Exclusivo: Bernard Cornwell fala sobre sua vinda ao Brasil e seu novo livro
Jorge Lourenço | Cultura | 03/09/2009 11:33
Vir ao Brasil já tinha se tornado uma questão pessoal para Bernard Cornwell. Não que o britânico, considerado o maior escritor de romances históricos da atualidade, tenha fortes laços com o país. Durante a conversa com o SRZD , ele mesmo admitiu que conhece pouco da cultura brasileira. No entanto, era da família que partia a pressão para que ele visitasse o Brasil.
*Confira a primeira parte da entrevista ao SRZD
"Fui convidado para ir ao Brasil várias vezes nos últimos tempos, mas, de alguma forma, sempre acontecia alguma coisa e eu não podia aceitar. E, nesse meio-tempo, minha cunhada brasileira vinha ameaçando parar de falar comigo se eu não aceitasse algum convite para ir ao Brasil. Então veio esse convite da Bienal do Livro e agora minha cunhada fala comigo normalmente!", revela Cornwell, que sempre teve carinho especial pelos seus fãs brasileiros.
"Recebo muitas mensagens de leitores brasileiros, muitas mesmo! Meu único arrependimento é não falar português, mas eu faço o meu melhor e constantemente me surpreendo pela quantidade de pessoas do Brasil que dizem gostar dos meus livros", conta o autor.
Depois de tanto falar sobre o Brasil, a pergunta para um romancista histórico não poderia ser outra. E se um dia tivesse que escrever um de seus livros situado em algum momento da história brasileira, em qual ele escreveria? Cornwell tentou escapar, mas acabou falando.
"Sou terrivelmente ignorante sobre a história brasileira. Mas minha primeira reação à pergunta seria dar uma olhada no período napoleônico, quanto a corte portuguesa teve que fugir para o Rio de Janeiro. Acho que esse seria um bom momento".
Processo criativo
Ser reconhecido como o maior escritor de romances históricos da atualidade não é uma tarefa fácil para Bernard Cornwell. Ao contrário dos outros autores, o britânico faz uma pesquisa detalhada de cada um dos períodos históricos sobre os quais escreve. Não é por menos que sua trilogia do Rei Artur é considerada a mais precisa já escrita sobre o maior herói da Inglaterra e alguns de seus livros, como o próprio Azincourt, chegam a trazer revelações históricas desconhecidas até por especialistas.
Por isso, o próprio processo criativo de suas obras difere um pouco dos romances normais. Segundo Cornwell, o primeiro passo para escrever seus livros é achar alguma história real sobre a qual valha a pena falar. E só depois de pesquisar tudo sobre aquele momento histórico é que ele começa a pensar nos personagens.
"Sempre começa com o período histórico. Eu acho uma história real que eu queira contar em ficção e, depois, leio tudo que consigo achar sobre aquela época e visito os lugares nos quais os eventos aconteceram. Eu sequer penso muito nos personagens até eu começar a escrever", diz o escritor, que já fez algumas leves modificações em alguns fatos reais para realçar a trama.
"Depois de fazer as pesquisas e começar a escrever, o mais importante é a trama. Eu não gosto de mudar os fatos históricos, mas às vezes eu tenho que fazê-lo para que a trama ande melhor. Mas eu sempre faço com que essa mudança seja o menor possível. Lembro que num livro eu atrasei um determinado acontecimento histórico em dois dias. Mas eu sempre digo às pessoas que sou um contador de histórias em primeiro lugar e um historiador em segundo. Para falar a verdade, às vezes não tenho nem certeza se me considero realmente um historiador", explica o escritor.
Apesar de seu maior sucesso de vendas ser a série "As Aventuras de Sharpe", que inclusive já virou um seriado de TV protagonizado pelo ator britânico Sean Bean (foto ao lado), Bernard Cornwell revela que, entre tantas pesquisas e livros escritos, seu trabalho favorito foi explorar o universo do Rei Artur.
"O 'Rei do Inverno', ao lado dos dois outros livros da trilogia do Rei Arthur ('O Inimigo de Deus' e 'Excalibur'), são minhas obras favoritas. Foi simplesmente fantástico escrevê-los. Eu estipulei um prazo para mim mesmo de seis meses para aprender tudo que poderia sobre o panorama real do século VI e, inevitavelmente, fiquei cansado. Então, depois de apenas três meses eu decidi escrever um capítulo de amostra, apenas uma pausa das pesquisas. Daí para frente, não consegui parar mais de escrever. O capítulo de amostra virou um livro em cerca de oito semanas (demorei outros três meses para arrumá-lo completamente) e os outros dois livros da trilogia foram escritos nesse mesmo ritmo insano. Foi incrível escrever esses livros", conta.
Bernard Cornwell estará na XIV Bienal do Livro nos dias 11 e 12 de setembro de 2009. No dia 11, sexta-feira, ele participará de um bate-papo no Café Literário e vai conceder autógrafos para fãs no estande da editora Record, no Pavilhão Azul. Na manhã de sábado, Cornwell estará novamente no estande da Record para atender seus fãs.
Postado por:Saulo | 09/09/2009 13:48:44
Talvez seja por ter conhecido o autor lendo "O Rei do Inverno", mas este é meu livro favorito escrito por Cornwell.
Postado por:Guga | 03/09/2009 16:02:16
Ele pode até preferir a do Rei Artur, mas as histórias do Sharpe são bem melhores sem dúvida!!!!!!
Postado por:Solid | 03/09/2009 15:23:06
E viva a cunhada do Bernie!!! Kra sua entrevista ficou maneira.... Sempre desconfiei que ele falaria sobre D. João e o período napoleônico se contasse alguma história a respeito do Brasil. Mas acho q ele iria se arrepender... Ai acredito que ele ia gostar muito da guerra no Paraguai... Sangue lá teve muito...
Postado por:Eduardo | 03/09/2009 14:23:32
Sensacional a entrevista! Recebi ontem minha trilogia sobre o Rei Arthur, e tô muito ansioso pra começar a ler e a ter um autografozinho dele! Parabéns!
















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