SRZD

Abrindo os olhos

Eugênio Leal | Eugênio Leal | 01/07/2009 16:21

Parece que as escolas perceberam a importância de bons enredos para o sucesso do carnaval. Como mostrei através da análise das notas este é o segundo quesito mais "canetado" pelos julgadores. E dele derivam outros, como samba-enredo, alegorias e fantasias - sem falar em conjunto e comissão de frente. Posso afirmar sem medo que teremos no próximo carnaval a melhor safra de enredos do milênio. Pode ser a virada, a volta por cima que nossa festa precisava para ser mais atraente na parte artística. 

Mais uma rodada de boas sinopses saiu desde a última coluna. Salgueiro, Beija-Flor, Grande Rio, Mocidade e, principalmente, Império Serrano me fizeram acreditar ainda mais que teremos um belo desfile em 2010.

O campeão Salgueiro descobriu um caminho interessante para nos brindar com um belo espetáculo visual. As histórias que recheiam os livros citados indiretamente na sinopse são repletas de imagens fantásticas que devem nos deixar de boca aberta na avenida através do talento de Renato Lage. Falar de literatura é falar de sonho, de imaginação, delírio. Tem tudo a ver com o carnaval. 

A Beija-Flor paga o preço do enredo patrocinado e por isso tem um tema mais quadrado, mas que é melhor que a maioria dos demais temas "encomendados". E porque é melhor: a sinopse encontra um caminho poético interessante que dá subsídio aos compositores para que componham bons sambas. Com o talento de seus carnavalescos a escola da baixada tem tudo para realizar mais um carnaval muito forte.

Na última coluna, eu disse que a Grande Rio teria trabalho para inserir o camarote no enredo sobre a passarela do samba. Para o bem de nós, sambistas, eles conseguiram desenvolver o tema deixando de lado o patrocinador. Não é nada de novo - já vimos idéias parecidas antes. Não tem um recorte definido, um fio condutor. Mas fala de carnaval, a nossa paixão. E faz homenagens muito justas, como a do Renato Sorriso. Me ganhou: vai ser interessante.

A Mocidade tem um enredo que lembra os anos oitenta, quando os carnavalescos tinham maior liberdade de criação. E isso me agrada muito. É um tema cheio de devaneios que misturam diferentes períodos da história e situações, em princípio, heterogêneas. É, entretanto, muito bem amarrado em cima da busca pelo paraíso de cada um. Tem história, tem crítica, dá margem a imagens fortes e diferentes. Mais um ponto para Cid Carvalho. 

Deixei o Império Serrano por último não por acaso nem por ele estar no Grupo de Acesso, mas porque até agora foi a sinopse que mais me encantou - e olha que eu gostei de quase todas!

O tema é um achado! O texto nos faz viajar por diferentes momentos da nossa cidade e vislumbrar o que será apresentado na avenida: a encantadora alma das ruas da cidade. Amo o Rio de Janeiro e sua história. O Império não poderia estar melhor representado no quesito.