CD e DVD: 'O Baile do Simonal' (Vários) - Um tributo justo para Simonal
Luiz Felipe Carneiro | Resenhas | 01/12/2009 11:51
Veja o filme, leia o livro e ouça o disco. Provavelmente nem a Mãe Dinah poderia prever que, nove anos após a morte de Wilson Simonal, o nome do cantor estaria tanto na moda. Graças ao documentário "Ninguém Sabe o Duro Que Dei"
, lançado no primeiro semestre nos cinemas (e já em DVD), Wilson Simonal vem experimentando um sucesso imenso, que havia ficado perdido em algum lugar 40 anos atrás. Agora, no mesmo mês em que foi lançado o ótimo livro "A Vida e o Veneno de Wilson Simonal", de autoria do jornalista Ricardo Alexandre, é a vez do pacote CD/DVD "O Baile do Simonal", com o registro do tributo ao cantor, gravado no Rio de Janeiro, em agosto passado.
Como sempre acontece em projetos desse tipo, há altos e baixos. A vantagem desse "Baile do Simonal" é que o elenco foi escolhido muito bem. Vários artistas em muito têm a ver com o estilo de Wilson Simonal, como Seu Jorge (muito bem em "País Tropical"), Marcelo D2 (que se apropria com classe de "Nem Vem Que Não Tem"), Os Paralamas do Sucesso (que dão peso extra a "Mustang Cor de Sangue"), Sandra de Sá (que, apesar de alguns excessos, monta um clima de gafieira interessante em "Balanço Zona Sul"), Ed Motta (com uma versão balançante para a ótima "Lobo Bobo"), Fernanda Abreu (bem em "A Tonga da Mironga do Kabuletê"), Orquestra Imperial (que faz a festa em "Terezinha"), Mart'nália (divertidíssima em "Mamãe Passou Açúcar Em Mim"), além de, é claro, os seus filhos - e também produtores e diretores musicais do projeto - Max de Castro e Wilson Simoninha. O primeiro imita a pilantragem do pai (e isso não é uma crítica) em "Meu Limão, Meu Limoeiro" (comandando a plateia e ainda mandando o clássico "olha o champignon") e em "Menininha do Portão" (só no DVD). Já Simoninha manda bem em "Aqui É o País do Futebol" e em "Tributo a Martin Luther King" (esta última também só no DVD).
Outros artistas escalados soam deslocados, como Péricles e Thiaguinho ("Na Galha do Cajueiro"), Alexandre Pires (uma pena que "Sá Marina" tenha sido interpretada por ele) e Diogo Nogueira (que, apesar da boa voz, não segura "Está Chegando a Hora"). E também tem a turma dos que não comprometem, como Rogério Flausino ("Meia-Volta") e Maria Rita "(Que Maravilha"). Mas o mais bacana do projeto é o pessoal que realmente surpreende. Frejat, por exemplo, manda muito bem em sua interpretação para "Vesti Azul", assim como Samuel Rosa, responsável por "Carango", o grande momento da apresentação. Já Caetano Veloso escolheu a sua "Remelexo" (gravada por Simonal) e também foi outro destaque.
Quem esteve presente na gravação do CD e do DVD pode ficar um pouco desconfiado do resultado. Uma das gravações mais chatas dos últimos tempos - teve artista que chegou a repetir cinco vezes a mesma música - o "Baile do Simonal" até que surpreende, com uma edição coesa e que valorizou todos os números do espetáculo, com a adição de "Zazueira", gravada em estúdio por Lulu Santos em uma versão eletrônica demais.
Tudo bem, muita gente boa ficou de fora. Muitos artistas - até mesmo da "velha guarda" - poderiam ter participado da homenagem. (Será que eles ainda têm medo de Wilson Simonal?) Mas é inegável que esse "Baile do Simonal" é um dos tributos mais coesos e interessantes lançados nos últimos anos.
Cotação: ***1/2
***** Ótimo
**** Muito Bom
*** Bom
** Regular
* Ruim




























































































































































































































































