Por unanimidade, a Mesa Diretora do Senado aprovou nesta terça-feira a solicitação feita pelo Conselho de Ética para que a Polícia Federal aprofunde as investigações sobre os documentos apresentados pelo presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), para comprovar rendimentos com atividades agropecuárias. O pedido foi encaminhado ao ministro da Justiça, Tarso Genro, a quem a Polícia Federal está subordinada. Existem suspeitas de que entre a papelada entregue por Renan ao Conselho de Ética haja notas fiscais frias, notas de empresas de fachada, de empresas que sequer existem, e por aí afora.
A Polícia Federal já havia informado que pode fazer uma perícia completa nos documentos num prazo de 20 dias. Mantido esse prazo, o resultado sairá o início do mês que vem. A decisão da Mesa Diretora nesta terça, que não contou com a participação do presidente do Senado, era tudo o que Renan Calheiros não queria. Ele e seus aliados defendiam que o Conselho de Ética deveria apenas levar em consideração os documentos sem questionar suas origens. As suspeitas sobre os documentos de Renan foram levantadas por reportagem do Jornal Nacional, da TV Globo.
Encaminhamento
Nesta quarta-feira, o ministro da Justiça encaminhará à Polícia Federal o requerimento aprovado pela Mesa Diretora do Senado solicitando perícia mais detalhada nos documentos apresentados pelo presidente do Congresso, Renan Calheiros. Ele salientou que a Polícia Federal vai se ater aos questionamentos encaminhados pelo Conselho de Ética porque uma investigação mais ampla só é possível por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o ministro Tarso Genro, a perícia não é inconstitucional porque foi o próprio Conselho de Ética que direcionou os questionamentos.
Recesso parlamentar
A Câmara e o Senado entram em recesso parlamentar nesta quarta-feira. As férias dos parlamentares termina dia 1º de agosto. Na Câmara, apesar de o presidente da Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP), enviar telegramas para que os deputados comparecessem nesta terça-feira para votar cinco Medidas Provisórias, poucos estiveram presentes. No início da tarde, menos de 200 dos 513 deputados haviam registrado presenças. Por falta de quórum, Arlindo Chinaglia abriu e logo encerrou a sessão.