CD: "All In One" (Bebel Gilberto) - Ainda falta alguma coisa
Luiz Felipe Carneiro | Resenhas | 31/10/2009 11:47
Bom, é melhor começar mandando a real: Bebel Gilberto é boa cantora, uma interessante compositora, bonita, tem boa presença de palco... Mas "All In One", o seu último álbum, está muito abaixo do que podemos esperar de Bebel Gilberto. Envolvida em um desentendimento com a produtora Paula Lavigne, diversas canções que deveriam estar presentes no disco, acabaram de fora, inclusive a versão para"Acabou Chorare", sucesso dos Novo Baianos. Observação: o título da canção é uma expressão criada pela própria Bebel, quando levou um tombo durante a sua infância.
Dessa forma, "All In One" nada mais é que uma espécie de colcha de retalhos, com algumas canções que haviam sido gravadas nas sessões comandadas por Paula Lavigne e por Carlinhos Brown, e outras registradas após o desentendimento. E talvez o maior defeito do álbum seja esse: a falta de homogeneidade. E falta também a inspiração de bons discos como "Tanto Tempo" (2000) e "Bebel Gilberto" (2004). A verdade é que "All In One" é um disco com poucas boas canções, e que soa pretensioso em sua maior parte.
Os melhores momentos do álbum acabam sendo as faixas que já eram conhecidas na voz de outros artistas. "The Real Thing", de Stevie Wonder, ganhou um dos arranjos mais interessantes de "All In One", com direito a trio de metais, e uma sonoridade retro, entre o soul, o funk e a eletrônica dos anos 70. A faixa foi produzida por Mark Ronson, aquele mesmo responsável por "Back To Black", de Amy Winehouse. No outro extremo, "Bim Bom" (composta pelo pai de Bebel, João Gilberto) ficou deliciosa com o piano de Daniel Jobim, em um arranjo que lembra as obras de Tom ao lado de sua saudosa Banda Nova. E "Chica Chica Boom Chic", com as programações eletrônicas de Carlinhos Brown e uma interessante mistura de axé, jazz e Ary Barroso, é a faixa mais rica de "All In One".
Agora, com relação às músicas compostas pela própria Bebel Gilberto, as coisas não andam tão bem. Para começar, a versão em português para "Sun Is Shining", de Bob Marley. O clima "lounge" (com programações de John Kind, do Dust Brothers, responsável pela produção de "Odelay", de Beck
) da canção não funcionou muito bem nesse caso. "Canção de Amor", a faixa de abertura do álbum, também deixa a desejar. O arranjo cheio de climas poderia ter funcionado melhor se fosse mais econômico. O mesmo acontece com "Ela (On My Way)" (com Carlinhos Brown), a faixa mais "sonífera" de "All In One", assim como "Forever".
Já a faixa-título (parceria de Bebel com o ótimo violonista e guitarrista Cézar Mendes), tem uma pegada melhor, muito por conta da percussão inusitada de Carlinhos Brown, que toca até "laranja" (segundo o encarte do CD), seja lá o que isso signifique. Do músico baiano (em parceria com Paulo Levita), "Nossa Senhora" não faz jus às composições de Brown.
Certamente, os fãs de Bebel Gilberto não vão reclamar muito de "All In One". Embora inferior, em sua essência, ele não é muito diferente dos trabalhos anteriores da cantora. Mas que falta algo, isso falta. Bebel Gilberto ainda está devendo um grande álbum que justifique tanto deslumbramento em cima de seu nome.
Cotação: **1/2
Em seguida, a faixa "Chica Chica Boom Chic":
***** Ótimo
**** Muito Bom
*** Bom
** Regular
* Ruim




























































































































































































































































