Se o leitor tiver a pachorra de ler o post abaixo e os comentários contíguos, verá que estou tomando pauladas de leitores inteligentes. Gente que entende de carnaval e não se conforma com o modelo de venda de ingressos para o desfile.
É provável que inexista na face da Terra um sistema de vendas de ingressos que mereça apoio unânime de quem gostaria de possuí-lo. Mas é muito bom que estejamos debatendo o assunto em alto nível.
Acompanhem comigo o raciocínio: Existem 12.190 ingressos para as arquibancadas. É pouco? É. Mas é o espaço de ocupação possível da Passarela do Samba para acomodar os espectadores que irão assistir ao Carnaval 2010. Alguém ficará de fora, concorda?
Se a venda for só pela internet, milhões de interessados que não têm computadores não poderão participar da disputa. Será uma segregação por classe social.
Atualmente, os organizadores exigem CPF de cada interessado. Portanto, ele terá que ser pessoa física e não jurídica. E, ainda por cima, terá que assinar o recebimento no momento da compra do ingresso.
Os organizadores podem disponibilizar o borderô, com a anuência do Ministério Público, para verificação se houve burla de alguém ao ter acesso a mais de 4 ingressos por dia. A Liesa argumenta que um só CPF não registra mais do que uma compra autorizada.
Se a venda foi por telefone, existe a forma de rastreamento da Embratel e a fiscalização da Serasa Experian.
No dia 15 de janeiro haverá uma nova chamada para quem ainda não obteve ingressos. É uma espécie de segunda chance.
Não acredito que este seja o melhor sistema. Claro que deve existir outro mais eficiente. Mas ele cerca o cambista que quer a todo custo ter acesso ao bilhete.
A razão é simples, não é que exista uma máfia, ou bandidos por trás da organização do carnaval... É que a festa estimula curiosidade e a procura é maior do que a oferta.
Não é uma questão de polícia, é de economia.
fabiano
28/01/2010 22:40:41
SÓ SEI QUE EU CONSEGUIR O INGRESSO SE QUISER COMPRAR EU VENDO TEL 21 78610532
freitas
09/01/2010 10:53:41
Amigo Edilson um bom dia, é um grande prazer debater com pessoas como vc e muitos outros que aqui escrevem, ideias e criticas coerentes e sensatas, mais como não estamos em um tribunal eu não tenho o conhecimento juridico como voce, pois minha formação academica é outra e termos ideias diferentes. Apesar de concordar em muito com voce e reinteirar que comprar os ingressos com os cambistas não é correto infelizmente a PAIXÃO fala mais alto, rsrsrsrs, um grande abraço, felicidades e um ótimo 2010.
Edilson FRANCIONI
Membro SRZD desde 09/01/2010
08/01/2010 20:26:00
Caro Freitas, de fato, é freqüente que a paixão (sentimento que tantos nutrem por coisas como futebol, carnaval etc.) leve as pessoas a agir irracionalmente. Contudo, independentemente de nossa satisfação com as paixões e com os seus objetos, o fato lembrado pelo jornalista Sidney Rezende não muda (como, aliás, costuma ocorrer com os fatos): a lei econômica da oferta e da procura leva à criação e à manutenção de mercados. Há, ainda, outro aspecto relevante: nosso colega Schroeder lembrou a importância do controle pelo MP (com o qual concordo) mas, infelizmente, nosso povo é muito inerte e raramente aciona os órgãos oficiais competentes (embora entenda que eles deveriam atuar). Em meu curso de Direito, uma professora perguntou qual aluno (em um meio que conhece os instrumentos jurídicos disponíveis) já havia cogitado (apenas, sem ir adiante em tal plano) ajuizar uma ação popular para controlar o Poder Público e somente eu (considerado "belicoso") o havia feito. Em regra, o inconformismo do brasileiro não vai muito além de uma mesa de bar - daí nossas mazelas.
Sidney Schroeder
08/01/2010 18:22:17
Realmente, tudo no mundo de hoje é questão de economia. Num país como o nosso onde toda hora surgem casos de corrupção, acho saudável desconfiar do esquema de vendas de ingresso da Liesa. Mas concordo com você: a venda por telefone dificulta o surgimento de corrupção e de uma "máfia" interna como foi dito nos comentários, visto possibilitar um maior controle pelo Ministério Público. Mas não me parece inibir a atuação dos cambistas e agências que precisam apenas de um grande número de CPFs e linhas telefônicas para conseguirem um maior número de ingressos.
Dudu
Membro SRZD desde 07/01/2010
08/01/2010 17:16:48
Maurício Rayel se o carnaval já está neste nível de comercialização, tudo se transforma em lucro e vendável, imagina a administração dos convites na mãos das escola de samba, lembrando que a liesa a grosso modo representa uma corporação das 12 agremiações e elas tem cotas de ingressos para todos os setores, com certeza isto seria mais prejudicial ao carnaval, que cada vez mais está distante do povão, sem falar na subvenção de dinheiros públicos, vindo do meu e do seu dinheiro, portanto quando se clama pela polícia e autoridades porque é de competência e alçada deles dá fim a este lesionamento a população, portanto acho difícil a venda na roleta, mas tenho certeza que muitos que gostam de carnaval estarão no dia, assim que a bilheteria abrir, ao mesmo tempo a ampliação do sambódromo com construção de arquibancadas na antiga fábrica da Brahma poderia ser a solução!!!! Do mais é aguardar o dia 15 ou senão comprar na mão de cambista como os que já estão aqui no blog!!!! Parabéns Sidney pela garantia de liberdade de expressão!!!!!
Mauricio Rayel
08/01/2010 12:23:05
Prezado Sidney , Sou de Santos/SP e nunca assisti a um desfile ao vivo no sambódromo. Só para deixar claro que não manjo nada do assunto. No entanto me ocorre aqui o seguinte: quem faz o espetáculo são as agremiações certo ? Em caso afirmativo não seria interessante que o total dos ingressos sejam dividido em partes iguais por todas as escolas e que as agremiações fiquem responsaveis pela venda dos ingressos ? Ou seja os ingressos seriam vendidos nas quadras das escolas. Assim toda a comunidade desta ou daquela escola teria a chance de comprar os ingressos, sem precisar pegar onibus, metro, perder algumas horas do trabalho. Garante direitos iguais a todos os simpatizantes desta ou daquela agremiação. Tira um pouco o poder público da jogada e seus invitáveis cambistas e aproveitadores de todas as horas. Afinal , no futebol o responsavel pela venda dos ingressos é o realizador do espetáculo, ou seja , o clube mandante. Por que não copiar isso também no carnaval ? Sei lá , é só uma sugestão Forte abraço Maurício Rayel Santos/SP
freitas
08/01/2010 10:53:19
Amigo Edilson bom dia, eu concordo em parte com voce, mas vejo que voce não é do ramo, o torcedor e o sambista são apaixonados e por paixão se faz muito mais coisas, o que nós queremos é que haja igualdade de condições para todos, e não só alquns levem vantagens, portando continuo a dizer que tem que haver uma nova formula para vendas dos famigerados ingressos, coisa que só com um pouco mais de vontade de quem comanda e cobrança da midia será possivel.
Edilson FRANCIONI
Membro SRZD desde 09/01/2010
08/01/2010 10:34:23
Retomando meu comentário, que ultrapassou o limite admitido pelo sistema: tenho uma amiga que, retornando da Europa, me disse que lá há cambistas para a ópera e que, se ela chegasse em cima da hora para o espetáculo, conseguiria ingressos a preço menor que o oficial e até mesmo os receberia de graça - pois, pelo horário avançado, haviam perdido seu valor comercial. A exploração depende da aquiescência dos explorados: como disse o jornalista, é uma questão econômica, não de polícia, pois ninguém é obrigado a comprar ingressos com sobrepreço. Cabe, também, refletir sobre a exploração comercial deficiente do nosso carnaval. Se esses ingressos e a transmissão televisiva não atendem à curiosidade geral, talvez haja espaço para uma exibição dos desfiles por intermédio de uma grande quantidade de câmeras (selecionáveis pelo público pela internet, a quem pagar), para o aproveitamento da concentração (a exemplo do que já vem fazendo a Rede TV), para a transmissão dos desfiles de escolas de samba dos vários grupos de acesso (como vem fazendo, com o grupo A, a CNT), de algum uso comercial para outros eventos (como desfiles de blocos, afoxés, frevos etc. - quase desconhecidos). Em anos passados, eu, carioca, tive dificuldades para obter informações adequadas até mesmo na RioTur; que facilidade teria um turista estrangeiro para obtê-las? Cabe desconcentrar o pensamento. Os desfiles de escolas de samba do Grupo Especial são lindos mas, diferentemente do que alguns podem pretender, não são tudo o que existe no nosso carnaval.
Edilson FRANCIONI
Membro SRZD desde 09/01/2010
08/01/2010 08:57:46
Tive, sim, a pachorra de ler o "post" anterior - embora não a de ler mais do que uns poucos comentários - e concordo com o jornalista Sidney Rezende. A questão é mesmo econômica. Que existam pessoas organizadas para a venda de tais ingressos, máfias (se assim se quiser chamá-las), isso é outra história, mas há uma questão de caráter econômico-social que é, na verdade, o que dá margem à ocorrência de tais fatos. Pessoalmente, não entendo como crime a revenda de ingressos (que não podem ser considerados bens de primeira necessidade), embora seja evidente a danosidade de quem monopoliza esse tipo de bem de consumo por meio de práticas ilícitas como a obtenção de grande quantidade de ingressos por "acertos" com gente ligada à organização de um evento - qualquer que ele seja. Parece-me que se um cambista entrasse na fila 200 vezes para adquirir seus 200 ingressos e os revendesse por qualquer (por mais elevado que fosse) não haveria qualquer ilicitude - embora essa técnica, de ineficiência evidente, dificilmente seja utilizável. O sistema de venda de ingressos, se realmente funcionar como descrito no "post" (confesso desconhecer totalmente o tema), oferece boa imunidade à ação ilícita de cambistas. Considere-se, porém, a questão social envolvida - que se assemelha à da corrupção: só há corruptos porque há corruptores. Não consigo compreender bem os motivos que fazem com que alguém pague verdadeiras fortunas para assistir a um jogo de futebol ou a um desfile de escolas de samba. Se ninguém se dispusesse a comprar ingressos a preços vis, não haveria quem investisse tempo e dinheiro nesse tipo de negócio. Se os freqüentadores de alguns tipos de espetáculos os abandonassem por se recusar a comprar ingressos de cambistas, decerto seus organizadores tomariam as providências necessárias a coibir atividades abusivas. Tenho uma amiga que, retornando da Europa (que não conheço pessoalmente), me disse que lá há camb
Sérgio
Membro SRZD desde 14/12/2011
08/01/2010 08:40:44
caro Sidney. Me explica entao como muitos ingressos sao oferecidos por empresas - ingressos de todos os setores sao oferecidos nos sites por empresas de turismo - e como tanto cambista vendem ingressos no dia do desfile. Eu tento todo ano - neste nao tentei - e nao consigo. Com certeza existe sistema de fraude que eu nao descubro qual é.
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