É longo o currículo de Bernard Cornwell, best-seller britânico que é a maior atração XIV Bienal do Livro do Rio de Janeiro. Autor de mais de 40 livros que já venderam cerca de 20 milhões de exemplares pelo mundo, ele é a mente por trás dos romances históricos de maior sucesso nos últimos tempos, como a série "As Aventuras de Sharpe", e as trilogias "As Crônicas do Rei Arthur" e "A Busca do Graal". Além dos personagens marcantes e tramas bem trabalhadas, o escritor é famoso pela precisão com a qual relata os fatos históricos, sempre seguindo à risca eventos reais para ambientar seus contos.
E estas são as principais qualidades do livro cujo lançamento ele vem promover no Brasil durante a Bienal, nos dias 10, 11 e 12 de setembro. 'Azincourt', publicado em julho pela editora Record, conta a história da Batalha de Agincourt através dos olhos do arqueiro Nicholas Hook. A obra já teve seus direitos vendidos para Hollywood, mas ainda não tem previsão de lançamento nos cinemas. O curioso é que, segundo Cornwell contou em bate-papo exclusivo com o SRZD
, a batalha teve pouquíssima relevância para a Guerra dos Cem Anos, mas entrou para a história pela maneira como ocorreu.
"A Batalha de Agincourt é provavelmente a mais famosa da história inglesa. E o mais curioso é que, de certa forma, essa batalha não decidiu nada para a Inglaterra, mas ficou marcada na história do país. E isso aconteceu porque os ingleses estavam numa enorme desvantagem numérica. A proporção era de um inglês para cada cinco franceses", lembra Cornwell. Durante suas pesquisas para descrever detalhadamente o confronto, ele ainda descobriu que, ao contrário do que se acreditava, não foram os arqueiros ingleses os principais responsáveis pela vitória, mas as condições do terreno.
"Minha maior surpresa foi descobrir que as flechas provavelmente não fizeram o estrago que as histórias sugerem. O primeiro ataque dos franceses consistia de cerca de oito mil homens com armaduras pesadas que caminharam lentamente até a linha inglesa e foram atingidos por cerca de mil flechas por segundo! Mesmo assim eles conseguiram alcançar as defesas e entraram no combate mano-a-mano. Quem realmente ganhou essa batalha foi a lama, e muita lama, porque ela dificultou o avanço do ataque francês e cansou seus soldados antes deles alcançarem a linha de defesa inglesa. Foi aí que os arqueiros abandonaram seus arcos e entraram em luta corporal com os franceses. E então, seis mil homens venceram 30 mil, realmente uma bela história", explica o autor.
A importância da história
Seja narrando os confrontos da Era Napoleônica ou reconstruindo com a maior fidelidade histórica a possível existência do Rei Arthur, todas as tramas de Bernard Cornwell têm um ponto em comum: a guerra. Em seus livros, o autor britânico descreve detalhadamente algumas das batalhas mais famosas de todos os tempos, como a de Agincourt ou o Cerco de Crecy. E, na realidade cruel da guerra, ele conta que há um aviso da importância de conhecer a história das civilizações.
"Toda geração comete seus próprios erros e, falando de maneira geral, eles sempre são os mesmos que seus antepassados cometeram. Se nós aprendêssemos com o passado, então provavelmente viveríamos num mundo perfeito, mas isso não acontece. Eu acho que é importante que conheçamos a história, já que ela nos conta quem somos e a razão de sermos assim. Não me vejo com uma responsabilidade moral de ensinar coisa alguma. É o leitor que deve decidir por si só se vai aprender algo ao ler os meus livros", explica Cornwell.
Confira na quinta-feira o restante da entrevista exclusiva de Bernard Cornwell ao SRZD. Na segunda parte, o autor britânico fala sobre o Brasil e como já tinha se tornado uma questão pessoal visitar o país, além de revelar qual dos livros que escreveu é seu favorito.