Claudio Manoel revela detalhes de documentário de Wilson Simonal
Luiz Felipe Carneiro | Música | 25/05/2009 23:53
Em sua primeira semana de exibição, o documentário "Simonal - Ninguém Sabe o Duro Que Dei" vendeu quase 16 mil ingressos. Ao que tudo indica, com a crescente curiosidade do público acerca da história do cantor, essa marca só tende a crescer. O documentário conta a história da ascensão e queda de um dos maiores mitos da história da Música Popular Brasileira.
Em entrevista exclusiva ao SRZD-Esquina da Música
, Claudio Manoel, um dos diretores do documentário, contou detalhes do processo de produção, desde a escolha do nome de Wilson Simonal até toda a dificuldade encontrada para localizar o ex-contador do cantor, Raphael Viviani.
Abaixo, segue a íntegra da entrevista concedida por Claudio Manoel.
E para ler mais detalhes de "Simonal - Ninguém Sabe o Duro Que Dei", basta clicar aqui
.
SRZD-Esquina da Música
: Por que a escolha de Wilson Simonal para o documentário?
Claudio Manoel
: Simonal fez parte da minha infância com seus hits, sua presença na mídia, nos shows televisionados, com seu sucesso avassalador. Mas como personagem-tema, a "ficha" caiu quando eu estava lendo o livro "Noites Tropicais", do Nelson Motta. Achei a história tão dramática, tão inacreditável e tão "inédita", que me senti na obrigação de encarar a empreitada.
SRZD-Esquina
: Qual foi o tempo total de produção do documentário e como foi feita a pesquisa de tantas imagens raras?
Claudio Manoel
: Do primeiro dia até a data da estreia em circuito comercial, deu quase sete anos. Levei uns quatro anos no filme propriamente dito, gravando os depoimentos, pesquisando imagens e editando. Demorou tanto, principalmente, por causa das limitações de produção. Como nessa fase do projeto eu era o único "pagador", tive que conciliar gastos e tempo com minhas possibilidades. Por exemplo, praticamente, só filmamos nas minhas férias. O restante do tempo (quase três anos) foi consumido com legalização das imagens de arquivo (uma luta imensa, um emaranhado burocrático e jurídico assustador) e na busca de parcerias para finalização (entraram TVZero, Jaya e Zohar) e distribuição (Globo Filmes, Moviemobz, Rio Cine).
SRZD-Esquina
: Qual foi o critério utilizado na escolha dos entrevistados?
Claudio Manoel
: Primeiro tentamos "cobrir" diversas áreas da vida do Simonal: família, música, TV, amigos, desafetos... Queríamos também achar alguém que tivesse vivido/testemunhado o episódio policial da surra no contador, que virou político e deu origem à acusação/boataria de que Simonal seria dedo-duro.
SRZD-Esquina
: Como foi o processo de aproximação do Raphael Viviani?
Claudio Manoel
: Contratamos um detetive para tentar achar ele e/ou os ex-agentes envolvidos no episódio sequestro/tortura.
SRZD-Esquina
: E depois que vocês o "descobriram", foi "fácil" convencê-lo a dar uma entrevista tão reveladora?
Claudio Manoel
: Ao encontrarmos o ex-contador de Simonal, Micael e Calvito (os outros diretores do documentário) foram na casa dele arriscar um primeiro contato. Houve uma grande discussão entre marido e mulher e quando usamos o argumento que o documentário ia ser feito com ou sem o depoimento dele, e que seria uma oportunidade única para ele dar a sua versão, ele se convenceu. Foi também o nosso último entrevistado. Novamente, por causa das limitações orçamentárias, resolvi encerrar a coleta de depoimentos, mesmo deixando gente importante de fora. Já tínhamos 23 entrevistados, ainda tinha que adquirir imagens/fotos, gastar com edição e finalizações. Decidi que tínhamos a obrigação de "tirar" uma história do material existente em nossas mãos.
SRZD-Esquina
: O documentário não faz julgamentos. Ele deixa a porta aberta para o público julgar. E você, Claudio Manoel, tem algum veredito acerca dessa história toda entre o Simonal e o seu contador?
Claudio Manoel
: Não me propus a fazer um inquérito, nem fazer justiça. Nunca tive essa pretensão/competência. Queria fazer um filme. Um filme que tivesse camadas, profundidade, elegância, delicadeza, porrada, respeito e franqueza. Sempre achei que não ia encontrar nem um anjo vitimizado, nem um demônio de vilania. A chance maior era de descobrir alguém que fosse como todos nós: um ser humano com virtudes e defeitos. O que ele tinha muito mais que nós era o talento. Independente dos erros, o castigo foi desproporcional. Independente dos erros, o que importa é vermos o artista que ele foi e que estava ainda soterrado, desaparecido. Simonal, para mim é um caso único, uma mistura de suicídio e assassinato culturais. Uma história incrível de um personagem extraordinário.








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