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Qual o motivo do sorteio?

Luiz Fernando Reis | Luiz Fernando | 02/07/2009 16:02

Qualquer semelhança dessa matéria com a matéria publicada nesse mesmo período do ano passado não será mera coincidência. Será intencional. E não é por falta de assunto, apenas acredito de verdade nessa minha proposta. Como o mundo do samba reedita sambas-enredo, permito reeditar essa matéria fazendo as devidas correções.

Sorteio depende de sorte e como sorte nunca foi o meu forte, nunca gostei desse tipo de seleção. Se eu peço par dá ímpar, se eu peço ímpar dá par. Se na roleta escolho preto dá vermelho, se escolho vermelho dá preto. Enfim, eu sou um autêntico exemplar de azarado.

Qual o motivo da sorte ser o orientador da ordem de desfiles? Se esse espetáculo depende de talento, de samba, de ritmo, de beleza, bom gosto e criatividade, porque a sorte deve influenciá-lo? Com certeza, ela acaba por influenciá-lo. 

Eu nunca vi uma escola de samba escolher seu mestre-sala ou sua porta-bandeira por sorteio. Nunca um carnavalesco escolhido com mão no saco. Também nunca vi um samba-enredo ser escolhido por sorteio. A escolha sempre leva em consideração o talento e o desempenho do profissional. E no caso do samba-enredo o que melhor se adaptar ao desfile da escola. E porque devemos sortear a ordem de nossos desfiles?

E porque não podemos premiar o desempenho das escolas do ano anterior como o grande parâmetro para a escolha da ordem de desfiles? Não precisamos de sorteio algum. As próprias escolas, a partir de critérios, por elas mesmas determinados, escolherão suas ordens de desfiles.

Criei para o Grupo Especial um critério, que em nenhum momento se propõe a ser o correto, o verdadeiro ou o ideal, apenas o utilizarei para mostrar como os sorteios me parecem totalmente desnecessários. 

A primeira escola a escolher sua posição de desfile seria a campeã do Grupo Especial do ano anterior. Neste caso, seria a Acadêmicos do Salgueiro a primeira escola a escolher sua posição e seu dia de desfile. Imaginemos que a escola tijucana escolhesse a segunda-feira e sendo a quarta escola a desfilar.

A segunda escola a escolher sua posição seria a vice-campeã do ano anterior. E nesse ano seria a Beija-Flor a fazer a segunda escolha. Imaginemos que a escola de Nilópolis preferisse também a segunda-feira, mas não colada na campeã Salgueiro e optasse por ser a sexta escola a desfilar no último dia de carnaval.

E nesse momento entraria em cena uma regulamentação específica para esse tipo de escolha: A diferença entre a quantidade de escolas de um dia e de outro nunca poderá ser maior que dois. Com isso, a terceira colocada no ano anterior, em nosso exemplo, a Portela teria que, obrigatoriamente, escolher o domingo como seu dia de desfile. Isso faz com que haja um maior equilíbrio entre os dois dias de desfile. Vamos supor que a Portela escolhesse a quarta posição de domingo de carnaval.

A quarta escola a escolher sua posição seria a quarta colocada do Especial do ano anterior. E nesse caso seria a Unidos de Vila Isabel. Como a diferença entre as quantidades de escolas de um dia e outro é agora de 1, a escola do bairro de Noel poderia escolher qualquer um dos dois dias de desfile. Se ela escolher desfilar na segunda, ele enfrentará num mesmo dia a campeã e a vice do ano anterior e isso pode não ser muito interessante. Se preferir o Domingo, lá estará a terceira colocada, Portela. E aí me parece uma situação bastante interessante: a escola determinará, independente da sorte, uma estratégia de desfile. Enfrentar as duas melhores colocadas no ano anterior num dia aparentemente melhor - a segunda-feira ou em um dia considerando mais fraco, mas enfrentando diretamente a terceira colocada no ano anterior. Considero essa escolha de estratégia muito salutar para o mundo do samba.

E assim continuaria nossa escolha, sempre respeitando que a diferença entre as quantidades de escolas de um dia e outro nunca ultrapasse o valor 2, sempre seguindo a ordem de classificação do ano anterior.

A última escola a escolher seria, nesse caso, a Mocidade, penúltima colocada em 2009. Restando para a campeã do Grupo A, em 2009, a União da Ilha a derradeira vaga na ordem de desfile.

Aparentemente essa forma de escolha parece ser complicada, mas aos poucos o seu entendimento acontecerá e deixaremos de ter o sorteio também no Grupo Especial.

Mas uma coisa merece ser elogiada no critério de sorteio da LIESA, ela tenta equilibrar as escolas de uma maneira bastante eficiente e, de certa maneira, tem conseguido isso com os pares equilibrados de escolas. Outra novidade que merece nosso elogio no sorteio desse ano foi a determinação de que escolas de grandes torcidas fechassem os desfiles de domingo e segunda. Nada mais triste para um sambista que desfilar para um público pequeno.

Mas faço uma crítica para LIESA. E isso ficou bem claro nessa minha proposta de extinção dos sorteios. Lamentei muito o fato da campeã de 2009, o Salgueiro, não ter sido privilegiado com a escolha de seu dia e horário de desfile. Ela e toda escola campeã merece essa premiação extra.

Mas uma coisa continua me entristecendo. Essa festa não poderia ser fechada, ela poderia e deveria ser aberta ao público, não na Cidade do Samba, mas na Apoteose, por exemplo. E como encerramento da festa uma grande noite de samba para todos nós, pobres sambistas.

Um abraço reeditado
Luiz Fernando Reis