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Falta de conexão e o joelho

Jaqueline Sobral | Jacqueline Sobral | 29/05/2009 10:57

Não, você não vai dar conta de todas as informações do mundo. Sim, vai ter sempre alguém que vai te perguntar se você leu ou assistiu algo que você não, não tomou conhecimento. Gente, esta é uma realidade.

O IDC, empresa de inteligência de mercado, divulgou esta semana que só no ano passado foram criados 3.892.179.868.480.350.000.000 bits de informação digital, o equivalente a 3 quatrilhões de feeds do Twitter ou 162 trilhões de fotos digitais.

Percebe o meu ponto? Por isso, em vez de nos descabelarmos e tentarmos dormir menos na tentativa de absorver o máximo de informações, defendo duas práticas, que acho fundamentais: SER SELETIVO E CONTEXTUALIZAR ESSAS INFORMAÇÕES PARA QUE ELAS VIREM, DE FATO, CONHECIMENTO. O simples acúmulo de dados já é muito bem feito pelos computadores e pelo mundo virtual, e você nunca vai conseguir ser competitivo nessa área.

Este é o problema! Parece que as pessoas estão ficando "bitoladas" com esse excesso de informação e estão deixando de PENSAR, REFLETIR sobre as coisas, além de diminuir cada vez mais os momentos de lazer.

Saiu uma nota no "O Globo Digital" desta semana com o título "Em apenas 5 segundos", sobre um site que oferece "supercondensações de clássicos no cinema" para quem não tem tempo para assistir a um bom filme. COMO ASSIM? PARA QUÊ EU QUERO VER CINCO SEGUNDOS DE UM FILME?

É patético, mas eu vou contar para vocês... Na sexta-feira passada, eu estava andando na rua (bem rápido, confesso), justamente PENSANDO sobre isso tudo, quando... virei o pé e caí no chão.

Não preciso nem dizer o quão ridículo foi... E ainda para completar,  eu (com vergonha) saí andando com joelho sangrando, mais rápido ainda, para me afastar do "local do crime". Enfim, a pancada foi no tendão, tive que colocar uma tala, tomar anti-inflamatório, e ainda não estou 100%.

Essa história não é uma bela metáfora? Enquanto criticava mentalmente essa nossa correria insana e a incapacidade de muita gente em contextualizar os fatos e fazer conexões, o que eu estava fazendo? ANDANDO RÁPIDO, agitada e apressada, como sempre, para dar conta de todas as tarefas e atividades.

E o que aconteceu? Caí.

Para mim, o subtexto foi "Jacqueline... Não acha que está na hora de VOCÊ desacelerar um pouco, parar de ficar tão pilhada, e cuidar um pouquinho mais de você?"

Confesso que eu estava indo apressada para o meu encontro semanal com Freud e que ele, ao me ver com o joelho todo ensangüentado, me ajudou a CONECTAR  o tombo com a minha reflexão. Antes que vocês também caiam por aí como eu, convido-os a PENSAR e a REFLETIR sobre as suas rotinas.