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Quem é a Rita?

Soares Júnior | Soares Júnior | 08/06/2009 22:59

Estou lendo "O crime do restaurante chinês" livro de Boris Fausto. Logo no início, ele explica que a partir dos anos 1970, os historiadores italianos Carlo Ginzburg e Giovanni Levi e o francês Le Roy Ladurie foram precursores de um conceito chamado micro-história. O objetivo é reduzir a escala de observação do historiador, a fim de apreciar ações humanas e significados.

Bom, vou reduzir ainda mais a escala de observação. Imagine caro leitor (presunçosamente, me senti um Machado de Assis na última frase) a cena. Uma mulher de aproximadamente 60 anos está em frente a uma casa no Jardim Botânico. Passo tranquilamente por ela e ouço a seguinte frase: "Puta que pariu, a Rita é prostituta, que merda"!!!

Surpreso, olho para trás e vejo a mulher sentada no batente da porta com a cabeça entre as pernas. Algumas perguntas rondam minha cabeça desde então, as principais são: a) quem é Rita?  b) o que leva uma pessoa a ter essa conversa pelo interfone?

Dividi a angústia da dúvida com algumas pessoas. Os mais  pragmáticos me disseram que a mulher é uma louca conhecida no bairro e que aquele fora apenas mais de seus delírios. Invoco o noveleiro da minha alma para dizer que esta é a explicação mais sem graça. Outros me deram hipóteses mirabolantes, como por exemplo: a mulher toca o interfone e pergunta pela Rita. Do outro lado, a voz metálica emenda, ela não está porque é prostituta e aí se dá a resposta intrigante.  

Mal me recuperei da revelação sobre a atividade de Rita, deparo-me com outro desafio ao cotidiano. Olho pela janela da minha área de serviço e um homem caminha pelo beiral de um telhado. O espaço era pequeno e ele andava com maestria a 12 metros do chão. A queda seria morte certa. Ele andava de um lado para o outro. Com medo que aquilo fosse alucinação chamei a moça que trabalha lá em casa como testemunha. Direta, ela atalhou: "É maluco". 

Ele andou sem demonstrar afetação. Parecia um desafio à morte, ou um homem que acabara de descobrir que a Rita era prostituta. Vá saber. 

Caso você, meu nobre leitor, tenha uma idéia sobre as dúvidas que me atormentam, não se iniba, deixe sua versão.

A vida segue com alguns andando por telhados, outros tendo segredos descobertos. Outros se despedem de pessoas queridas com fotos, músicas e lembranças de um sorriso.

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Acho que chegou o momento dos corações descansarem e de tentar recompor os pedaços de vida que foram se perdendo no caminho. Um texto mais leve foi a contribuição, pequena é verdade, do escriba contra o astral ruim.