CD: 'Love Is The Answer' (Barbra Streisand) - Quando a simplicidade deveria imperar
Luiz Felipe Carneiro | Resenhas | 10/12/2009 11:12
Barbra Streisand é aquele tipo de artista que pode ser chamada de unanimidade. Pelo menos lá nos Estados Unidos. Seus shows são verdadeiros acontecimentos e um ingresso para um apresentação da cantora em uma noite de Ano Novo chega a custar alguns milhares de dólares. Talvez por conta disso, Barbra Streisand se dê ao direito de ser tão previsível. E "Love Is The Answer", com o perdão do trocadilho infame, é a resposta para tudo isso.
O último álbum solo de estúdio de Barbra ("The Movie Album") foi lançado em 2003. E se os fãs esperavam algo diferente, após seis anos, podem se decepcionar (ou não, dependendo do ponto de vista do público conservador da cantora).
"Love Is The Answer" tinha tudo para ser um álbum diferente na volumosa discografia de Barbra Streisand. Para começar, contou com a produção de Diana Krall, o que poderia sugerir uma certa modernização na sonoridade (já cansativa) de Barbra Streisand. Mas não. Ao que tudo indica, Diana Krall figurou como acompanhante de luxo no estúdio, sempre pronta a concordar com as decisões de Barbra Streisand - e qual produtor discordaria?
O repertório do álbum, entretanto, é dos mais interessantes já gravados pela cantora norte-americana, ao misturar "standards" como "Smoke Gets In Your Eyes" (um pouco previsível, mas que ganhou um arranjo "cool" e eficiente, escorado pelo piano de Tamir Hendelman e pelo baixo de Robert Hurst) e "Some Other Time" (também elegante com arranjo de voz, piano e orquestra) a canções menos conhecidas, como "Love Dance" (composição de Ivan Lins e Gilson Peranzzetta, já gravada por Nancy Wilson, e que, com Barbra, ganhou o acompanhamento luxuoso de Diana Krall ao piano e de Paulinho da Costa, na percussão) e "Gentle Rain", de Luiz Bonfá - Barbra gosta tanto dos brasileiros, que poderia dar um show no país... -, na qual a cantora é acompanhada pelo mesmo time de músicos de "Love Dance". Diana Krall ainda arrisca alguns acordes de "Insensatez" no decorrer da música. Ficou bonito.
O problema de "Love Is The Answer" é que tudo é muito pomposo demais. (Dá até para imaginar os rios de dinheiro que foram gastos na produção do álbum.) As cordas que permeiam todas as faixas do álbum chegam a soar cansativas em determinados momentos. Para quê tanta pompa?
E fica ainda mais difícil chegar a uma resposta quando se ouve o segundo CD, com diferentes versões das mesmas músicas, mas sem as tais cordas - essa edição foi lançada apenas lá fora. Nesse segundo CD, tudo soa mais coeso, simples e... bonito. A impressão que fica é que, já que Diana Krall não conseguiu produzir o álbum como gostaria (no caso, o disco oficial, ou seja, o de cordas), ela deixou para fazer o trabalho no bônus, que, infelizmente, poucos terão a oportunidade de escutar. O melhor exemplo dessa diferença é "If You Go Away", versão em inglês para o clássico "Ne Me Quitte Pas", de Jacques Brel. Se a versão com cordas chega a ficar cafona, a outra (com o piano de Krall, o baixo de John Clayton, a guitarra de Anthony Wilson e a bateria de Jeff Hamilton) é infinitamente superior. É possível até, acredite, ouvir uma certa emoção na voz de Barbra Streisand...
Enfim, "Love Is The Answer", que é previsível até no título e na foto da capa, vai agradar aos fãs de Barbra Streisand que esperam mais do mesmo. Afinal de contas, ela não precisa provar mais nada para ninguém. Mas um pouquinho de coragem não faz mal a ninguém. O CD bônus é a maior prova. Tomara que muita gente tenha a oportunidade de escutá-lo.
Cotação: **1/2
Abaixo, uma entrevista com Barbra Streisand, na qual ela fala um pouco sobre o seu novo trabalho:
***** Ótimo
**** Muito Bom
*** Bom
** Regular
* Ruim




























































































































































































































































