CD: 'Raditude' (Weezer) - Em time que está ganhando...
Luiz Felipe Carneiro | Resenhas | 19/12/2009 11:24
O Weezer não é daquelas bandas mais conhecidas no Brasil. Mas nos Estados Unidos, o conjunto é um dos mais queridos, e o seu líder, Rivers Cuomo é, de fato, aquele tipo de pessoa que faz diferença em uma banda. Não à toa, é de sua pena 10 das 11 faixas de "Raditude", novo álbum do Weezer, uma banda que, verdade seja dita, sempre transitou nos extremos, ora com discos magníficos (como "Pinkerton", de 1996) e bobagens como "Make Believe", lançado em 2005. Entre os dois álbuns, o Weezer lançou uma trilogia de cores (álbuns verde, azul e vermelho) com vários bons momentos. "Raditude" também fica nesse mesmo meio termo. Ou seja, os fãs do Weezer podem comemorar. Já os que não curtem, certamente, não terão motivo especial para perder 38 minutos ouvindo "Raditude".
A verdade é que o Weezer, nesse seu novo álbum, soa um pouco acomodado. Explicando melhor: as melodias continuam boas, mas, às vezes, padronizadas demais (naquele velho estilo californiano da década de 90); e as letras, embora seja possível ouvir algumas boas sacadas de Cuomo, em determinados momentos, parecem banais demais. Talvez, por isso, a melhor definição de "Raditude" seja "juvenil".
A primeira faixa do álbum, "(If You're Wondering If I Want You To) I Want You To", já é uma boa amostra do que pode ser encontrado nas suas 11 faixas: um rock rápido, com refrão grudento que nem chiclete e uma letra irônica que fala de relações adolescentes. Saca só: "The rest of the summer was the best we've ever had / We watched Titanic and it didn't make us sad / I took you to (flash back?) / You took me home to meet your mom and dad". A faixa-seguinte, "I'm Your Daddy", possui absolutamente todos os ingredientes da música de abertura de "Raditude".
E é essa mesma receita que o Weezer segue nesse seu sétimo álbum, o que é bom por um lado, mas cansativo por outro. Por exemplo, "The Girl Got Hot" (talvez a melhor faixa do disco) é uma espécie de "continuação" do sucesso "Buddy Holly", tal a semelhança entre as suas sonoridades. "Let It All Hang Out" e a bônus "Turn Me Round" são outras duas faixas que só poderiam ter sido compostas e gravadas pelo Weezer. Algo diferente acontece em "Can't Stop the Partying", que tem a participação especial de Lil Wayne, e que conta com a produção de Polow da Don, além de flertar com o rap.
E o mais curioso é que, apesar de contar com a colaboração de produtores distintos como Butch Walker, Jacknife Lee e Dr. Luke, "Raditude" soa homogêneo até demais. Se Polow da Don é o responsável pela faixa mais ambiciosa do álbum, as outras não fogem muito do lugar comum. Embora Jacknife Lee ainda injete um pouco de rock mais vigoroso, as faixas "Trippin' Down The Freeway", "Love Is The Answer" e "In The Mall" mantêm a sonoridade característica da banda. A última dessas três ainda pode ser considerada uma exceção: é a mais pesada do álbum e (talvez por isso) é a única faixa de "Raditude" não assinada por Rivers Cuomo.
"Love Is The Answer", por sua vez, é uma das faixas mais estranhas gravadas pelo Weezer. A canção tem a participação especial da vocalista indiana Amrita Sen, e tivesse sido lançada antes, ela poderia ter sido incluída na trilha sonora da novela "Caminho das Índias"... "I Don't Want To Let You Go", um pouco eletrônica e minimalista demais para o padrão Weezer, também é outra que destoa (para o bem e para o mal) em "Raditude".
Em suma, "Raditude" pode não ser tão bacana quanto a foto de sua capa. Mas será muito bacana para os fãs do Weezer.
Cotação: ***
Abaixo, a música "Let It All Hang Out":
***** Ótimo
**** Muito Bom
*** Bom
** Regular
* Ruim































































































































































































































































