Palácio da Cidade passa noite às escuras em prol da inclusão social

Laura Machado | Rio+ | 29/11/2009 09h05

Alguns cariocas tiveram a oportunidade de viver no mundo de José Saramago, autor do consagrado "Ensaio sobre a cegueira", no Palácio da Cidade, sede da Prefeitura, em Botafogo, Zona Sul do Rio de Janeiro, onde aconteceu um jantar às cegas, promovido pela primeira-dama da capital fluminense, Cristine Paes, que preside o Rioinclui. Após terem seus olhos vendados, os 140 convidados eram guiados por deficientes visuais.

"A experiência foi bem legal. Falei com a minha mulher que as pessoas iam ficar com ódio dela, mas todo mundo adorou", contou o prefeito Eduardo Paes. "A gente nunca imagina a situação que passam as pessoas que têm esse tipo de deficiência e foi uma experiência difícil, dura, comer sem enxergar, conseguir chegar até a mesa sem ver. Foi difícil, mas muito interessante", complementou o gestor da cidade. Ele ressaltou ainda que a Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência tem feito um trabalho sério e forte, e que será cada vez mais incrementado.

O objetivo do jantar era mostrar as dificuldades enfrentadas por quem não tem um dos sentidos, bem como contribuir para inclusão das pessoas com deficiência. A noite começou com uma exposição sensorial, em que os visitantes, sem ver, apalpavam esculturas em bronze e vários tipos de materiais, trabalhando o tato. Com os olhos vendados, na hora da refeição, foi a vez de aguçar outros sentidos, como o paladar e olfato. Deficientes visuais ensinavam como manusear copos e talheres no jantar preparado pelos chefes Olivier Cozan e Badaró, do Restaurante XX. O saxofonista Glauco Cerejo, cego, animou a festa.

O músico que não teve a oportunidade de conversar com o prefeito, pois estava trabalhando, contou ao SRZD que gostaria de ter dado um recado para o administrador da capital fluminense.

"Pediria ao prefeito que concentre todos os esforços possíveis na direção  da melhoria  da qualidade de vida das pessoas com deficiência de nossa cidade, principalmente, em relação aos menos favorecidos, moradores das  regiões mais pobres", revelou Cerejo.

Ele ressaltou que a maior dificuldade que enfrenta na sua rotina são problemas com a acessibilidade. Além dos calçamentos irregulares, o deficiente visual encontra muitas armadilhas ao percorrer as ruas cariocas.

"São calçadas com pisos totalmente irregulares, ferros e pilares pra  impedir
que carros estacionem, postes e orelhões pelo meio do caminho. Já abri a testa algumas vezes, nesses orelhões assassinos, pois a bengala não tem como acusar o perigo da cúpula que fica em cima", destacou. "Sou morador da Zona  Sul. Quando ando pela Zona Norte, percebo que a questão da urbanização desordenada e da falta de acessibilidade é ainda mais grave", complementou Cerejo.

O jantar as cegas encerrou o projeto Braille 200, uma homenagem aos 200 anos de nascimento de Louis Braille, criador do método de leitura tátil para cegos. O projeto fez parte das comemorações do Ano da França no Brasil e teve a participação das secretarias municipais da Pessoa com Deficiência, Cultura e Educação e da Universidade Livre para Eficiência Humana (Unilehu).

A primeira-dama confessou que valeu a pena a experiência e lembrou que "é preciso lutar pela dignidade e respeito das pessoas com deficiência", finalizou.

Comentários (4)

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Admilson Rodrigues Gomes

Membro SRZD desde 07/04/2009

30/11/2009 17:26:39

Concordo com você Margarida, isso é a coisa mais ridicula que ja vi. Eles não sabem como é ser um deficiente visual!A primeira-dama confessou que valeu a pena a experiência e lembrou que "é preciso lutar pela dignidade e respeito das pessoas com deficiência", finalizou." - É MESMO!!! FIQUEI EMOCIONADO COM SUAS BELAS PALAVRAS.

Admilson Rodrigues Gomes

Membro SRZD desde 07/04/2009

30/11/2009 17:23:49

adoraria ve-los cegos! Ridiculos!

margarida

29/11/2009 17:32:27

Que bonitinho, todos brincando de ceguinho num jantar chique! Vou sugerir que brinquem de ceguinho nas ruas, nas mesmas condições que os deficientes enfrentam: tentando andar nas ruas esburacadas, atravessar as ruas com motoristas estúpidos, entrar nos prédios e nos coletivos sem a ajuda de ninguém, entre outras situações difíceis.

Edmo Luiz de Souza Falcão

29/11/2009 10:21:55

""O autoconhecimento de cada indivíduo, a volta do ser humano às suas origens, ao seu próprio ser e à sua verdade individual e social, eis o começo da cura da cegueira que domina o mundo de hoje. (Carl G. Jung, Psicologia do Inconsciente, pág. IX). "" =======RESUMINDO ::==== A HIPERTROFIA POLITICA É SOBERBAMENTE RIDÍCULA . AO APAGAR DAS LUZES , PROPOSITALMENTE , COMO SE FOSSE A VISÃO LESADA , DESENCANDEA-SE NUMA SÉRIE DE DEBOCHE . FAZER O BEM EM PROL DOS DEFICIENTES FISICOS , TEM QUE SER NO DIA A DIA DOS SEUS AFAZERES . OUTROSSIM , REALIZAR PAJÉLANÇA BENEFICIENTE EM PROL DE AUTOPROMOÇÃO , ALÉM DE RIDÍCULO É REPUGNANTEMENTE ATRIBUTO CAPITALISTA BURGUES COM INTUITO DE DEBOCHE .