Nestes tempos de sambas-enredo já ouço por aí muita gente detonando a safra: nada mais apressado. Quantos aí de vocês nunca detonou um samba "já escolhido" e se auto-flagrou no carnaval, na pista, cantando e dançando o dito cujo? E isto sem contar quando o tempo passa e alguns ou muitos carnavais depois ouve aquele mesmo samba e tem uma boa lembrança?
Os sambas-enredo são assim, cheios de armadilhas... De minha parte aprendi que são como frutas, precisam amadurecer. Se no momento de suas divulgações em disco ainda "estão verdes" que dirá agora que ainda nem foram (es)colhidos. Ah! Tem muita coisa ruim, dirão vocês. Verdade! Mas será que este é um fenômeno de agora ou será que sempre foi assim?
Já fui rato de escola de samba e rato de escolha de samba. Já vi muita disputa. Já vi Candeia na disputa, vi Anescar, Silas, Mano Décio e aquela galera toda da Mangueira que era a escola que eu mais ia: Darcy, Helio Turco, Jurandir, Alvinho.
Vi Zé Catimba e vi Martinho, quantas vezes vi Martinho ganhar samba... Cheguei até a ir a Caprichosos só para conhecer os sambas do Ratinho. Ia ao Cabuçu conhecer os sambas de Taú. Era assim que tinha que ser. Ou então esperar o carnaval para conhecer o samba.
Agora, tempos de "pontocom", nunca se ouviu tantos sambas-enredo sem precisar por o pé na quadra.. Proporcionalmente, nunca se ouviu tanto samba ruim. Tantos quantos os daqueles tempos em que a gente não tinha como ouvir. Os sambas ruins estavam lá só que muito pouca gente ouvia.
Ouvi até agora alguns sambas do Império. Abri o primeiro, gostei. Ouvi o segundo também gostei. Me animei e abri o terceiro que abriu o caminho para o quarto. Parei. Fiquei satisfeito e animado, resolvi esperar a disputa esquentar mais.
E fiquei mais feliz ainda porque um deles tem uma melodia riquíssima. Me animei porque acho que o pecado maior dos sambas enredos tem sido a parte melódica. Acho fundamentalmente que, além de todos os obstáculos que encontram, as últimas gerações de compositores, pelo menos grande parte, atravessam uma "crise melódica".
A mesma "crise melódica" que traz sambas tipo escadinha, com métricas encaixadas quase a marteletes, quase óbvios: já na primeira estrofe se desenha todo o restante daquela parte, exceto quanto aos refrões que se não chegam a entusiasmar, se salvam um pouco. Deixo claro que não tenho ouvido muita coisa, mas há um samba no Império com uma melodia muito bonita.
È curioso registrar, e saudar, por que não?, a presença de novos compositores com perfil diferente do tempo de fixação do gênero samba-enredo das décadas de 60/70. Jovens vindos da classe média, e de formação universitária, Ciraninho, Diogo, Clarão, Diniz disputam hoje seguindo passos não sei se pioneiros do incomparável Didi.
Nada contra desde que tal fato não signifique a exclusão de sambistas de outros extratos e de outros níveis escolares, tal como aconteceu a Jurandir da Mangueira, exemplo mais marcante de todos.
É da Mangueira que vem também outro exemplo. Seu presidente, como sabemos, garantiu que qualquer um pode ganhar o samba. Não será o tamanho da mala e nem a capacidade de mobilização que contarão. Acho mesmo que o processo de escolha do samba da Mangueira, sua concepção, desenvolvimento e resultado, será a grande atração deste primeiro pré carnaval até outubro.
Curioso notar que os "sambas-enredo" (assim mesmo com aspas) que mais repercutiram no mercado de discos fora do carnaval são obras de autores não vinculados a qualquer ala de compositores de nossas escolas. Digo isto definindo "samba-enredo" (com aspas) como um samba que exalta ou evidencia a algum fato ou alguma personalidade, não obrigatoriamente vinculados a algum desfile ou a alguma escola.
São eles: "Com a Perna no Mundo", pérola de Gonzaguinha; "Mestre Sala dos Mares", pérola de Aldir Blanc João Bosco e "O Samba do Crioulo Doido", "pérola" (com aspas) de Sergio Porto.
Vejam aí que dos três, o que fez maior sucesso em sua época, capaz de gerar um show e permanecer bom tempo nas paradas de sucessos, foi diferenciado com aspas: "O Samba do Crioulo Doido".
Aos outros dois voltaremos outro dia, mas e quanto ao crioulo doido, por que aspas?
Vamos lá...
Quando eu comecei a fazer estas crônicas, despretensiosamente, lá por outubro de 2007, o Raphael Azevedo, de O DIA na Folia, "sapecou" lá que eu era um pesquisador de carnaval. Tudo bem, vida que segue. Mas será que é isto mesmo? Será que o fato de ser estudioso, interessado, de amar muito aquilo que se lê, que se estuda, que se procura, será que isto é bastante a nos classifica como "pesquisador", no sentido rigoroso do termo?
E tudo foi assim até o dia em que fui assistir á gravação do depoimento de Martinho da Vila para o Museu da Imagem e do Som. Por mais que Martinho tenha sido formidável, o que mais me marcou foram as palavras do jornalista João Máximo, em uma de suas participações. João chamou a atenção para sabermos diferenciar um "pesquisador" ou um "estudioso" de um "passador de recibo".
E foi com medo de aquela "carapuça" que voava ali cair sobre minha cabeça é que perguntei a ele o que era exatamente um "passador de recibo". E a resposta veio muito clara identificando aqueles momentos em que simplesmente repassamos, reproduzimos uma informação lida sem a necessária clareza de sua veracidade. Ou seja: passamos o recibo.
Desse dia em diante passei a rejeitar que meu nome fosse identificado como pesquisador. Não que a "carapuça" tenha me servido mas a verdade é que passei achar que "catador" no meu caso se encaixaria melhor do que pesquisador. Conto essa historinha aí a propósito do "O Samba do Crioulo Doido".
Nada melhor (ou pior?) para exemplificar o mau "recibo passado" do que esta criação do magnífico Sérgio Porto. São pouquíssimos textos acadêmicos que não embarcam neste "recibo".
São textos que afirmam que o samba é a mostra, a marca, de um tempo em que os sambistas ficavam perdidos em meio a fatos e vultos da história do Brasil e produziam sambas estapafúrdios e repletos de incongruências.
Olha, digo para vocês, conheço e sei cantar pelo menos uma centena de sambas dessa época. Tá certo que até podem ser sambas grandiloqüentes, ufanistas, hiper nacionalistas, mas, e aí peço a ajuda de vocês aí desse lado, conheço muito poucos sambas desta época que tenha enredos incongruentes e frases estapafúrdios.
Só para colocar as novas gerações no debate, cabe informar. Durante a ditadura militar havia no jornal Última Hora uma coluna diária assinada por um certo Stanislau Ponte Preta que não era outro senão o festejadissimo jornalista Sergio Porto, aquele mesmo que trouxe Cartola de volta para o convívio do samba depois de encontrá-lo lavando carros em uma garagem em Ipanema.
Sergio era sobrinho de Lucio Rangel, grande amigo dos sambistas, e amigo de Sergio Cabral que todos conhecemos. Gente ligada ao samba, portanto. Sua coluna diária contava histórias em torno de sua Tia Zulmira que morava lá na Boca do Mato.
Sua maior diversão era sacanear o golpe militar criando para tanto, de forma ironizada, a expressão "atual conjuntura" para expressar o que considerava os exageros, equívocos e maluquices daqueles tempos que antecederam o AI 5.
Criou também o FEBEAPÁ, o Festival de Besteiras que Assola o País, para dali denunciar toda sorte de atos, aí sim, estapafúrdios, e incongruências da turma que então governava.
Acho muito difícil, improvável, que um sujeito como Sergio Porto pudesse fazer um samba com o intuito de denegrir a imagem do sambista. Fazer isto seria desrespeitar toda uma geração de sambistas como Silas de Oliveira e Mano Décio, mestres dos sambas exaltação, Candeia, de sambas memoráveis da Portela, Anescarzinho, e toda sua turma do Salgueiro, sem falar em Cartola, Carlos Cachaça e toda aquela incomparável ala de compositores da Mangueira como Jurandir, Darci, Hélio Turco e tantos e tantos outros.
Sem falar em Martinho da Vila, Paulinho da Viola, Elton Medeiros, Padeirinho, Zé Catimba, Noel Rosa de Oliveira, Walter Rosa que escreveram para suas escolas sambas com tais características.
Falar de enredos incongruentes e malucos é não reconhecer a importância cultural de Sebastião Molequinho, Mestre Fuleiro, Xangô, Calça Larga, Natal, Juvenal Lopes, Seu Manacéia, e outros pais fundadores desta que é considerada a maior festa brasileira.
Fui leitor de Sergio Porto tanto na Última Hora quanto de seus inúmeros e engraçadíssimos livros. Na minha cabeça, Sergio Porto usou o crioulo doido, e aquele tipo de imposição de temas nacionais, como peça introdutória para dizer, aí sim, que quando propuseram o tema da "atual conjuntura" como enredo da escola, o crioulo, já meio confuso entre tantos fatos e datas, endoidou de vez e fez aquele samba repleto de incongruências e versos estapafúrdios.
Isto é o que eu acho. E acho mais : Fico me perguntando se Sergio Porto, mirando na ditadura militar, naquela "atual conjuntura" acabou acertando a imagem do sambista. Menos por sua culpa, mais pela interpretação apressada de "passadores de recibo" que encheram as páginas da imprensa e da academia de então.
E é neste sentido que é sempre bom esticar os sentidos na direção de Seropédica e ver o que Nei Lopes escreveu sobre isto em seu blog, em 18 de julho de 2006:
"(...) E, a partir daí, o tipo criado pelo inefável 'sobrinho da tia Zulmira' veio somar-se a uma galeria de construída desde pelo menos o século 19, onde já despontavam a 'mãe-preta', dócil, carinhosa, excelente cozinheira e contadora de histórias, mãe substituta da família patriarcal; o pai-joão, velho e fiel escravo, resignado em seu sofrimento; o 'escravo martirizado'; o 'preto de alma branca'; o 'mulato pernóstico'; o 'negão', violento, facínora e estuprador; a 'mulata boazuda'; 'o malandro' etc., etc (...)".
Nada mais didático que tomar o exemplo do insuspeito jornalista Zuenir Ventura. Homem culto, inteligente, bem intencionado, sempre nas melhores fileiras de nosso tempo, não escapou desta armadilha para ele armada por "passadores de recibo", fazendo dele mais "um passador de recibo".
Está lá, em O Globo de 4 de março de 2006, sua coluna sob o título "Crioulo Doido":, no dia da apuração, protestando contra critérios de julgamento:
"Houve um tempo em que os enredos das escolas de samba eram tão incongruentes e sem sentido que inspiraram Stanislau Ponte Preta a compor seu genial 'Samba do Crioulo 'Doido'. Hoje o disparate aparece não no desfile, mas em geral na quarta-feira, quando são anunciados os resultados(...)"
Vejam aí como até um brilhante jornalista, intelectual experiente, pode embarcar na canoa furada dos 'passadores de recibo', aqueles que conduzem os fatos até conseguirem sustentar suas próprias verdades.
Monique Augras, intelectual francesa, doutora pela Sorbonne, com larga militância em torno da cultura popular brasileira, aqui entre nós desde 1961, vai um pouco mais longe introduzindo José Ramos Tinhorão na polêmica. Segundo a francesa "(...) Tinhorão identificou claramente, na letra do samba, a intenção de satirizar a produção popular, quando fala do 'ciclo do samba enredo de tipo lençol', que obrigava os compositores, pela complicação dos temas históricos escolhidos para o enredo, a vencer desafios culturais acima do seu nível escolar (...)".
Mas que tal ouvirmos o quê o próprio criador diz de sua criatura? E vamos fazer isto em dois momentos. Em primeiro lugar em artigo publicado na Última Hora em dezembro do ano de sua composição, 1967:
"(...) o crioulo doido era da ala de compositores de uma escola de samba e, todo ano, tinha que fazer samba-enredo da história do Brasil. Era Tiradentes, casamento de d. Pedro I, as badalações de Chica da Silva, a abolição, a proclamação da República,enfim, o crioulo começou a misturar estação. Até que, este ano, quando ele chegou na escola e perguntou qual era o enredo para este ano, responderam que era 'a atual conjuntura' e aí o crioulo ficou doido de vez, fazendo o samba que as meninas (Quarteto Em Si) passam a cantar no disco".
E é Monique Augras que avança mais um pouco e joga o "criador" na dança: "Esse depoimento é bem expressivo da atitude dos setores da classe média frente às produções 'populares'. Ao mesmo tempo que as valoriza - ou acredita estar valorizando - , já que lhes dedica espaço em jornal, usa expressões no mínimo desvalorizantes, para não dizer racistas. Por que, em vez de 'crioulo', Sergio porto não falou apenas em sambista?"
E complementa: "Não queremos dizer que o autor quisesse de fato estigmatizar a cor do compositor, mas que, expressão tradicional do conhecido 'racismo à brasileira', utilizou, sem sentir, um termo que marca a condescendência, além de situar a si próprio, é claro, como branco".
No próprio disco, antes de as meninas do Quarteto Em Cy cantarem surge a voz do criador apresentando aos ouvintes sua criatura: "Este é o samba do crioulo doido, A história de um compositor que durante muitos anos obedeceu o regulamento e só fez samba sobre a história do Brasil. E tome de Inconfidência, Abolição, Proclamação, Chica da Silva E o coitado do crioulo tendo que aprender tudo para o enredo da escola. Até que no ano passado escolheram o enredo complicado: 'a atual conjuntura'
Aí o crioulo endoidou de vez. E aí saiu este samba".
Para finalizar, homenageando o impagável Sergio Porto, homenageando todos os geniais compositores dos sambas-enredo e sambistas em geral que heroicamente construíram parte da história de nossos carnaval, deixo com vocês um dos melhores exemplos do gênero musical aqui tratado, homenageando também, orgulhosamente, meu aluno Tiago Leandro, da turma de xxxxxxxx,do curso der formação de profissionais para o carnaval , da Escola Luiz Carlo Ripper da FAETEC, por seu trabalho sobre o samba "Os sertões", da Escola de Samba Em Cima da Hora, para o carnaval de 1976.
SUGESTÃO PARA OUVIR AGORA:
Os Sertões
Samba de Edeor de Paula
Escola de Samba: Em Cima da Hora
Carnaval de 1976
Voz: Mestre Marçal
Fontes:
Augras,Monique.O Brasil do samba enredo.Rio de Janeiro: Editora da FGV, 1998,
Ponte Preta, Stanislaw. Na terra do crioulo doido.Febeapá 3. A máquina de fazer doido. 4ª edição. Civilização Brasileira, 1976.
Jornal O Globo, 2° Caderno de 4 de março de 2006
Meu Lote. www.neilopes.blogger.com.br. 18 de julho de 2006
NEY RORIZ
20/10/2009 23:41:40
Olha o cara ! O homem queria que eu acordasse antes das 3 hs da madrugada ? 24 hs já acho tarde para sonhar acordado . Naquela hora eu já sonhava DORMINDO projetando , como sempre da forma mais viva , intuitiva , racional , emocional , criativa , lúcida , subconsciente , dadaista , espontânea e autêntica sem censura .... embaralhando e dando vida às cartas no jogo do meu bestunto adormecido , mas não morto . O enredo em homenagem à minha vida é COSMOS VIAJA NOS SONHOS DE NEY RORIZ SEM MEDO DE SER FELIZ e não é o samba do mestiço claro doido . Quando acordo e concordo sonho menos mas continúo vivo acreditando nos meus projetos dos sonhos sonhados e nas minhas críticas e auto-críticas como acredito nos alertas de suas críticas de despertador . Um bom título como O OURO ESCRAVO ( 1968/69 ) não deixa dúvidas perigosas DE CRIOULOS DOIDOS e sei que na vida inspiração e talento dependem de muito sonho (dormindo e acordado ) e mais que isso , muita oportunidade , sorte , dedicação e coragem na vida para fazer as pessoas acordarem para os seus e nossos sonhos ou poderem dormir tranqüilas defendendo os sonhos de vôos utópicos de vidas exponenciais extrapolantes aos píncaros e céus ou pragmáticas baixinhos junto ao chão viável e repisado pelas vidas acordadas sem sonhos . Boa noite ! Viva bem ! Tente dormir sonhando e acordar sonhando ! Mas fazendo a vida .
Rodrigo Darlan
08/10/2009 02:22:26
NEY, Acorda, acorda, acorda... aCORDA !!!! aCORDA PRA VIDA, NEY!!!
Rodrigo Darlan
08/10/2009 01:18:47
Não saber saber quase tudo é perigoso de fato. Diz Platão ser da ordem das carvernas, habitat da imperfeição , onde o círculo não a habitaria por ser harmonico, liso e certeiro e não ser da orbita dos que possuem graves defeitos. Assim, aleijado se é não só em seu saber , mas em todo o seu ser. Só não se sabe tudo porque não se sabe que de tudo se sabe e que em algum lugar este saber permanece guardado e inalterado, se quer próximo, mas dentro, jamais ao lado. O saber seria tomar posse daquilo que já se tem. Um desenrolar do novelo num aparente sem-fim e em si.
NEY RORIZ
07/10/2009 23:08:55
desculpem mas troquei o MAIS POR MAS no fim e as palavras crafadas , incrivelmente , a mim mais enganam que as faladas . QUERIA DIZER QUE NEY RORIZ PREFERE SER MAIS FÃ DO BAIANINHO E MAIS FÃ DO IVO ( DOIS CRIOULOS DO SAMBA )BEM MAIS QUE SOU ( também ) FÃ DOS OUTROS GRANDES ARTISTAS COMERCIAIS CITADOS POR RODRIGO DARLAN , DARLAN que escreve num estilo que atrai minha estação . MAS SEM MAIS MAIS MAIS , fico desnrolando o novelo para dar lã .
NEY RORIZ
07/10/2009 22:52:01
O poeta , o louco , o carnavalesco sabem que qualquer palavra pode ser tudo , mas tudo não pode ser qualquer palavra muito menos a que não se imagina ! ... ou não haverá diferença entre tudo , parte e nada . Alguns pensam que só ovelha pode DAR LÃ . “ Saber tudo por saber não saber quase nada “ É ÓTIMO SINCERAMENTE e dá enredo pois é muito perigoso não saber saber quase tudo . Lembro o meu PARE BIG BANG BANG em que dizíamos : fez castelo , fez favela , pintou anjos na capela e deuses no carnaval , mas na sua inconseqüência , feiticeiro da ciência gerou a bomba da final destruição . No samba O POVO SE AGITA e na passarela grita BIG BANG BANG NÃO ! .. Quanto ao Gil, DIGO só é menos bom como ministro , mas grande artista , concordo !. Leci, Beth Carvalho, Chico Buarque, Ney Matogrosso, Alcione e Ivo Meirelles aprovo e sei que aquele sambista meu fã aceitaria Mangueira no poder . Ney Roriz gosta muito do estilo de DARLAN e minha atenção às suas palavras são devidas . Meus ídolos no samba são mais da minha Em Cima da Hora de onde sou pioneiro, Baianinho é o maior deles e quando debutei como carnavalesco cortei o melhor samba que era deste gênio que , fundador sambista , preferiu seguir um parceiro e não aceitou mudanças que eu exigia no samba dele para meu enredo . Cortei o amigo Baianinho e a escola foi campeã 68 . Tenho de lá amigos como Sergio Cabral e Carlinhos de Jesus que seriam bons ministros . Baianinho ganhou samba em enredo meu mais tarde POPÔ , PAPÁ , BUBÚ , BABÁ ! 82 ... nada pessoal , sou fã do Baianinho e do Ivo mas que desse pessoal ótimo ( comercial ) que vc ,Rodrigo , citou .
Rodrigo Darlan
07/10/2009 01:57:55
O poeta sabe que qualquer palavra pode ser tudo, até o que vc menos imagina. Bolsa vira sapo, corda vira lã, maçã vira pecado e por aí vai. Sabe tudo por saber não saber quase nada. Quanto ao Gil, DIGO: NÃO É MANGUEIRENSE!!! oU SEJA, tá longe de ser o TAL realmente!!! mas é esforçado... Um grande músico. Concorda? Não?!?! bOM, CADA UM COM SEU CADA QUAL. Se eu fosse presidente...Chamaria os carnavalescos para serem ministros da BABAÇÂO!!! Cultura? Só colocaria mangueirenses: leci, beth Carvalho, Chico Buarque, Ney Matogrosso, Alcione e agora o nosso Ivo Meirelles porque Mangueira é POVO, POVO, POVO... (JÁ DIZIA O MELHOR CARNAVALESCO DE TODOS OS TEMPOS)!!! Ney Roriz, nada pessoal. Gosto muito do seu trabalho!!!
NEY RORIZ
05/10/2009 23:55:27
PALAVRAS VELAM OU DESVELAM , MANCHAM OU LIMPAM . Ninguém sabe tudo nem o poeta , carnavalesco , arquiteto , crioulo ou louco ... mas deles todos temos um pouco . Devemos mexer e criticar tudo . Um meu fã disse que Gilberto Gil era mercenário e não devia ser Ministro , sempre foi contratado pago sem nunca ter criado , projetado ou realizando eventos culturais e que no lugar de GG devia estar Ney Roriz . Eu abismado ,mesmo sendo especialista em projetos culturais do tempo de universidade e do exercito e até hoje ( 50 anos ) , perguntei : e se não fosse eu , quem vc acha devia ser ministro da cultura ? respondeu o sambista : Pamplona , Max , Maria Augusta e Renato Lages . Vi que o sambista queria um carnavalesco RJ . Todos interferem na cultura , pois todos somos povo , falsos ou verdadeiros artistas e historiadores ou loucos crioulos , nos mais variados sentidos , como brancos , pretos e outras cores , conhecidos ou não , todos fazemos história e cultura com mais ou menos arte , somos mandantes ou mandados , cúmplices , todos temos lugar . Alguns sabem o seu lugar . O belo é uma discussão como são o carnavalesco , o crioulo doido , a escola de samba do nascimento ao crescimento nas mãos de gente como eu que vivi e vivo há meio século , muito mais por dentro , o assunto que meus amigos muito conhecidos meus , Sergio Cabral e Sergio Porto . Preconceitos todos temos , eu procuro ver cada caso e pessoa sem generalizar ou transferir de um contexto para outro analogias e extrapolações pejorativas . Mas o meu fã continuou : Roriz é cenógrafo e carnavalesco o Gil é ex-fiscal aduaneiro e não exerce nada de sua faculdade de contabilidade , Gil é filho de médico burguês , neto e filho de professoras , Roriz é do morro , neto de cocheiro festeiro e filho de mãe de santo costureira e cantora , pai escultor popular , Gil reclamou por ganhar pouco como ministro e é um mercenário já Roriz sempre foi passista , carnavalesco gratuito ou
Rodrigo Darlan
Membro SRZD desde 24/06/2009
04/10/2009 15:18:55
Não se deve fixar significados ás palavras dos poetas. Eles sabem tudo. Não mexa na lata do poeta , já dizia Gilberto Gil. Porque na lata do poeta o crIoulo pode não ser crioulo,. Pode ser vc branco de olhos Azuis. O doido pode ser maluco , ou coisa bem diferente Disto. De qualquer jeito há uma máquina de fazer Crioulos e de fazer Doidos. A Máquina de Fazer doidos parece não fabricar somente o crioulo doido, mas tb conjunturas por exemplo; aí nos deparamos com o político doido, com o capitalista doido, com o comunista doido (prque não?), com torturadores doidos, com torturados doidos (obviamente!!!), com a Dona de Casa Doida sem saber de nada que ocorre a sua volta, com o cidadão doido, o favelado doido (Coisa que uma escola de Samba tem que combater - consciência negra e social é o que se imperava nelas!!!), daí a crítica: onde não havia lugar para se fabricar doidos (Escolas de Samba), passou-se a ser local privilegiado , e uma louca varrida jurada a gritar para um bando de babacas: "Vocês estão dando aula de história do Brasil". Não se deu conta que o Movimento Escola de Samba era em si FEITO POR historiadores (no sentido de ter a história tb conduzida pelas suas mãos) . Discrimina o povo, para parabenizar falsos artistas e historiadores. Uma pena!!!...e os tapas de luva de Cartola, POR EXEMPLO, a doida da jurada nem se quer percebeu. Passou em branco na cabeça da desalmada!!! Uma lástima!!! O crioulo passa a ser doido, principalmente o das Escolas de Samba, quando ele perde o lugar de quem faz história e vira fantoche NAS MÃOS DE artistas plásticos de quinta QUE são mais doidos que qualquer crioulo doido e assim estes carnavalescos "maquinados" acabaram com a festa e deram fim ao Movimento Popular Social Político Histórico que de fato ERAM estas escolas de Samba. O que era realmente belo ficou feio e o que era são ficou doente.
ney roriz
30/09/2009 23:27:20
DEU A LOUCA NO APRENDIZ DE COMPOSITOR = como o nome de pessoa , estabelecimento ou de marca pode ser um desastre de propaganda com carga negativa de segregação que no quartel e na faculdade chamávamos de DAR CORDA . Eu trabalho com mega eventos de massa , relações publicas e propaganda , persuasão e comecei forte agitador como diretor social e de propaganda do Diretório Acadêmico da ENE UB , Esc de Engen da Universidade do Brasil , atual Politécnica UFRJ ,no Exército Brasileiro ( EB ) em RP e Comunicação Social do IME , Inst Milit de Engen , Bibliex , Expoex etc . Estive dos dois lados da REVOLUÇÃO . Repito conheci Sergio Porto e gostava muito do Ponte Preta (nem branca nem mulatinha ) , Cabral era meu irmão de farra do bairro , da Em Cima da Hora e descobrimos juntos o nascimento da bossa nova , nós 3 já fomos enredos . Mas repito até “ponte preta “ e todos os títulos , nomes de entidades que citei são de valorização , a bossa não é crioula nem doida , o EB , a UB , UFRJ etc ... Mas CRIOULO DOIDO É PÉSSIMO TÍTULO PEJORATIVO . Crioulo para Portugal era em inicio o negro filho de africanos nato do Brasil , depois como Espanha todos os nascidos na colônia que não eram nem índios nem europeus puros ...as vezes só os bastardos . No Rio RJ “crioulo “ no populacho do século passado era um preto muito escuro e grosseiro sem malandragem fina e que metia medo , pois caso contrário seria um de cor , um escuro e hoje um afro-descendente . “Doido” deixo de comentar no semântico geral mas no carioquez é péssimo se seguido de uma palavra racista (crioulo carioquez = homem muito escuro sem boa apresentação ). No samba em questão o doido crioulo parece genérico e dá idéia de um tipo simbólico que representa o todo modal da ala da escola . O fato de não ser racista e de ser a favor do samba não basta para perdoar ao SP seu péssimo título pois criou e assinou e que serviu sim para escurecer e descolorir , conf
Rodrigo Darlan
Membro SRZD desde 24/06/2009
18/09/2009 01:07:18
Já que o LCM não se interessou em responder a questão, respondo eu: DE FATO O SAMBA DA VILA 88 NÃO É UM SAMBA DE CRIOULO DOIDO. Vai ao encontro do da Manga. Kizomba- e parece ser escrito por uma letra que na época não pertencia á língua portuguesa- é um lugar utópico. Não é a Vila que é decantada como o local que todas estas maravilhas acontece é um lugar - e não uma festa como o título parece sugerir- onde realmente ocorre a negritude livre de todas as amarras. Ou seja, não é do Brasil que a Vila está falando e sim de uma nação que nada tem a ver com o Brasil, pois constitui até constituição própria. Na Kizomba de Martinho da vila, está a utopia jamais vivenciada. Neste lugar a Anastácia não foi amordaçada - eis uma das provas de que ele está falando de um local inventado, sonhado e não real - aliás esta imagem da Anástácia aparece em outro samba de ano seguinte " linda, A Anástácia sem mordaça, o novo símbolo da raça" - È pra falar de uma liberdade que não raiou ainda, então vamos criar a utopia e a Utopia é Kizomba, que a Vila passou a ser aquele dia. A vila se vestiu de Kizomba- e se apresentou como tal. Não teve pra ninguém e termina dizendo ao sair do delírio, afirmando que a nossa pátria de verdade é uma sede de que um dia ela venha ser uma kizomba. Nossa pátria é a sede de ser Kizomba. KIzomba parece estar vinculada á PITOMBA que tb era uma festa de um Brasil irmanado, sem senhores e Senzalas, prapara-se mamulengos para comemorar uma libertação QUE JAMAIS EXISTIU. A VILA DELIRA e aí o crioulo não é doido, notem: É sábio!!!
rodrigo darlan
16/09/2009 01:33:14
NEY RORIZ, EU TE CONHEÇO!!! rsrsrsrsr
rodrigo darlan
16/09/2009 00:43:07
Você ser obrigado a dizer uma coisa e querer falar outra e talvez até o contrário do que se queira , vai sair de fato uma coisa doida. Tavez do tipo: Obrigado por esta Kizomba que é a Vila, esta liberdade , este lugar de sacerdotes da religiosidade negra que não sofre preconceitos, que convoca a massa e proclama sob os rituais dos Orixas uma própria constiuição e TERMINA DIZENDO "e QUE O APARTHAIDE SE DESTRUA". LCM não me respondeu!!! O SAMBA DA VILA 88 é ou não é um samba do crioulo doido? Ou terá sido o samba da Mangueira deste ano criado por um crioulo doido por dizer que não houve libertação alguma e sim mais uma nova forma de escravização, onde o papel do feitor passou a ser o da polícia? O samba da VIla 88 é ou não é do crioulo forçado a dizer que está livre e feliz e que no final diz o contrário, pedindo que o aphartaid se destrua? Ninguém vai destruir o aphartaid não. SErá que terá que o apharteid se destruir e assim o crioulo torce para ele ter um ato suicida. Que crioulo mais louco gente!!! LCM, sob sua análise o autor do samba é ou não é um cara desterritorializado, ou seja, doido, um fora de si, fora da realidade do mundo, uma espécie de bobo da corte, tolo e etc...?
Álvaro A. Britto
15/09/2009 13:23:24
Sr. L.C. Magalhães, Há um livro, chamado "O porquê do sucesso", de autoria do Padre Irala S.J., que aborda as canções do tempo da Jovem Guarda. Em um desvio de seu tema, faz uma análise de "Samba do crioulo doido" que vale a pena resgatar. Segundo o Padre, trata-se de uma alegoria da "Redentora", quer dizer, da então "atual conjuntura": "... das estradas de Minas desceu..." como o início do golpe, "e foi proclamada a escravidão", isto é, a ditadura. Outros pontos podem ser interpretados no mesmo diapasão. De modo nenhum o velho Sérgio estava desprestigiando o samba ou o negro. Estava era zoando com a cara da milicada imbecil.
NEY RORIZ
12/09/2009 11:33:21
Pecou SP tem culpa e devia ter feito algo específico direto para se redimir pois deixou passar , mesmo sem dolo as seguintes inverdades : que os compositores pesquisam sozinhos , que misturam tudo por não terem escolaridade , e que estes erros são exclusivos dos compositores de escola de samaba, que os compositores são crioulos ( pretos ) raciais , que não há grandes gênios mestiços e brancos neste estilo , que escola de samba é coisa de preto , burro ou louco , ou de louco-preto-burro , que todo louco é burro , que o povo não tinha capacidade de resistir e descodificar a verdade oficial da ditadura ou as ideologias dos seu opositores detentores dos saberes superiores ao artista popular e aos autores de enredo . Quanto ao João Máximo , que sabe muito de música popular , tenho recorte de jornal onde ele generaliza os sambas de enredo todos como o pior estilo musical . Se Sergio Porto falou que existiria um samba de um crioulo doido , não falou que todos eram de crioulos nem de doidos mas o Maximo quase disse isso pois colocou todos num pacote de lixo . Sou vivenciador e fazedor não gosto de ser chamado pesquisador e mesmo gostando muito do Samba do Crioulo Doido sinto sim que não é um O Neguinho Gostou da Filha da Madame nem Tenho Uma Nega Chamada Tereza ou Sarará Crioulo etc etc .... mas sim , sim a maioria dos sambas concorentes aos enredos é de péssima qualidade e eu corto na fita e eu fui carnavalesco da Unidos de Lucas e Em Cima da Hora onde as obras são Sublime Pergaminho , Os Sertões , Boi Mandingueiro, o Trem 33 etc ....quanto a compositores ótimos campeões mulatos claros e brancos no samba enredo deixo de citar para não beirar aos criterios das tais cotas racializantes ... mas froam com enredos meus para avenida uns 6 bem escuros , uns 6 bem claros e uns 6 mulatos mais culturalmente todos ótimos crioulos cariocas incolores .
ney roriz
12/09/2009 11:08:54
Como sou prolixo vejo aqui muitos temas e cada um daria muitas palestras : pesquisador , crioulo-doido , crioulo , doido , racismo , cotas , brancos no samba , sambas antigos e atuais , Estanislau e Máximo . Brigo quando me denominam pesquisador e já vi no meio das autoridades oficiais do samba total repúdio aos ditos ?entre aspas ? ... e isso piorou com a cópia com recibo da internet veloz e irresponsável . Preconceito e discriminação dão debate , qualidade de sambas , estilos e marcas de escolas vide comentários meus junto de Luiz Fernando ... Quase direto ao ponto vou falar do Samba do Crioulo Doido : na época eu lia e conhecia Sérgio Porto e mais Sérgio Cabral , mas só eu era carnavalesco autor e negava este apelido . O samba devia se chamar DEU A LOUCA NO APRENDIZ DE COMPOSITOR e ser prefaciado assim : vendo os compositores escreverem sambas de enredo históricos para grandes desfiles um jovem estudante entrou para a ala de compositores e recebeu a sinopse do carnavalesco sobre a atual conjuntura e tomando umas e outras com a malandragem resolveu plagiar antigas jóias das escolas e diante da atual conjuntura pirou . Na época vi muitos sambistas e muitos negros revoltados com esta obra do SP e justamente tinham este direito sim .Tenho ótimos títulos de enredo como autor : Boi Bumbá Com Abóbora , POPÔ PAPÁ BUBÚ BABÁ , Enredo Sem Enredo , Me Acostumo Mas Não Me Amanso , Se Eu Não Cumprir Promessa Me Processa , Pare a BIG BANG BANG , Ouro Escravo etc .. Dando aula para jurados ou julgando enredos pelo Brasil sempre dou nota e valor na idéia e no título pois um título é a parte mais visível de uma obra e deve servir para chamar atenção para seu conteúdo . O título SCD seria bom se nomeasse uma obra onde o crioulo fosse um tipo heróico mestiço de tudo que desse uma solução ou crítica plausível como são meus heróis do Boi e Pôpo , como foi Mitavaí , a Cabrocha Lilí e até o exagero do mito Zumbi . Pecou tem culp
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