CD: 'Reality Killed The Video Star' (Robbie Williams) - Ainda deliciosamente pop
Luiz Felipe Carneiro | Resenhas | 12/12/2009 11:42
Os últimos anos não têm sido muito fáceis para Robbie Williams. O cantor ficou deprimido, teve que se tratar em centros de reabilitação para dependentes químicos, passou noites tomando pílulas, e sem conseguir dormir, e ainda viu a sua ex-banda, o Take That, voltar a alcançar o topo das paradas com um novo álbum que não teve a sua participação. Poderia até se cogitar que Robbie Williams seria uma espécie de George Michael dos anos 00.
Mas se depender de "Reality Killed The Video Star", Robbie Williams ainda tem muito cartucho para atirar. E seus fãs agradecem. A capa do novo álbum (em estilo "Easy Rider") e a introdução da sua faixa de abertura (com uma melancólica gaita e um arranjo de cordas) podem denunciar que realmente há algo diferente no ar. Mas é só "Morning Sun" começar de verdade, que uma nova conclusão já pode ser tirada. Aliás, de nova, a conclusão não tem nada: Robbie Williams continua artesão de primeira linha do pop.
Contando com a produção de Trevor Horn (que já trabalhou com artistas como Seal, Yes e John Legend), Robbie Williams se, por um lado não surpreende, por outro, não desaponta os seus fãs. Em "Reality Killed The Video Star", os fãs poderão ouvir canções pop grudentas (mas, que fique claro, com qualidade) em arranjos construídos cirurgicamente para recolocar o nome do cantor britânico de volta no trono. Um exemplo? Ouça "You Know Me", uma canção com um arranjo grandioso, cheio de teclados, e com vocais de apoio no estilo anos 50/60, e que certamente será cantada em coro pelo público - se houver turnê - ao lado de sucessos como "Angels" e "Millennium".
Outras que seguem o mesmo estilo "fofo" - ou seja, para se cantar com os bracinhos levantados - são "Blasphemy" (que ficou especialmente bonita com a adesão de um oboé ao arranjo), "Deceptacon" (com direito a vibrafone e a um piano Rhodes que deu um molho especial à canção) e "Superblind" (com um arranjo um pouco grandioso demais, mais que caiu bem na letra). Belas sacadas de Trevor Horn.
Mas não é só de baladas que vive "Reality Killed The Video Star". Se, nos eventuais shows, "Angels" terá a companhia de todas as canções citadas acima, "Feel" e "Let Me Entertain You" poderão ser apresentadas ao lado das novas canções mais dançantes de Williams. E esses são os casos de "Bodies" (a mais eletrônica do disco), "Do You Mind" (a mais pop do disco, mas com uma sonoridade um pouco tola), "Last Days Of Disco", "Difficult For Weirdos", "Startruck" (todas as três dançantes, mas sombrias, no estilo do álbum "Fundamental", dos Pet Shop Boys, e que, aliás, também foi produzido por Trevor Horn; a terceira tem toda a cara de hit) e "Won't Do That", deliciosamente pop, e uma das melhores gravações de Robbie Williams.
"Reality Killed The Video Star", pode apostar, é um álbum a altura de Robbie Williams. Não pense que se trata de um trabalho menor, naquele estilo "oh, coitado, ele estava deprimido". Pelo contrário. Não foi dessa vez que a realidade matou Robbie Williams. E os fãs, mais uma vez, agradecem.
Cotação: ***1/2
Em seguida, um "preview" do novo disco de Robbie Williams:
***** Ótimo
**** Muito Bom
*** Bom
** Regular
* Ruim




























































































































































































































































