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Túnel do Tempo: 25 anos de "Maior Abandonado"

Luiz Felipe Carneiro | T. do Tempo | 11/09/2009 10:57

Túnel do Tempo: 25 anos de

Os dois primeiros discos do Barão Vermelho (que levavam o nome da banda e foram lançados em 1982 e 83) não venderam lá grande coisa, mas foram o suficiente para formar um público fiel. E quando "Maior Abandonado", terceiro trabalho do grupo de Cazuza (vocal), Roberto Frejat (guitarra), Dé (baixo), Maurício Barros (teclado) e Guto Goffi (bateria), chegou às lojas, na primeira quinzena do mês de setembro de 1984, a banda se consagrou de vez. A qualidade permaneceu a mesma, mas o público, enfim e merecidamente, aumentou exponencialmente.

"Maior Abandonado" seguia a mesma receita de seus antecessores, com a mistura de rock e blues, que fez a fama do Barão Vermelho. Talvez o álbum tivesse uma pitada mais pop, como na faixa "Bete Balanço", mas isso, no fim das contas, não fazia lá tanta diferença. Gravado no mês de julho de 1984, nos estúdios da Som Livre, o álbum foi produzido pelo fiel escudeiro Ezequiel Neves e, até hoje, é considerado uma das obras-primas do Rock Brasil.

No disco, o Barão Vermelho gravou alguns de seus maiores sucessos, como "Bete Balanço" (que fez parte da trilha sonora do filme homônimo, de Lael Rodrigues, e, anteriormente, já lançado em single), "Baby Suporte", "Por Que a Gente É Assim?" e "Maior Abandonado". "Bete Balanço" teve a maior bilheteria de filme nacional em 1984, e impulsionou a sua canção-tema, que, àquela época, tocava nas rádios até dizer chega. Dois dos melhores versos de Cazuza também estão presente nesse disco: "Que tempo mais vagabundo esse agora / Que escolheram pra gente viver", na música "Milagres". Sobre essa mesma canção, Cazuza disse o seguinte, como consta no livro "Preciso Dizer Que Te Amo - Todas as Letras do Poeta", organizado pela sua mãe, Lucinha Araújo: "Os versos desta música, que falam que 'a fome está em toda parte, mas a gente come, levando a vida na arte', são cruelmente verdadeiros porque o garotinho chega no bar morto de fome, vendendo drops, e a gente está comendo um filé enorme."

Nesse disco, a banda se firmava com as grandes letras de Cazuza e uma sonoridade roqueira que virou a sua marca registrada. O álbum foi eleito o melhor de 1984 pelo jornal "Folha de S.Paulo", alcançado a respeitável marca de 100 mil cópias vendidas em seis meses. Para a capa do disco, a banda foi clicada por Frederico Mendes, em frente ao Hotel Love's House, na Lapa, em uma época em que o bairro não tinha nada de glamoroso.

A melhor definição para "Maior Abandonado" foi dada pelo próprio Cazuza, em entrevista ao jornalista Alfredo Ribeiro, na "Folha de S.Paulo", em 08/09/84: "O disco 'Maior Abandonado' tem toda uma temática de vida, boemia e fossa, que é uma ligação minha com o Nelson Gonçalves, Lupicínio Rodrigues e Ataulfo Alves. Um dia ainda chamo o Nelson Gonçalves para cantar uma música com o Barão. Se isso chocar algum roqueiro, é sinal de que ele precisa se libertar desse trauma."

"Maior Abandonado" deu origem a uma grande turnê, que teve início no dia 17 de setembro de 1984, no Radar Tantã, em São Paulo. Logo após a estreia, a banda foi presa no hotel, por posse de drogas. O Barão ainda encarou o Morro da Urca durante um mês inteiro, com apresentações com ingressos esgotados. De quebra, o Barão Vermelho fez um show no presídio feminino Talavera Bruce. A turnê encontrou o seu ápice nas duas apresentações feitas durante o Rock in Rio de 1985 (disponível em CD e DVD). Entretanto, no mesmo ano, Cazuza anunciou o seu desligamento da banda. A história continuou com o Barão lançando "Declare Guerra" (1986), e Cazuza iniciando a sua carreira solo.

Então, vamos relembrar algumas faixas de "Maior Abandonado":

"Maior Abandonado":



"Baby Suporte":



"Sem Vergonha / Narciso":



"Milagres":



"Por Que a Gente É Assim?":



"Dolorosa":



"Bete Balanço":



"Maior Abandonado" (com Frejat nos vocais, no Rock in Rio 3):



E para relembrar um pouquinho de Cazuza, clique aqui e leia a entrevista exclusiva com a sua mãe, Lucinha Araújo.




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Postado por:Ingrid | 11/09/2009 18:12:09

Que legal esse texto,relembrando esse disco do Barão tão importante para o rock nacional,adoro eles!É tão bom olhar para trás e ver que o rock nacional fez algo de bom no passado,diferentemente de hj,em que as bandas que fazem sucesso só fazem porque tocam "modinhas" e têm rostinhos bonitos que as adolescentes histéricas gostam de ver e que não passam nenhuma mensagem importante para a juventude.Eu definitivamente nasci na época errada!

Postado por:Samantha | 11/09/2009 16:53:56

legal a homenagem dos 25 anos do disco Barão Vermerlho Maior Abandonado parabêns e principalmente por tambêm ter homenageado o Cazuza que é um dos grandes poetas dos anos 80 que eu mais adimiro.Viva Cazuza.

Postado por:gabisici | 11/09/2009 12:51:22

Adorei o texto... Sou fã do Barão.... bjos!


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