes da noite, assim como "Segredo" (de Herivelto Martins e Marino Pinto), que ficou mais puxado para o samba com a adesão de Ricardo Amado à percussão.

No primeiro bis, uma grata surpresa: a canção "Incinero", de autoria dos compositores Mauro Aguiar e Zé Paulo Becker - este último, inclusive, é um ótimo violonista que acompanhou Ney na turnê "Canto Em Qualquer Canto". Pena que o violão de Lui Coimbra só começou a funcionar mesmo no final da salsa. "Mulher Sem Razão", de Cazuza, Dé Palmeira e Bebel Gilberto, ganhou mais peso na versão ao vivo, e, por isso, ficou melhor.

Atendendo aos pedidos do público, Ney ainda voltou para encerrar a apresentação com as já citadas "Poema dos Olhos da Amada" e "Tema de Amor de Gabriela". O jogo foi rápido, mas já estava ganho. Ney continua inclassificável. E que venha o DVD.

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O repertório completo do show "Beijo Bandido", de Ney Matogrosso, é o seguinte:

1)    "Tango Pra Tereza"
2)    "Da Cor do Pecado"
3)    "Fascinação"
4)    "Invento"
5)    "De Cigarro Em Cigarro"
6)    "A Bela e a Fera"
7)    "À Distância"
8)    "A Cor do Desejo"
9)    "Nada Por Mim"
10)    "Segredo"
11)    "Doce de Coco"
12)    "Medo de Amar"
13)    "Bicho de Sete Cabeças"
14)    "As Ilhas"
15)    "Incinero"
16)    "Mulher Sem Razão"
17)    "Poema dos Olhos da Amada"
18)    "Tema de Amor de Gabriela"

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E quem quiser relembrar o histórico show "O Pescador de Pérolas", de Ney Matogrosso, pode clicar aqui.

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E bateu uma nostalgia do "Estava Escrito", show em que Ney interpretava canções do repertório de Angela Maria, em 1995. Tempos atrás, ouvi dizer que uma apresentação tinha sido gravada e seria lançada em DVD. Cadê?

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Ney dá continuidade à turnê de "Beijo Bandido" no Canecão nos dias 15, 16 e 17 de janeiro.


Cotação: ***1/2

***** Ótimo
**** Muito Bom
*** Bom
** Regular
* Ruim


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