A receita de um diploma
Soares Júnior | Soares Júnior | 18/06/2009 18:32
Meu filho Pedro adora meu molho de cachorro quente. Além das óbvias presenças de cebola e sal e molho de tomate, coloco leite e açúcar. Dá uma consistência e um sabor legal. Posso ser um bom chef. Tenho opinião sobre tudo, com um bom curso de extensão em Direito, devo poder ser juiz. Por exemplo, banqueiro pego pela Polícia Federal envolvido e corrupção deve ir para cadeia, não é ministro?
A sociedade como um todo acaba de ser punida pela decisão do Supremo Tribunal Federal de acabar com a obrigatoriedade do diploma para a profissão de jornalismo. Com todo respeito aos chefs, mas o molho mal feito acaba com a reputação dele mesmo, do restaurante e provoca uma intoxicação alimentar. A má formação do jornalismo pode prejudicar a população e não só alguns estômagos.
Em certa ocasião, eu exaltava o talento do jogador Roger (Secco). Ficava impressionado com o talento dele com a perna esquerda. Tricolor militante, Mauro Silveira me disse uma frase que adotei como mantra: Talento é apenas um dos aspectos que compõem o bom profissional.
Sou jornalista formado, agradeço aos mestres que me fizeram "viajar" na universidade. Meu orientador, Paulo Roberto Pires, meu professor de Radiojornalismo, Fernando Mansur, além dos outros que me fizeram crescer tecnicamente antes de enfrentar o mercado de trabalho.
Acredito na faculdade como o local de construção do pensamento, quando estou na sala de aula, brigo contra os que querem se tornar "apertadores de parafuso". Fiquei decepcionado ao ouvir Boris Casoy dizer que a decisão é boa, pois a exigência do diploma para jornalista é como se só pudessem ser escritores quem têm diploma. O típico raciocínio tacanho daqueles que acreditam que jornalismo só se aprende na redação. A gente também aprende lá, minha experiência de vida comprovou.
Postado por:Priscila Dalcin | 15/07/2009 19:02:43
Em tempo: o talento do Boris Casoy é indiscutível mas o seu posicionamento em relação a essa questão reflete apenas a sua formação profissional, de VETERINÁRIO.
Postado por:Priscila Dalcin | 15/07/2009 18:39:46
Prezado ex-professor Soares Jr., Com você tive boas aulas e delas me lembro bem, apesar de não possuir talento algum para radiojornalismo. Enfim, é muito bom saber que aqueles que ajudaram a formar a minha concepção do que é ser jornalista compartilham a mesma opinião que a minha. Além disso, não posso deixar de citar um causo muito interessante que vivenciei: estagiava em uma grande emissora de televisão e, com a ansiedade natural desta fase, sempre pedia para fazer externas, links, reportagens, e sempre me negavam, alegando que eu não era formada e por isso não podia nem mesmo aparecer. Então eu argumentava que podia ser apenas um povo fala, mas nunca tinha meus anseios atendidos. Para piorar, certo dia me chega um "currículo" na Chefia de Reportagem: um DVD com os dados da candidata colados em uma folha na capa do DVD. Eis as habilidades jornalísticas dela: Foto, nome, altura, peso, busto, cintura, quadril... Advinhe o que aconteceu? A criatura foi fazer reportagem especial na rua! Eu, estudante, séria e dedicada ao jornalismo, tive minhas oportunidades negadas sabe-se lá o porquê. E assim continuei, até que saí da emissora. Felizmente meu currículo atualmente está repleto de experiências - JORNALÍSTICAS!

Postado por:Mônica Machado Torres | 26/06/2009 19:42:58
Parece que nossos colegas de profissão não dão valor ao diploma, vamos ver daqui para frente.
Postado por:Colin Foster | 22/06/2009 16:25:56
Grande Soares, quanto tempo! Que bom ver alguém falando sobre esse tema. Cheguei até a mandar e-mails pedindo para jornalistas comentarem esse assunto, mas não obtive sequer resposta, o que demonstra falta de interesse no futuro da profissão, no futuro dos "focas". Então fico feliz de ver suas palavras aqui, pois é uma pessoa que respeito muito, e que teve grande importância no meu crescimento profissional, que está apenas no começo. Concordo com suas palavras sobre a obrigatoriedade do diploma, entretanto penso que essa decisão - que considero longe de ser boa - pode ajudar, por exemplo, a diminuir o número de faculdades caça-níqueis que existem aos montes por aí. Agora os cursos, espero, vão focar mais na parte prática, que a cada semestre é menor nas faculdades. Tudo bem, teorias são importantes, mas não tanto como a prática. Faculdade é o lugar para aprender, errar, praticar. E isso falta muito hoje em dia, digo por experiência própria. Acredito, já que a decisão do STF é irrevogável, ser necessária uma regulamentarização, como por exemplo a questão da remuneração. A meu ver, jornalistas diplomados deveriam receber de uma forma, pessoas com outros cursos superiores de outra forma, e aqueles "talentosos e interessados" ficariam num nível mais abaixo ainda. Assim, manteríamos a motivação dos alunos em se formar como jornalistas. Liberdade de expressão, apenas por liberdade de expressão, é um absurdo. A sociedade é prejudicada. Afinal, trabalhamos para os leitores, e não apenas para nós. Grande abraço, Soares!!!
Postado por:Pedro Ayres | 20/06/2009 22:39:52
Creso, quem freqüenta uma faculdade que tem professores engajados como você está ferido com (mais) essa do Gilmar Mendes, na figura de presidente do STF. Mas a ferida está, ao mesmo tempo, medicada...pois há a certeza de que o seu trabalho e de tantos outros mestres de verdade não é descartável. A propósito, acabo de comer um cachorro quente indigno dos grandes chefs de cozinha. Há receitas e receitas. Há professores e professores. Escritores e escritores. Diplomados e diplomados.
Postado por:Zappa | 19/06/2009 18:19:36
Soares Junior, muitas são às vezes que assistimos ou ouvimos em matérias televisivas ou radiofônicas, repórteres e até mesmo âncoras, fazerem perguntas incapazes de buscar o que realmente deseja saber o expectador e todos, salvo raras exceções, são jornalistas formados. Armando Nogueira, Nelson Rodrigues, Castellinho, Cony e tantos outros com certeza jamais frequentaram um desses tantos cursos de comunicação, jornalismo ou seja lá o que for, mas no entanto, ao longo de suas carreiras foram referidos como gênios, mestres. Você radicalizou ao dizer que a sociedade acabava de ser punida pela decisão do STF e mais radical ainda, ao referir-se ao dito de Mauro Silveira, que talento é apenas um dos aspectos que compõem o bom profissional. Talento meu amigo é o tudo! Sem talento, todo contexto técnico vale simplesmente de nada, perde-se. Com certeza também nenhuma faculdade formula o racional de ninguém, pois quendo se é imbecil nem mesmo ter Confúcio, Sócrates ou Pitágoras como mestres resolve. Se hoje tens seu espaço como jornalista é por és capaz e não porque aprendestes ser. Abs!
Postado por:Edmo Luiz de Souza Falcão | 19/06/2009 07:30:43
É com muita TRISTEZA E DECEPÇÃO que recebo esta notícia péssima para a área de jornalismo . Provando e ratificando assim que não adiantou meus 4 ( quatro ) anos na Universidade Gama Filho. Agora qualquer joão ninguem , marias chuteiras ,gasolinas e EX BBBs - vão se dar bem !!!!!!!!!!!! Abraços
Postado por:SANDRA REGINA BALBINO | 18/06/2009 22:49:09
É amigo. Não adianta reclamar. "A bola tá lá dentro". Tuda vez que penso nisso tenho náuseas, ânsia de vômito e vontade de .... deixa prá lá. Cada um planta o país que merece. Graças a Deus não vou deixar filhos e tenho receio pela sociedade que as minhas sobrinhas terão que enfrentar daqui a uns 30 anos (sendo bem otimista). Hoje passei o dia me sentindo como os flamenguistas depois de tomar cinco gols no Campeonato Brasileiro (Pior é que isso aconteceu, mesmo. E eu sou flamenguista) Também agradeço aos meus mestres na Facha. e, por favor, passem um temporada sem me lembrar que ralei uns anos na faculdade para "esses caras" jogarem tudo por terra.
Postado por:Juliana d'Arêde | 18/06/2009 21:47:06
Soares, concordo plenamente com o que você escreveu. Desrespeitaram e desvalorizaram completamente a nossa profissão. É muito triste e decepcionante tudo isso, mas, com certeza, terei muito orgulho do diploma que terei daqui a um ano, conquistado com dedicação e esforço!
Postado por:Duda Novaes | 18/06/2009 19:42:58
Soares, concordo com a sua visão, mas não penso que a não-exigência do diploma signifique que, daqui por diante, só os "amadores" estarão trabalhando no ramo. As empresas de comunicação, TVs, Jornais, Revistas, todos continuaram rígidos em seus critérios de seleção. Diploma não é mais obrigado, mas a competência, sim, continua sendo essencial. E há muita gente que tem diploma e escreve mal; e muitos que não fizeram faculdade de comunicação, mas são cultos, bem informados, articulados e centrados. O mercado só vai despencar se os critérios de seleção despencarem antes.

















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