Fotografias, memórias e diploma (I)
Soares Júnior | Soares Júnior | 23/06/2009 13:15
Como o I do título sugere, tratarei do mesmo tema nos dois próximos textos. Rico e extenso tema, meu amigo Paulo Araújo. Vamos à apresentação clássica. Paulinho tem 46 anos, três filhos, um neto e uma união cúmplice e amorosa com Luciana, há mais de 20 anos. Paulinho tem 30 anos de carreira, por trás das lentes de uma máquina fotográfica. Só no jornal o Dia, Paulo tem 25 anos. Bacharel em Teologia, ele realizou há uma semana um grande sonho. Entregou sua monografia para a conclusão do curso de Jornalismo.
Fui professor do Paulo em três disciplinas, aluno aplicado, chegava com olheiras e um indefectível sorriso. Não negava ajuda aos companheiros de turma e tinha sempre uma boa história na ponta da língua, que deixava os intervalos de aula muito mais engraçados.
Quando me deparei com Paulinho numa aula, sexta à noite, de 21 às 23 horas, não acreditei. Eu já o conhecia há muito tempo, das coberturas em favelas, delegacias e carnavais.
Pois é, mesmo tendo mais de 20 anos de carreira numa grande redação, Paulo não desistiu do sonho de conseguir o diploma. Até a terça-feira, 16 de junho foi um longo caminho. Ele ingressou na faculdade em 1983, nesses 26 anos,ele entrou e saiu da universidade algumas vezes. Além das dificuldades de criar os filhos, ainda teve que enfrentar um chefe que dizia que fotógrafo não precisava estudar. Ainda bem que o Paulinho não ouviu.
No dia 17 de junho, portanto o dia seguinte após a defesa da monografia, Paulinho acompanhou a decisão do Supremo de acabar com a obrigatoriedade do diploma. No jornal, o comentário sarcástico: "Só esperaram você acabar a faculdade para o diploma cair, que pé frio".
De azarado, Paulinho nada tem. Ele sobreviveu a uma queda de helicóptero.
Com uma equipe, Paulo foi cobrir a retirada ilegal de areia na Região dos Lagos. Superprodução, repórteres, helicóptero, aventura. Ao chegar num determinado ponto de extração, o piloto fez um pouso rápido. Os repórteres saltaram. Com a inseparável máquina ao lado, Paulinho demorou um pouco. Pensando já terem partido todos, o piloto voltou a decolar, Paulinho no meio do caminho caiu. Resultado: quebrou os dez dedos dos pés. Se azarado fosse, não poderia ter contado a história: "Quando estava caindo, fiquei com medo da hélice de trás".
Imperdíveis são as histórias em favelas. Neste texto vou contar uma só. Há muito tempo, quando jornalistas ainda podiam entrar nas comunidades, ele foi fazer uma matéria na Rocinha. O código era o seguinte: o motorista piscava duas vezes o farol e os traficantes permitiam a entrada.
Naquele dia Paulinho não teve muita sorte. Os códigos foram seguidos, porém ele se deparou com um dos "soldados" trincado, como se diz na gíria. O bandido pediu que Paulo se aproximasse, a surpresa não foi agradável: "o cara botou a pistola na minha boca e disse que estava 'bolado' comigo. Eu tive ânsia de vômito e não podia falar nada. Quando o chefe da quadrilha chegou tirou a arma da minha boca e quase quebra meu dente".
Ser professor me deu oportunidade de conhecer este grande personagem. Por isso fiquei muito feliz, quando tocou meu telefone e eu ouvi: "Soares, é o Paulinho, defendi a monografia, vou me formar". Parabéns Paulo pela decisão de se aperfeiçoar e de não ter escutado aquele chefe que dizia que fotógrafo não precisa estudar. Na próxima coluna, mais histórias do meu amigo Paulo.
Até breve.
Postado por:Norberto Oliveira da Silva | 27/07/2009 12:01:26
Este seu artigo sobre o Paulinho é muito oportuno faz nos refletir a condição que leva umas emissora de televisão apresentar programas como o CQC e o Panico na TV tirando oportunidade de jornalistas mas sérios de entrevistar politicos e artistas com seriedade e respeito ao contribuinte que somos nós ja que o CANAL DE TELEVISÃO é uma CONCESSÃO concedida pelo governo. AS QUESTÕES POLICAS E SOCIAIS são menos sérias e é esatamente que eles pretende que os JORNALISTAS não venha ater uma formação CAPACITADA E RESPEITADA. Os cursos de formação de JORNALISMO tem obtido a formação de grandes novos JORNALISTAS adquirindo experiencias de grandes professores da AREA a SIM COMO VOCÊ MEU AMIGO. O QUE O PODER TEM É MEDO O QUE VOCÊS FAZEM É COLOCAR O DEDO NA FERIDA DELES. UM FORTE ABRAÇO
Postado por:Marianna | 29/06/2009 21:09:35
Aluna de um e colega de faculdade do outro... é com grande admiração que saudo esse texto... e faço tbm um apelo: Soares, volta p unesa... nós alunos sentimos mto a sua falta. bjs
Postado por:Cristiana Richard | 27/06/2009 19:55:37
Sempre é um prazer escutar histórias de Paulinho e Soares Jr. Duas figuras inesquecíveis dos tempos de faculdade. Tive o prazer de assistir a defesa do Paulinho e ver os professores emocionados. Belo momento de uma pessoa com garra e muito doce. Paulinho, parabéns pelo trabalho que ficou muito bom! Eu disse que você ia tirar dez! Soares, parabéns pelo texto!
Postado por:Isabela Marinho Rangel | 25/06/2009 13:58:51
Bela história, emocionante! Serve pra provar que avidez por conhecimento, nunca é demais. E a queda do diploma será so mais um fato. Assim esperamos. Jornalismo só se move por quem tem curiosidade, sede de conhecimento, aprendizado, relatos e etc.
Postado por:Fernanda Carreira | 25/06/2009 13:39:00
Paulinho é figura queridíssima entre os colegas da Estácio, sempre com mil histórias (me lembra você) e sempre muito solícito. Parabéns pela homenagem e formatura desse novo colega diplomado. Beijos e saudades.
Postado por:Paulo Araújo. | 25/06/2009 11:35:42
Grande Soares Júnior, meu grande mestre!!! Fiquei feliz com a homenagem. E ontem mesmo após a publicação os colegas das emissoras de televisão já estavam comentando o artigo Fotografias, memórias, e diploma (I). Todos gostaram muito. Ficou sensacional. Também com um texto tão maravilhoso deste o meu "drama" faz a gente até rir. Valeu professôr. E parabéns pelo o sucesso de seu blog. Beijos no coração.
Postado por:Alexandre Chaves Santa Rita | 25/06/2009 10:16:56
Ao mestre com carinho... Parceiraço Paulinho. Lembro-me dos bate-papos que tínhamos na lanchonete do Sérgio e como eu me impressionava de ver uma pessoa com um currículo como o dele ter uma simplicidade tão peculiar ao contar as suas inúmeras histórias como se fosse a primeira aventura da carreira. Quando minha mulher me disse que tinha feito essa homenagem a essa grande pessoa não me surpreendi, pois sei que uma homenagem merecida como essa faz parte da sua sensibilidade para com as pessoas mesclado a admiração que todos temos pelo paulinho. Grande Creso (ele deve odiar esse nome) meu sentimento foi de satisfação de ter tido na graduação ao meu lado duas pessoas tão especiais e amigas Mestre Creso. Amigo, flamenguista e excelente profissional. Parabéns pelas palavras. Grande Abraço
Postado por:Bruna Oliveira | 24/06/2009 14:34:10
Justa homenagem!! Parabéns, Paulinho. Eu estudei ao lado dele e posso afirmar que é uma inspiração. Parabéns a você também Soares pela sua coluna... Adorei!! Bjs
Postado por:Lorena Matos | 24/06/2009 14:33:41
Fui colega de turma do Paulinho em vária aulas. Estudei inclusive na turma de sexta à noite citada na matéria. Meu comentário é apenas para atestar a pessoa maravilhosa que o Paulinho é, e que a a luta dele pelo diploma foi um grande estímulo para todos nós que o conhecemos. Foi um grande prazer conhecê-lo e fazer parte da turma de formandos da qual ele faz parte!
Postado por:Juliana d'Arêde | 24/06/2009 13:21:02
Histórias e pessoas assim é que me fazem ter orgulho e cada vez mais certeza de que eu fiz a escolha certa ao querer seguir o jornalismo como profissão, desde pequena. Soares, amei o texto e a linda homenagem. Adoraria conhecer esse Paulinho um dia e ouvir suas histórias!
Postado por:Erick van-Erven | 24/06/2009 11:09:59
Paulinho é um grande irmão, acompanhei de perto todo seu sacrifício e digo com propriedade que ele mereceu o diploma. O sacrifício ou sagrado ofício nos torna melhores e mais preparados. Gostaria que um dia meu filho tivesse aulas na faculdade com um cara como Paulinho, sei que se tornaria um bom profissional. O diploma é importante na vida profissional de um cara, mas o que define se ele é bom ou não, é o que carrega no peito. Abração Paulinho e parabens.
Postado por:Lívia Bonard | 24/06/2009 10:10:27
Me emocionei de verdade com essa bela homenagem, Creso. São histórias como a do Paulinho que nos fazem ter orgulho da profissão que escolhemos.
Postado por:Vanessa Pedra | 24/06/2009 01:47:35
Oi mestre! Paulinho é mesmo figura ilustre, na faculdade, na redação e por onde quer que passe... tive o prazer de ser colega de classe dele por algumas vezes. Bacana saber que ele se formou, sobretudo porque ele é mais um que acredita que o dedicado universitário hoje, será o grande jornalista amanhã. E que apurar, redigir, editar e publicar são sérias etapas de um processo que exige muito mais do que "intimidade com a palavra". P.S.: eu fui sua quase aluna no Rebouças. Aquela que já havia cursado radiojornalismo, mas teve o prazer de assitir duas ou três aulas sem estar matriculada... rsrssrs Kisses
Postado por:Mariana Malta (Rebouças-noite) | 23/06/2009 23:55:47
Grande Soares! Para quem conhece Paulinho sabe que é uma merecida homenagem!!! Cheguei a fazer projetos 3 com ele e fiquei mais feliz quando soube que além de uma história rica atrelada ao jornalismo, Paulinho dedicou a sua pesquisa ao pai... Ele, sem dúvida alguma, será um amigo que levarei para sempre em meu coração! Já eu, só período que vem...Abortei a mono, para dar a luz no próximo semestre...Mas espero fazer bonito como Paulinho! Além disso...correndo atrás de emprego...quase lá, logo logo eu agarro a chance! Soares, muitas saudades... Eu, Laura, Devecchi e companhia vamos organizar um churrasco para celebrar a formatura... Você será convidado de honra hein! Bjs Mari Malta

Postado por:Laura Machado | 23/06/2009 23:27:00
Eu tive a sorte de conhecer vcs dois nessa turma com horário SUPER VIP...rs Afinal, as aulas não eram apenas na sexta-feira, mas tb na quinta no mesmo horário (21h às 23h), por isso tinhamos os "causos do Paulinho" em dobro neste período em conjunto com os do então professor Soares Jr... Foi um privilégio que se repetiu por mais algumas disciplinas.... Apesar do STF no dia seguinte da nossa defesa ter decidido pela não obrigatoriedade do diploma para o curso.. Fazer faculdade vale para isso.. encontrar pessoas que farão a diferença na sua vida.. Paulinho, parabéns pela nota 10 e por ter levado a banca as lágrimas.. VC MERECE!!!! Agora a gente se esbarra pela rua, nas pautas pela vida e não mais apenas pela faculdade... Soares, aguardo seu próximo texto... Saudades dos horários vips e dos "causos" dos dois....ehehe Bjos

















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