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marina w. | marina w. | 04/12/2009 22h47

 

 

 

 

 

Nem todos têm compaixão pelos animais e eu invejo. Invejo a pessoa que quando vê um cachorro atropelado diz "tadinho", só por dizer. As que não se comovem, nem choram. Não é meu caso.


Hoje eu quero falar de uma coisa muito séria. Vou mandar emails, colocar no twitter etc.


O CCZ de Embu, em Paulo, assim como todas as outras "carrocinhas", abriga cachorros abandonados e perdidos. Quer dizer, um vira-lata está muito bem curtindo a vida, um pedaço de carne de uma churrascaria, um afago na cabeça de um morador do bairro, rabinho abanando, ele se vira.


Mas o CCZ resgata e coloca ele, assim como os outros cachorros, dentro de jaulas onde eles mal cabem. Imundas. Comem uma ração - se é que pode ser chamada assim - da pior qualidade possível.


(Cortei um pedaço do texto para não comprometer o site, e nem levar um processo -  coisa que eu, particularmente, teria orgulho).


Bom, o diretor do CCZ de Embu não gosta de cães, e é veterinário. Não vou declarar mais nada, mas para bom entendedor fui clara.


Raramente estimulo doação de dinheiro. Leuda de Moura, minha madrinha no mundo da proteção animal, me ensinou que não se pede dinheiro, se pede rações, remédios etc. Ela é grilada com essa história de depósito em conta bancária.


Algumas vezes coloquei número de contas correntes aqui, e quando faço isso é porque dou minha cara a tapa. Só faço isso quando sei que a protetora é muito séria mesmo.

É o caso da Maria Clara, que todos os dias marca presença no CCZ.

O local é um horror. Diariamente uma protetora vai lá, pra misturar ração boa com a que eles comem, para dar carinho, levá-los para passear.

Mas é pouco. "Às vezes só posso ficar dez minutos com eles, e as outras 23 horas e cinquenta minutos?" desabafa Maria Clara, que tem 93 cachorros. Ela e Leuda se revezam. Quando um cachorro consegue um lar é felicidade pura.


Mas quem quer um Pit Bull cego? Quem quer um cachorro que foi maltratado desde bebê e agora está trancado numa jaula micro, onde nem tem espaço para fazer suas necessidades?

Quem vai querer trocar um animal tão maltratado pela vida, por outro de raça? Ter um cão de raça (nada compra, amo TODOS os cachorros) é muito mais fácil. Salvar uma vida, mostrar a um cachorro quem todas as pessoas são cruéis, é sublime.


No CCZ existem muitos cachorros de porte grande. Porque seus donos se mudaram para um apartamento menor. É tudo tremendamente triste.


O lugar já serviu para abrigar cavalos, portanto tem baias enormes, que não são usadas. Bate sol, mas os cachorrinhos não estão lá para aproveitar. Sendo que os filhotes precisam de cálcio.


Você pode se imaginar numa solitária, daquelas que a pessoa não pode sequer deitar, sendo inocente? É assim. Além disso, pensa, dentro de pouco  tempo você seria morto. É assim no CCZ. Não estou falando só de Embu.

Maria Clara e Leuda querem reformar aquilo tudo. Fazer das baias as novas casas dos pobres animais. Precisam de material. Leuda, que não gosta de pedir dinheiro, pede que, por caridade, as pessoas doem materiais: cimento, cercas , enfim. E ainda precisam arranjar um pedreiro. É um trabalho árduo de duas pessoas que confio imensamente.

Pensa: Poderia ser o teu cachorro, que agora está feliz dormindo e alimentado, se ele tivesse se perdido.

Pra mim não é prático mandar cimento pra São Paulo. Nem sei como faria isso. Nem arames. Eu prefiro depositar dinheiro, porque elas são da minha inteira confiança. Já paguei operação e ração boa. Não porque eu sou boazinha, mas porque sofro sabendo tudo que eles passam. Vou depositar o que puder. Nada me interessa mais do que isso. Uma bolsa cara? Dispenso. Um jantar no melhor restaurante da cidade? Obrigada mas não quero. Aquele vestido lindo? Nunca.

Quero salvar vidas ou, pelo menos, torná-las menos pior. Confiem em mim. Quem puder doar qualquer quantia, dez reais, quinze, vinte, doe. Todo mundo pode.

Mesmo com a Leuda sendo contra, vou colocar aqui os dados bancários:

ITAÚ

agência 0568

c/c 35642-2

Maria pupo


Amanhã ao banco, pra sentir meu coração menos intranqüilo, mais leve.

Você pode achar este texto brega, fiz o possivel para não ser. Paciência.

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