O cantor Michael Jackson é o mais original, ousado e corajoso artista contemporâneo. Talvez no patamar de celebridades eternizadas como Elvis Presley e Marylin Monroe. Sou aficcionado por Bob Dylan, mas nada é igual a Jackson. Ele era o cara.
Um ser humano aflito, suspeito de ser pedófilo e, nitidamente, infeliz consigo mesmo. Ele trilhou na vida seus descaminhos interiores porque foi um explorado por seu pai. Um Pai Patrão aos moldes do personagem central do filme dos irmãos Taviani. Não teve infância e por isso perseguiu, anos a fio, a infância dos outros.
Já que estamos falando de alguém com perfil único, me ocorre uma passagem contada por Lisa Presley, filha de Elvis, e que se passou por mulher oficial do ex-vocalista do Jackson Five.
Em meio a críticas pessoais ferozes, Lisa enfrentou os autores das saraivadas. Os críticos que nunca aceitaram a transformação de negro africano com nariz batata para um embraquecido com nariz feminino, tiveram algo mais a pensar. "Ele é um artista. O seu corpo sua escultura. Ele pode fazer o que quiser. Queiramos ou não", desabafou Lisa.