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Vai começar tudo de novo

Eugênio Leal | Eugênio Leal | 13/06/2009 19:48

Tudo indica que está se formando a melhor safra de enredos dos últimos carnavais. À exceção da Grande Rio (que vai precisar de um exercício de imaginação muito grande para empurrar o camarote da empresa que a patrocina num enredo sobre a história recente do carnaval) os temas são simples, diretos e com essência cultural. Nada muito novo nem criativo, mas tudo melhor do que certas coisas que andamos suportando recentemente.

SALVE NÖEL

Um enredo sobre a vida de Noel Rosa - um dos nomes mais importantes da música brasileira - é para ser celebrado (aliás, parabéns a Martinho e à direção da escola pela realização da disputa). A sinopse foi escrita sem floreios, contando de maneira linear a vida do poeta. Isso é um brinde aos compositores que poderão aplicar sua criatividade em cima de uma base coerente e recheada de itens inspiradores. 

O enfoque dado à vida e não exatamente à obra de Noel não impede que ele empreste um pouco de suas idéias e versos para enriquecer os sambas concorrentes. Isso é importante para criar uma identificação maior do público com o tema.    

MÚSICA POPULAR MANGUEIRENSE 

A idéia central do enredo mangueirense é muito boa: destacar a importância da agremiação verde e rosa no cenário da música brasileira. O enredo seria melhor se fosse todo trabalhado em cima desta relação, que é muito rica. As obras de Cartola, Carlos Cachaça, Geraldo Pereira, Nelson Cavaquinho, Nelson Sargento e Padeirinho, sem falar nos grandes nomes do samba-enredo como Hélio Turco e Darcy da Mangueira (entre outros), formam um dos mais ricos acervos da MPB e contém muita coisa a ser explorada num desfile. Isso poderia ser completado com itens que estão na sinopse como as "divas" Alcione e Beth Carvalho, as homenagens que a Mangueira recebeu de poetas "de fora" e as que a escola prestou em seus desfiles.   

Entretanto, o texto sai desta trilha e amplia o tema para diversas outras manifestações país afora. O problema é que a história da música brasileira é muito grande e não coube neste enredo. Muita coisa ficou de fora e no final das contas a história não ficou tão bem amarrada. Um enredo precisa de um "recorte" e a Mangueira tem um muito bom, mas desviou dele.

LINDA RELIGIOSIDADE 

O "Brasil de todos os deuses" vai proporcionar muitas imagens impressionantes através do talento de Max Lopes. Foi em função disso que ele escolheu as religiões a serem retratadas em sua sinopse. Caiu num problema parecido com o da Mangueira: sobrou muita coisa que não cabia nos oito setores.

Religião e fé são coisas muito profundas e precisam ser tratadas com extremo respeito e cuidado e a ausência de algumas delas pode parecer discriminação.

Plasticamente o desfile deve ter um grande efeito, mas culturalmente é um enredo incompleto, embora muito superior à maioria dos últimos temas que a escola apresentou.     

IDÉIAS PROMISSORAS

Algumas idéias que já foram divulgadas me causaram expectativa positiva.

Se Rosa Magalhães realmente trabalhar seu enredo em cima da história de Dom Quixote pode marcar um golaço. Outro que pode surpreender é Cid Carvalho, com um enredo que lembra carnavais passados ( da época em que os carnavalescos faziam viagens "do bem") com muita criatividade e com uma mensagem importante. Se for bem desenvolvido pode "dar samba".