Direitos Autorais X Internet: quem ganha?
| Jacqueline Sobral | 30/06/2009 11:02
O artigo do Ali Kamel, na edição de hoje do jornal O Globo, aborda a questão do direito autoral nesta nossa era do control C, control V.
Ele começa o texto afirmando que, enquanto as empresas sérias de comunicação, incluindo jornais e TVs, pagam para reproduzir artigos e materiais de publicações estrangeiras, centenas de cópias não autorizadas circulam pela internet a cada minuto.
"Trata-se de um efeito colateral de uma das mais ricas revoluções que a era digital permitiu", afirma Kamel. "Ao criar as ferramentas para que as pessoas ponham na internet o que bem entendam, essa revolução pôs em marcha um poderoso canal para expressão de ideias e formação de comunidades. Mas, ao mesmo tempo, essas mesmas ferramentas se tornaram num, até aqui, incontrolável instrumento de pirataria em massa", defende.
Logo depois, o jornalista cita o fato de que as empresas que fornecem as ferramentas para blogs, compartilhamento de vídeos, etc., recorrem ao Digital Millennium Copyright Act (DMCA) - Lei dos Direitos Autorais no Milênio Digital - para se eximirem da responsabilidade sobre o conteúdo divulgado por seus usuários. Essa legislação afirma que os provedores de acesso estão imunes a processos por infração de direitos autorais desde que retirem cópias piratas de seus sites, se receberem uma notificação para isso.
A crítica de Kamel está na desatualização dessa lei, já que a mesma foi criada em 1996, quando ainda não existia o Google, o Blogger, o Orkut e o Facebook. Se uma emissora de TV descobrir que existem, sei lá, 500 mil vídeos no You Tube feitos a partir de sua programação, não pode apenas dizer "não quero nenhum material meu nesse site". A reclamação precisa ser feita caso a caso, vídeo por vídeo. O que o jornalista alega é: é humanamente impossível fazer isso, com a quantidade de conteúdo que circula hoje em dia no mundo virtual.
"Sites como You Tube, Facebook e de blogs são realmente fascinantes, e hoje, indispensáveis. Mas é preciso encontrar uma maneira de proteger o copyright, sob pena de degradar a qualidade do que se produz. Não se pode ser indispensável à custa dos outros."
Humm... Se você coloca no You Tube um trecho de um filmaço que estava no DVD que você acabou de comprar e mais de 100 mil pessoas acabam assistindo e se interessando por ele, a ponto de várias alugarem o tal longa para ver na íntegra em casa... A produtora responsável pelo filme está ganhando ou perdendo com tal popularidade?
Essa discussão é bem polêmica, né!? Não tenho uma opinião formada sobre o tema, e, sinceramente, quem vai conseguir parar esse trem? Uma lei?
Só sei que sou contra censurar o acesso, como vem ocorrendo com os iranianos, assim como sou contra divulgar material alheio SEM citar a fonte. Isso, com certeza, acho um absurdo. Ali Kamel, citei você direitinho, viu?

Postado por:Fernando dos Santos Curi | 13/07/2009 13:56:21
Jackeline: É para botar lenha na fogueira. Gasolina no incêndio. Já imaginou o processo de interação e integração cultural promovido pela "pirataria" via Internet? Claro que é um caso a ser pensado. E com muito interesse e cuidado. Com certeza absoluta, apesar do afetamento dos interesses dos autores de quaisquer obras, o papel da Internet na troca de culturas, conhecimentos, relacionamentos, etc., etc. é tão grande e irreversível que não podemos nos isentar de reconhecer que a pirataria tem papel preponderante no processo. Certamente seria esse asunto um belo prato cheio para estudiosos em defesa de teses e que muito contribuiriam para entendimento da questão. Lucros indevidos a parte, o pirata é hoje um grande agente de divulgação. Fernando Curi (Curitiba)
Postado por:Ricardo Mello | 03/07/2009 15:38:21
Ia comentar exatamente o que o Ali Kamel comentou. Mas ele chegou primeiro. Concordo plenamente com ele. Essa história de "estou divulgando" sua produção é tão velho quanto Gutenberg. Abraços, Ricardo

Postado por:São beto | 01/07/2009 12:10:55
O pior de tudo isso é que as entidades arrecadadouras estão recolhendo os nossos devidos direitos autorais, contratos de autorização de dawloads e tudo mais, apenas o criador esta tendo prejuízos pois, não tem como conferir o que foi vendido ou executado, sei o que estou falando, sou editor e recebo diariamente a movimentação destes negócios, o recolhimento é feito pelo montante (boleto bancario) e não com o nome da obra como manda a lei o que impossibilita acompanhar o aproveitamento econômico das obras, portanto estes sites estão sim autorizados para colocar na rede o que eles bem quizerem, e aqueles que não estão, sedo ou tarde vão ter que pagar, repito, apenas o criador fica fora de tudo isso.
Postado por:Jacqueline Sobral | 30/06/2009 13:21:27
Que visita ilustre!!!! :) Ali KAMEL, já tirei o h que tinha colocado a mais no seu nome... Um forte abraço!
Postado por:ali kamel | 30/06/2009 11:55:58
Citou, mas pode dar a íntegra do artigo. Eu autorizo!! Sempre autorizo. Obrigado, grande abraço. PS: Se você coloca a íntegra do DVD, quem ganha é a pirataria, porque o boca a boca vai ser: na internet tem de graça e em boa qualidade. Se a Justiça americana der ganho de causa à Viacom, muita gente vai pensar duas vezes antes de piratear o conteúdo alheio, creio eu. Abraços. Kamel, e não Khamel.


Cuidado com o que você escreve. PLEASE.



