CD e DVD: "Samba Social Clube 3" (Vários Artistas) - O mais do mesmo que funciona
Luiz Felipe Carneiro | Resenhas | 24/10/2009 11:25
Dezesseis faixas no CD, vinte no DVD, artistas bem diferentes (embora tenham o samba em comum), composições das mais variadas... Enfim, "Samba Social Clube 3", assim como os seus dois volumes anteriores, e qualquer outro projeto coletivo desse padrão, peca por altos e baixos. Esse novo volume não difere muito dos outros dois. A receita foi seguida a risca: sambistas cantando composições de terceiros em registro ao vivo. E, cá entre nós, em um time que mistura Zeca Pagodinho, Beth Carvalho e Leci Brandão cantando canções de gente como Luiz Carlos da Vila, Nei Lopes e Paulo César Pinheiro, não tem como haver muito erro, não é verdade?
A única diferença desse terceiro volume é que, dessa vez, foi escolhida Beth Carvalho como homenageada. Uma homenagem meio mais ou menos, já que ela só acontece mesmo no final, quando a sua filha Luana Carvalho (que ainda precisa treinar o seu canto mais um pouco) se junta a Velha Guarda da Mangueira para interpretar "1800 Colinas" (Gracia do Salgueiro), um dos maiores sucessos da carreira da Madrinha. Mais interessante teria sido se todos os convidados cantassem alguma canção que já havia sido interpretada por Beth Carvalho.
Mas independente da "homenagem", alguns bons momentos devem ser destacados aqui. E, de cara, o negócio começa bom com "Só Chora Quem Ama", nas vozes de Zeca Pagodinho e do compositor da canção (ao lado de Wilson Moreira) Nei Lopes. Beth Carvalho também faz o feijão-com-arroz delicioso em "Cabô, Meu Pai", canção composta por um timaço formado por Luiz Carlos da Vila, Aldir Blanc e Moacyr Luz. Diogo Nogueira também mostra porque é considerado uma das grandes revelações do samba, em uma inspirada interpretação para "Todo Menino É Um Rei", de Nelson Rufino e Zé Luiz. Monarco e Moyseis Marques são os responsáveis por "O Quitandeiro" (do próprio Monarco e de Paulo da Portela), talvez o momento mais animado do CD e do DVD. Teresa Cristina também mostra a competência habitual em "Porta Aberta" (Luiz Ayrão), assim como Arlindo Cruz em "Candongueiro" (mais uma de Wilson Moreira e de Nei Lopes), e Leci Brandão em "Nomes de Favela", escrita por Paulo César Pinheiro.
As bolas foras ficaram por conta de Alexandre Pires, que não teve a mínima consideração com "Falsa Consideração" (Marquinhos Satã / Eros Fidélis / Liebert), na interpretação mais fria do CD. Ficou bem diferente da ótima versão que Jorge Aragão já havia gravado. E, por falar em Jorge Aragão, o ex-Fundo de Quintal derrapou em "Saigon" (Carlos Cartier / Paulo César Feital / Carlão), aquela mesmo eternizada por Emílio Santiago nos anos 80. Às vezes dá a impressão de que Jorge Aragão precisa escolher melhor o seu repertório. Mariana Aydar também não mostrou o brilho habitual em "A Deusa dos Orixás" (Romildo / Toninho). Pena. O mesmo aconteceu com Péricles na animadíssima "Firme e Forte" (Efson / Nei Lopes).
No meio do caminho, e sem comprometer, ficaram Dudu Nobre ("Pagode da Saideira", de Gracia do Salgueiro e Duque do Surdo) e os grupos Moinho (na ótima "Maior É Deus", de Paulo César Pinheiro e Eduardo Gudin) e Casuarina, que arriscou a mais do que batida "Tempo de Don Don", de Nei Lopes.
Até o final do ano, será lançado o "Samba Social Clube4". Certamente não será diferente desse volume 3 e nem dos dois anteriores. Mas será que alguém vai reclamar por causa disso?
Cotação: ***
Abaixo, a faixa "Candongueiro", interpretada por Arlindo Cruz:
***** Ótimo
**** Muito Bom
*** Bom
** Regular
* Ruim




























































































































































































































































