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Cesta Básica: Os melhores discos de Elis Regina

Luiz Felipe Carneiro | Cesta Básica | 03/06/2009 11:25

Cesta Básica: Os melhores discos de Elis Regina

Como resumir a obra de uma artista chamada Elis Regina com quase 30 discos na bagagem? Certamente o assunto mereceria um livro, e que não seria pequeno. Mesmo correndo o imenso risco de ser bastante criticada, a Cesta Básica desse mês vai tentar resumir a obra discográfica da maior cantora que o Brasil já teve. O primeiro álbum de Elis Regina foi lançado em 1961. A "Viva a Brotolândia" se seguiram "Poema de Amor" (1962), "Ellis Regina" (de 1963, com dois l's mesmo) e "O Bem do Amor" (também de 63). Os quatro primeiros discos de Elis Regina, que foram lançados pelas gravadoras Continental e CBS, atualmente estão fora de catálogo. E, com um olhar retrospectivo, os discos são, de fato, tijolos menores na obra de Elis. Com um repertório repleto de boleros e sambas-canções, os álbuns até hoje, são, de certa forma, menosprezados, pelos fãs da "Pimentinha". O primeiro grande trabalho da cantora, e que formatou o seu estilo, foi "Samba Eu Canto Assim" (1965), que marcou a sua estreia na Philips (atual Universal), onde gravou o filé mignon de sua obra. E é basicamente essa fase que será analisada aqui nessa Cesta Básica.

PS. O álbum "Tom & Elis" foi excluído propositalmente dessa seleção. Em breve, ele será objeto de um artigo exclusivo na sessão "Discos Clássicos".


Os 4+ :

"Dois na Bossa" (1965, com Jair Rodrigues) - Muita gente considera a estreia "de verdade" de Elis com o álbum "Samba Eu Canto Assim", no qual Elis (com a força do produtor Armando Pittigliani) pavimentou o seu estilo musical único, com canções de Edu Lobo, Baden Powell, Vinícius de Moraes, Carlos Lyra, Francis Hime, Dorival Caymmi e Marcos Valle. Mas foi com o seu segundo trabalho na Philips, que Elis Regina explodiu. "Dois na Bossa" foi gravado ao vivo no Teatro Paramount, nos dias 08 a 12 de abril de 1965. Ao lado de Elis, um dos maiores vendedores de disco daquele período: Jair Rodrigues. "Dois na Bossa" vendeu horrores e catapultou o nome de Elis como um dos principais do elenco da Philips. Em pouco mais de 30 minutos, o álbum deu uma idéia do grande encontro dos dois artistas, principalmente no pot-pourri inicial, que juntava "O Morro Não Tem Vez", "Feio Não É Bonito", "Samba do Carioca", "Esse Mundo É Meu", A Felicidade", "Samba de Negro", "Vou Andar Por Aí", O Sol Nascerá", "Diz Que Fui Por Aí", "Acender as Velas" e "A Voz do Morro". No texto de contracapa do LP, o produtor musical, radialista e escritor Walter Silva (ou Pica-Pau, como é mais conhecido), escreveu: "Elis Regina e Jair Rodrigues acabavam naquela noite de realizar, com o maior sucesso de público (2.000 pessoas pagantes), de crítica e de perfeição em todos os sentidos (técnico, inclusive) que São Paulo já assistiu e que o Brasil vai ouvir. (...) A história de nossa música vai falar de vocês". Devido ao grande sucesso do show, Elis e Jair, no dia 17 de maio, estreavam, na TV Record, o programa semanal "O Fino da Bossa", que, assim como o álbum, arrebatou o público.

"...Em Pleno Verão" (1970) - No intervalo entre 1965 e 1970, Elis Regina gravou nada menos do que dez discos: "O Fino do Fino" (com o Zimbo Trio, de 65), mais dois volumes de "Dois na Bossa" (lançados em 66 e 67, com Jair novamente, e que seguiram a mesma receita de sucesso do anterior), "Elis" (66), "Elis Especial" (68), "Elis, Como & Porque" (69), "In London" (69), "Aquarela do Brasil" (lançado em 69, ao lado do gaitista belga Toots Thielemans), "No Teatro da Praia" (de 1970, ao lado de Miele e Ronaldo Bôscoli) e "...Em Pleno Verão", também de 1970. Este último merece uma atenção especial. Grávida de João Marcelo Bôscoli, no ano em que o Brasil foi tricampeão mundial de futebol, Elis estreou no Canecão um novo show, com direito até a uma grande orquestra. No repertório, canções como "As Curvas da Estrada de Santos" (Roberto e Erasmo Carlos), "Não Tenha Medo" (enviada pelo então exilado Caetano Veloso), e "Vou Deitar e Rolar (Quaquaraquaqua)" (de Baden Powell e Paulo César Pinheiro). Poucos meses depois, Elis entrou em estúdio para registrar algumas canções do show. Entre as canções já conhecidas pelo público que havia assistido ao show, havia uma grata surpresa: "These Are The Songs", uma canção de um cara que tinha acabado de voltar dos Estados Unidos, com uma mão na frente e outra atrás, e que atendia pelo nome de Tim Maia. Em seu livro "Vale Tudo - O Som e a Fúria de Tim Maia", Nelson Motta (que produziu o disco) explicou como foi a gravação da faixa: "Cantaram umas três ou quatro vezes, cada vez melhor, na técnica estavam todos eletrizados; mais que um dueto, a gravação estava se transformando em um duelo vocal entre dois monstros, dois estilos, duas escolas muito diferentes, cada um querendo cantar melhor que o outro. Nas partes em que um solava, o outro fazia frases e comentários musicais ao fundo, depois trocavam, os músicos estavam adorando, era como uma tabelinha de Pelé e Garrincha em que um tentava driblar o outro". Taí... Pelé e Garrincha... Gostei da comparação!

"Falso Brilhante" (1976) - Após o sensacional álbum de 1970, Elis Regina gravou outras pepitas, como o pop "Ela" (de 71, com o clássico "Black Is Beautiful", dos irmãos Valle), "Elis" (lançado em 1972, com os sucessos "Casa no Campo", do já saudoso Zé Rodrix e de Tavito, "Nada Será Como Antes", de Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, e que marcou o início da vitoriosa parceria com o seu futuro esposo César Camargo Mariano), "Elis" (1973, com "Ladeira da Preguiça", de Gil), "Elis" (com a canção "Dois Pra Lá, Dois Pra Cá", de João Bosco e Aldir Blanc, foi lançado no ano de 1974), "Elis & Tom" (74) e, finalmente, "Falso Brilhante", que chegou às lojas em 1976. Assim como já havia acontecido com "...Em Pleno Verão", "Falso Brilhante" nasceu de um show de Elis Regina, que estreou em 17 de dezembro de 1975, e permaneceu em cartaz no Estado de São Paulo até o dia 18 de fevereiro de 1977. Somente no Teatro Bandeirantes, foram 257 apresentações para um público de mais de 280 mil pessoas. O álbum "Falso Brilhante" foi gravado no decorrer da temporada e lançado em março de 1976. Para o seu repertório foram selecionadas 10 canções que faziam parte do espetáculo, como "Fascinação", versão de Armando Louzada para o clássico "Fascination", de Marchetti e Feraudy, "Tatuagem" (Chico Buarque), "Velha Roupa Colorida" (Belchior) e "Gracias a La Vida", esta última de Violeta Parra. A abertura do show, considerado por muitos como o seu grande momento, também foi registrada no CD, e acabou por se transformar em uma das marcas registradas de Elis Regina. "Como Nossos Pais" varreu o Brasil, se transformou em um dos principais sucessos de 1976, e catapultou a carreira de Belchior que, em 1977, veio a lançar o seu álbum de estreia, "Alucinação".

"Essa Mulher" (1979) - De casa nova (a gravadora Warner), após o rompimento com a Philips, Elis Regina, em 1979, logo após o imenso sucesso do show e do disco "Transversal do Tempo", entrou em estúdio para registrar mais dez canções. Antes do lançamento de "Essa Mulher", a Warner optou por lançar um compacto duplo para preparar os fãs. No dia 15 de maio saiu o disquinho que tinha "O Bêbado e a Equilibrista" (João Bosco e Aldir Blanc) no lado A, e "As Aparências Enganam" (Tunai e Sérgio Natureza) no lado B. Com a campanha da Anistia pegando fogo no Brasil, não demorou para a canção de Bosco & Blanc (aliás, a dupla de compositores mais gravados por Elis, somando 16 músicas no total) cair no gosto popular, com tantas pessoas sonhando "com a volta do irmão do Henfil". "Essa Mulher" foi finalmente lançado em julho, com canções de Baden Powell e Paulo César Pinheiro ("Cai Dentro"), Suely Costa e Aldir Blanc ("Altos e Baixos"), Guinga e Paulo César Pinheiro ("Bolero de Satã"), Joyce e Ana Terra (a faixa-título) e Cartola, que presenteou a cantora com a inédita "Basta de Clamares Inocência". Após o sucesso de "Essa Mulher", Elis Regina percorreu o Brasil, o Japão e a Suíça (no festival de Montreux) com o seu show de divulgação. Em 1980, foi a vez de mais um estrondoso sucesso, materializado no álbum e no show "Saudade do Brasil". No mesmo ano, a cantora gravou o seu derradeiro e único álbum pela EMI-Odeon. O álbum "Elis" foi o canto do cisne de Elis, que depois ainda estreou o show "Trem Azul". No dia 19 de janeiro de 1982, Elis se silenciou de vez. Ou melhor, quase de vez. Os seus discos não nos deixam mentir.


Dispensável :

"Elis Especial" (1979) - Pode parecer estranho Elis Regina ter lançado "Essa Mulher" (um de seus melhores discos) no mesmo ano de "Elis Especial", tido por muitos como o mais fraco da discografia da cantora gaúcha (excluindo-se os seus quatro primeiros álbuns pré-Philips). Mas acontece que "Elis Especial" nem era para ter existido. Após o lançamento de "Falso Brilhante", Elis Regina ainda gravou os álbuns "Elis" (de 1977, com os sucessos "Romaria", de Renato Teixeira, e "Cartomante", de Ivan Lins e Vitor Martins) e "Transversal do Tempo" (outro álbum que nasceu de mais um show histórico de Elis no ano de 1978). Ocorre que, após encerrado o seu contrato com a Philips, Elis ainda devia um álbum. Dessa forma, a cantora e a gravadora (no caso, a Philips) entraram em um comum acordo: lançar um álbum com algumas faixas inéditas e sobras de estúdio do disco anterior. Por esse motivo, apesar de ainda conter bons momentos, como "Violeta de Belford Roxo" (João Bosco e Aldir Blanc), "Entrudo" (Carlos Lyra e Ruy Guerra), "Dinorah, Dinorah" (Ivan Lins e Vitor Martins) e "Bonita" (Antonio Carlos Jobim), "Elis Especial" soa irregular se comparado às grandes obras que a cantora registrou na mesma gravadora.


Em seguida, imagens do encontro de Elis Regina com Jair Rodrigues.




Atenção: É necessário digitar essa imagem para evitar Spams e mensagens automatizadas.


Postado por:jonas | 19/12/2009 02:51:25

ótimos álbuns, mas sabe, eu gosto muito, mas muito mesmo do elis especial de 1979...rs

Postado por:ana maria castex spinola e castro | 07/10/2009 16:19:30

site muito bom ! do meu tempo .pq fui contemporânea de :Jair Rodrigues ,bossa jazz trio ,jongo trio ,Toquinho (que fomos alunos de Paulinho Nogueira) eu casei e todos continuaram...Jorge Ben,marisa gata mansa, joão ricardo ,edu lobo ,mas meu ídolo é JOÃO GILBERTO E ELLIS REGINA,SEMPRE SERÁ !!!!! Ana Maria Castex.

Postado por:val oliveira | 21/07/2009 20:55:25

adoro a elis regina e tudo o que ela deixou. É para mim a mais tudo da musica brasileira. Choro, sonho, e fico na saudade desat incrivel e monumental cantora. Só digo que o Elis Especial com restos de gravações é para mim um espetáculo. Ouço constantemente e adoro tudoi que tem nele. Elis é uma rainha e eu vivo aos seus pés. Amo, amo, amo e acho pouco!!!! Viva a Elis hoje e sempre!!!!!!! E os primeiros discos da Elis eu tenho todos e aaaaaaaaaadoro!!!!!!!!!!!

Postado por:pedro | 17/07/2009 10:39:43

eu sempre gostei dos discos do Fino. é uma cafonice que eu tenho com o maior carinho. assim como Caetano, sou JoãoGilbertiano e essas convenções jazzísticas, os melismas, essa coisa do Beco das Garrafas vai contra tudo o que eu acredito. Ainda assim encontro bons momentos em "O morro não tem vez" e "Menino das Laranjas". Outras coisas são apenas terríveis como "Sem Deus com a Família". "Em pleno verão" e "Essa mulher" também estariam na minha lista. O primeiro dizem que foi muito pichado por ser pouco político como a situação pedia. Apresenta respostas ao Tropicalismo ("Comunicação" é quase uma "Alegria, Alegria") e assim como o "Essa mulher" tem um repertório excelente. Porém... O Falso Brilhante nunca me atraiu. Com exceção de "Tatuagem" e de "Como nossos pais" (que eu não gosto, mas reconheço como uma grande gravação) acho um disco de show em que o show deve ter se saído muito superior ao resultado em estúdio. Não sei dizer pois não vi, mas pelo que ouvi, o show foi inovador pra Elis. No lugar do Falso, colocaria o Elis de 72, pelo repertório quase impecável. Elis lançando "Casa no campo" e "Mucuripe", "Bala com bala", "Cais" e "20 anos blues" (uma canção Galcostiana que encaixaria facilmente num disco como o "Le-Gal"). Elis de 72 é simbólico e lançou alguns (bons) sucessos. Ou... Elis de 73, cujo repertório veio fazer um certo sucesso póstumo devido ao relançamento do programa Ensaio em dvd. "AGnus sei", "Oriente", "É com esse que eu vou", Ladeira da preguiça" e "Doente Morena" garantem o disco. É meu favorito também. Adorei o Esquina da música. Agora quero comentar em todos os posts!

Postado por:marina w. | 03/06/2009 21:06:02

Atrás da Porta e Elis & Tom.

Postado por:Erika Campana | 03/06/2009 18:15:06

Muito boa a resenha, melhor ainda a escolha de Elis como a 'persona' do mês. Dificil selecionar o melhor. A exclusão de Elis & Tom é compreensível porque é um clássico da Musica. O meu disco favorito da Elis é o Falso Brilhante de 1976. Amo de paixão!


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