A locomotiva de rock do AC/DC
Luiz Felipe Carneiro | Opinião | 28/11/2009 12:56
Riffs antológicos da guitarra de Angus Young, a voz esganiçada de Brian Johnson, a cozinha poderosa de Phil Rudd, Malcolm Young e Cliff Williams, strip tease de Angus - que tirou o seu uniforme de colegial e não mostrou a bunda, mas sim uma cueca com o logotipo da banda - durante "The Jack", os solos em "Let There Be Rock", a Rosie inflável imensa durante "Whole Lotta Rosie", as badalas do gigantesco sino em "Hells Bells", as 21 salvas de canhão em "For Those About To Rock (We Salute You)"... Os fãs já estão carecas de saber que tudo isso acontece em qualquer apresentação do AC/DC. E, por isso mesmo, os shows da banda australiana são históricos.
E, ontem, não foi diferente - talvez só a gravata verde e amarela de Angus Young. Antes mesmo de o AC/DC pisar no palco do Morumbi, a plateia (que lotou o estádio) já dava o seu show. Com as luzes apagadas durante a curta apresentação do cantor Nasi (ex-Ira!) com participação especial do guitarrista Andreas Kisser (Sepultura), milhares de chifrinhos vermelhos piscavam pelo estádio. E o AC/DC não decepcionou.
A verdade é que show da banda australiana é mais ou menos parecido com o dos Rolling Stones, ou seja, não tem erro. Se você for fã, certamente assistiu a um dos melhores shows da sua vida. Caso contrário, só há a se lamentar. Até mesmo a tempestade que caiu duas horas antes de o AC/DC pisar no palco parou. Com o perdão do clichê, quando, com apenas cinco minutos de atraso, os enormes telões de alta definição anunciaram o início do show com uma animação, e a enorme locomotiva explodiu no palco, o jogo do AC/DC já estava ganho.
Dos primeiros acordes de "Rock n' Roll Train" até o encerramento com "For Those About To Rock (We Salute You)", o show do AC/DC teve tudo o que tem direito. Tudo aquilo que os fãs brasileiros conhecem muito bem, mas só tiveram a oportunidade de ver no primeiro Rock in Rio (em 1985) e na turnê de 1996. Se a banda não tem visitado muito o país ultimamente, os fãs não tiveram do que reclamar. O set list da "Black Ice Tour" é um dos melhores da história da banda, passando por clássicos da era Bon Scott até chegar a canções mais recentes, que, apesar da pouca idade, já podem ser chamados de clássicos. E tome "Back In Black", "Thunderstruck", "Dirty Deeds Done Dirt Cheap", "Hells Bells", "You Shook Me All Night Long", "TNT", "Highway To Hell"...
E precisa dizer mais alguma coisa? Depois de mais de 30 anos de carreira, o AC/DC lançou um de seus melhores álbuns, "Black Ice", e mostrou, em cima do palco, que ainda continua relevante. Que a próxima visita não demore tanto. Nós o saudamos.
O repertório do show do AC/DC em São Paulo, no dia 27 de novembro foi o seguinte:
1) Rock n' Roll Train
2) Hell Ain't a Bad Place To Be
3) Back in Black
4) Big Jack
5) Dirty Deeds Done Dirt Cheap
6) Shot Down In Flames
7) Thunderstruck
8) Black Ice
9) The Jack
10) Hells Bells
11) Shoot To Thrill
12) War Machine
13) Dog Eat Dog
14) You Shook Me All Night Long
15) TNT
16) Whole Lotta Rosie
17) Let There Be Rock
18) Highway To Hell
19) For Those About To Rock (We Salute You)
Cotação: *****
***** Ótimo
**** Muito Bom
*** Bom
** Regular
* Ruim




























