Mesmo quem não liga muito para música já ouviu falar em Woodstock. O motivo é simples. Woodstock foi muito mais do que um mero festival de música. Realizado entre os dias 15 e 17 de agosto de 1969, na cidade de Bethel, em Nova York, o festival foi o canto do cisne da década de 60, com todos os seus prós e contras. Se a Guerra do Vietnã explodia de um lado, por outro, havia um guitarrista como Jimi Hendrix. A contracultura ditava as regras, e os extremos marcaram os anos 60. E todos esses extremos foram personificados em Woodstock.
Tendo Michael Lang como um de seus idealizadores, o festival de Woodstock foi repleto de causos que nem uma enciclopédia seria capaz de dar conta. Até mesmo porque ninguém sabe dizer o que realmente aconteceu naqueles três dias, e o que foi inventado. (Isso porque, quase todo mundo lá estava doido o suficiente para não distinguir o real da fantasia.) Começando pelo público, nem Lang sabe dizer quantas pessoas compareceram ao festival. Foram vendidos pouco mais de 180 mil ingressos. Mas, por falta de estrutura, em determinado momento, não havia mais controle de entrada, e o evento tornou-se gratuito. Hoje, dizem que cerca de 400 mil pessoas estiveram (oficialmente) em Woodstock. (Mas é capaz de até o seu pai dizer que esteve lá...)
Como não havia a mínima condição de a fazenda de Max Yasgur comportar a grande quantidade de público, o caos tomou conta de Woodstock. Não havia nem banheiros e nem comida suficientes. Como se não bastasse, após a apresentação de Joe Cocker, no último dia de festival, um temporal desabou, o que quase acarretou na maior eletrocussão em massa da história.
Mas se ninguém morreu eletrocutado, a lama foi o suficiente para fazer a festa da galera. Se tiver dúvidas, dê uma olhada no documentário que foi lançado no ano seguinte do festival (faturando, inclusive, um Oscar), e que ganhou uma edição comemorativa, em DVD e Blu-Ray, há poucos meses, cheia de extras bacanas.
A relação de aristas que se apresentaram em Woodstock foi a seguinte:
Sexta-feira:
Richie Havens, Country Joe McDonald, John Sebastian, Sweetwater, Bert Sommer, Tim Hardin, Ravi Shankar, Melanie, Arlo Guthrie e Joan Baez.
Sábado:
Quill, The Keef Hartley Band, The Incredible String Band, Santana, Canned Heat, Mountain, Janis Joplin, Sly Stone, Grateful Dead, Creedence Clearwater Revival, The Who e Jefferson Airplane.
Domingo:
Joe Cocker, Country Joe and the Fish, Ten Years After, The Band, Crosby, Stills, Nash & Young, Blood, Sweat & Tears, Johnny Winter, Paul Butterfield Blues Band, Sha Na Na e Jimi Hendrix.
Abaixo, para comemorar os 40 anos de Woodstock, preparamos uma espécie de "Top 10", com os acontecimentos mais marcantes do festival que definiu os anos 60. Boa viagem!
1) Woodstock estava programado para começar às 16h do dia 15 de agosto de 1969. Acontece que, devido ao caos do trânsito, os artistas tiveram dificuldades para chegar à fazenda em Bethel. Solução? Pegar um artista que precisasse de apenas um violão, e que estivesse dando sopa nos bastidores. Às 17h, a incumbência recaiu sobre Richie Havens. Abaixo, a música de encerramento de seu "set", "Freedom", que foi composta na hora:
2) Country Joe McDonald foi outro artista que teve que encarar o público apenas com o seu violão. O show transcorria normalmente até McDonald iniciar o seu "grito de guerra": "Me deem um F! Me deem um U! Me deem um C! Me deem um K!". Pode parecer pouco, mas não imagine que em 1969 as pessoas falassem "fuck" com tanta naturalidade. A reação da plateia pode ser vista logo abaixo, juntamente com a canção "I Feel Like I'm Fixin' To Die Rag", que encerrou o show de Country Joe McDonald. Uma curiosidade é que, anos depois, foi realizado um simpósio, no qual diversos artistas participantes do festival falavam sobre suas experiências. Quando chegou a vez de Joe McDonald, ele disse apenas uma frase: "Me deem um F!". Era o suficiente.
3) A primeira noite de Woodstock foi essencialmente acústica. E para fechar com chave de ouro, nada melhor que Joan Baez, que, grávida, fez um dos shows mais comoventes do festival. Entre as suas belas canções, a cantora ainda denunciou a prisão abusiva de seu marido (por ter se recusado a entrar para as Forças Armadas), e detonou a Guerra do Vietnã. "Joe Hill" é uma das canções que fazem parte do documentário "Woodstock", dirigido por Michael Wadleigh, e lançado em 1970.
4) Já em Woodstock existia aquela velha história de colocar uma banda em cima do palco por ser empresariada pelo amigo do amigo do produtor que é primo do idealizador do festival. Pois bem, uma dessas bandas foi o Santana, que, apesar de ainda não ter nem lançado o seu álbum de estreia, fez um dos shows mais alucinantes do festival. Duvida? Veja "Soul Sacrifice" logo abaixo:
5) Assim como Jim Morrison e Jimi Hendrix, Janis Joplin morreu aos 27 anos de idade. Mas não foi só a emblemática (e trágica) idade que marcou a vida da cantora. Considerada uma das maiores cantoras de rock e blues de todos os tempos, Janis Joplin foi uma das estrelas de Woodstock. Tudo bem que ela não estava nos seus melhores dias. A voz falhou e a banda que então a acompanhava - a Kozmic Blues Band - não era das melhores, mas mesmo assim, a cantora se destacou em Woodstock, como pode ser visto em "Work Me, Lord":
6) "I wanna take you higher"... A plateia responde: "Higher!". Como em um verdadeiro culto religioso, Sly Stone foi o "pastor" de Woodstock. A sua interação com a plateia foi um dos pontos altos do festival, conforme pode ser visto no vídeo abaixo, que conta com a dobradinha "Dance To The Music / I Want To Take You Higher":
7) Antes de começar a tocar "Pinball Wizard", da ópera-rock "Tommy", o palco em que se apresentava o The Who foi "invadido" pelo político Abbie Hoffman, que trabalhava como voluntário em uma das tendas médicas do festival. Abbie aproveitou um rápido intervalo no qual Pete Townshend trocava a guitarra e iniciou um discurso político raivoso por conta da prisão de um correligionário, acusado de porte de drogas. Mas quem ficou mesmo com raiva foi Pete, que expulsou o invasor debaixo de guitarradas. Esse acontecimento não foi filmado por Michael Wadleigh. Mas, em compensação, o sol nascendo durante "See Me, Feel Me", foi. Com a palavra, o vocalista Roger Daltrey: "O sol nascendo em 'See Me, Feel Me' é a melhor. Quer dizer, foi uma experiência incrível. Assim que as palavras 'see me' saíram da minha boca no final de Tommy, aquele enorme e vermelho sol de agosto começou a surgir no horizonte sobre a multidão. É um show de luz imbatível!".
8) Antes de cair o temporal que enlameou a fazenda de Bethel, um verdadeiro trovão explodiu. E não foi no céu. O trovão estava bem lá no palco, materializado na voz rouca de Joe Cocker. Com o seu "balé de dedos", o cantor fez uma interpretação visceral de "With a Little Help From My Friends", clássico dos Beatles. Como disse Dale Bell, um dos produtores do documentário "Woodstock", "Joe Cocker deve ter tido uns quatro enfartes quando cantou 'With a Little Help From My Friends'". Analisando o vídeo abaixo, é possível concluir que ele teve muito mais do que quatro enfartes...
9) Uma das principais atrações de Woodstock, Crosby, Stills, Nash And Young fez um dos shows mais perfeitos e aplaudidos do festival. Quer ver? Então curta "Wooden Ships":
10) Sobre o show de Jimi Hendrix em Woodstock, muito já foi falado, inclusive aqui no site
. Devido ao atraso na programação, o guitarrista só conseguiu iniciar a sua apresentação na manhã de segunda-feira, dia 18 de agosto de 1969. Somente 35 mil pessoas puderam assistir ao show. O resto deve ter ficado mais preocupado com o trabalho... Será que eles se arrependem? Em seguida, para encerrar esse "Top 10", o vídeo de Jimi Hendrix exorcizando a guerra do Vietnã com a sua versão enfurecida para "The Star-Spangled Banner":
manoel vieira
14/12/2009 20:00:49
parabems nunca imaginei poderia ainda ver um espetaculo tão bonito.obrigado.
Ingrid
Membro SRZD desde 02/12/2009
21/08/2009 19:14:29
Como que eu queria ter nascido antes dos anos 60... Anos 90 não foi legal pra música...:(
Pedro Henriques
17/08/2009 00:53:01
Eu sinceramente trocaria todos os shows que eu já fui pela apresentação da Band of Gypsys, ou Jimi Hendrix Experience, como calhar. Mas como fui afortunado (será?) em nascer no século XXI, não tive a oportunidade, embora o DVD do show me de uma (pouco) boa idéia do que eu perdi. Mas, de maior relevância que as históricas apresentações, apenas o fato de que 40 anos depois, a realidade continua a mesma e o sonho hippie foi por água abaixo.
puto de raiva por nao ter esdtado lá
15/08/2009 19:44:49
Meu Deus QUE sempre foi muito justo comigo, vacilou apenas quando deveria ter me deixado de paraquedas com meus 18 anos lá em Wood Stock, com o bolso cheio de erva, e LSD,. Salve Jimi, Jim e Joplin, dia igual, não acontecerá...
earle
15/08/2009 07:33:08
Eu que tinha 13 anos na epoca, somente ouvia falar, sobre este fato historico. Hoje agora estou vendo e lendo é Fantastico, muito bom. Parabens e obrigado pela oportunidade.








Comentários (5)