Rio luta contra a homofobia mesmo embaixo de chuva em Copacabana

Laura Machado | Rio+ | 01/11/2009 18h48

Nem a chuva que atingiu a capital fluminense, na tarde deste domingo, atrapalhou a luta contra a homofobia na Orla de Copacabana, Zona Sul, onde aconteceu a  14ª Passeata do Orgulho LGBT-Rio. De acordo com os organizadores, mais de um milhão de pessoas participaram do terceiro maior evento oficial da  cidade, depois do Réveillon e do Carnaval, segundo dados da Riotour.

"Esse ano, quem tentou achar uma vaga em hotel no Rio, mesmo com o feriado e com chuva, não conseguiu. A cidade está lotada", observou o prefeito Eduardo Paes depois que entregou as chaves da cidade à coordenação do movimento. Ele anunciou que será criada, nesta semana,  uma coordenadoria, vinculada ao seu gabinete, para tratar dos direitos e promover políticas de desenvolvimento para lésbicas, gays, bissexuais e transgêneres.

"Vamos investir  o máximo possível para que a cidade não tenha nenhuma marca homofóbica  e nenhum preconceito", complementou o prefeito, que não participou da Parada e foi embora junto com a primeira-dama Cristine Paes antes do início do evento. Paes prometeu ainda aumentar os recursos para o evento do próximo ano, quando serão comemorados os 15 anos da passeata no Rio. De acordo com  o superintendente de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos da Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos, Cláudio Nascimento Silva, a administração municipal  se comprometeu a passar R$ 800 mil para a organização na edição de 2010.  A ajuda financeira neste ano foi de R$100 mil.

"Este é um evento que além de contribuir com a civilidade e cidadania também contribuiu com a cidade. Portanto, o apoio do governo é um investimento", ressaltou Cláudio Nascimento, um dos fundadores da Parada. Ele  informou que na edição anterior apenas no dia do evento foram R$ 45 milhões movimentados, segundo dados da Fundação Getúlio Vargas.

Ao lado do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, o governador Sérgio Cabral também ressaltou que nem a chuva atrapalhou a luta contra o preconceito na cidade-sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Cabral criticou os políticos que ainda se mostram contra o movimento.

"Político que ignora os direitos dos homossexuais é político do século XIX. As pessoas têm que entender que se um homem gosta de outro homem,  isto é problema só dele. É opção sexual de cada um. Lamento que haja político atrasado", explicou o governador.

"Não podemos mais tolerar, o Brasil avança com democracia. Não podemos admitir preconceitos. Temos que ter a coragem  de assumir posições e defender direitos", destacou Cabral durante seu discurso, em cima do primeiro carro da Parada.  Ele foi embora com a primeira-dama, Adriana Anselmo, depois do início do evento.

O ministro do Meio Ambiente  acrescentou ainda que o Congresso deve se sensibilizar com o que acontece nas ruas, onde milhares de pessoas participam de eventos contra homofobia, e aprova rapidamente as leis a favor da causa. Minc participou do evento ao lado da atriz Letícia Spiller e da cantora oficial da Parada Leila Maria, que empolgou o público, quando cantou o hit "O bom é beijar", logo após o travesti Jane Di Castro ter cantado o hino nacional  com as autoridades fazendo um coro com mãos dadas em cima do caminhão. O hit do beijo abriu a contagem regressiva para todo público se beijar na mesma hora.

Comentários (1)

Isso evita spams e mensagens automáticas.

Franco Barroz

02/11/2009 07:41:44

O Direito sofre mutações pois advem dos movimentos sociais. Movimento não se confunde com desfiles, passeios e demonstrações de insultos contra a familia. Na carona dessas passeatas vêm os politicos desfilando hipocresia e pretensões, elogiando desordem e ofensas aos que discordam dessas manifestações,da libertinagem e do atentado ao pudor. O resultado desses desfiles não traduz dimensão positiva aos gays e a essas siglas, pois a motivação é o faturamento de poucos espertos que dirigem ou encabeçam as passeatas. Contudo, parece que esses tipos de pessoas aceitam e acham legal sustentar uma espécie de movimento paliativo, haja vista que no dia seguinte tudo volta ao normal e nímguem mais fala em debater a condição e as agressões que essas minorias sofrem no dia a dia.