Desde que Madonna chegou ao Rio não se fala em outra coisa no Brasil. Numa nova jogada de marketing, ela consegue atrair os flashes e põe a multidão na sola dos pés. Madonna é poderosa. Ela arruma a 'cama' e coloca todo mundo para deitar com ela. Uma verdadeira suruba midiática, milionária, que deixa para trás marqueteiros do primeiro time.
Montada em um alazão pós-adolescente, lá vai a loura chorando por migalhas junto aos ricaços brasileiros em busca de um dinheirinho para um projeto social. Todo mundo abre o cofre. Eike Batista faz a material girl chorar ao liberar uma módica quantia que chega aos sete dígitos, como narrou o jornalista Roberto D'Ávila, um dos privilegiados a brindar com champanhe e sashimi a doação. Ninguém ali tomou guaraná Convenção ou Tobi, comeu aquele churrasquinho de alcatra comprada nos supermercados Guanabara ou saboreou um egg-X (eggcheeseburger) prensado, repleto de ervilha, maionese e batata palha.
Luciano Huck vai para o Twitter e diz que uma Madonna é 'gente boa, simples'. Angélica faz coro ao marido e frisa que a popstar é 'brasileiríssima'. O governador Sérgio Cabral abre as portas do Palácio e coloca batedores da Polícia Militar para escoltá-la dentro do Mercedes refrigerado. O helicóptero que foi detonado no Morro dos Macacos por traficantes já faz parte do passado. O negócio agora é decolar amparado pelas turbinas siliconadas da estrela norte-americana.
O Réveillon na Praia de Copacabana promete não ser mais o mesmo depois de 2011, quando Madonna deverá brilhar mais do que a tradicional queima de fogos. As Olimpíadas de 2016 provavelmente não terão como ponto alto apresentações dos artistas da terra nativa. Já anunciaram que vão importar Madonna para apimentar a festa. Só nos resta saber se ela terá fôlego para suas performances ao som de Like a virgin . Estará com quase 60, uma sexagenária praticamente.
Madonna é 'gente boa'. Papo furado. Se o fosse teria retirado da própria conta bancária o dinheiro para sustentar um projeto social no Brasil sem recorrer aos milionários do Terceiro Mundo. Madonna é 'simples'. Mentira. Ninguém sobe morro de salto alto 'grifado' e óculos escuros Chanel (ou seria um Prada? ou Dior?), não manda fechar restaurante para jantar e não interdita portaria de hotel para entrar e sair. É um acinte.
De tudo isso, a mim só ficou a seguinte impressão: o complexo de inferioridade do brasileiro ainda é tão gritante que somos capazes de tirar o manto de Nossa Senhora Aparecida para colocá-lo numa popstar travestida de Maria Madalena. Jesus? Psshiiiiiiii!!!. É melhor deixar o filho de Deus fora dessa história.