SRZD

É campeã! É campeã!

Thatiana Pagung | Thatiana Pagung | 25/05/2009 15:37

Quando abri espaço para o leitor mandar suas histórias de carnaval, eu confesso que esperava histórias mais engraçadas; mas, com o tempo, comecei a receber verdadeiras declarações de amor às agremiações, surpreendendo-me de forma positiva.

Na penúltima coluna, escrevi sobre a minha querida Mocidade Independente, e várias pessoas me disseram terem ficado emocionadas com o texto.

O texto a seguir também trata de um folião apaixonado, que cresceu dividido entre dois amores: Portela e União da Ilha, mostrando que não é ruim da cabeça nem doente do pé, pois cresceu ouvindo e admirando os bons sambas da tricolor da Ilha.

Por Pedro Bálaco

"Sempre fui portelense e morador do subúrbio carioca, porém cresci ouvindo os maiores sambas da União da Ilha: "É Hoje"; "Bom, Bonito e Barato"; "Domingo"; "Festa Profana"; "O Amanhã"; "De Bar em Bar, Didi um Poeta"; encantava-me também com as histórias dessa simpática escola. Mas antes do carnaval de 2001, eu fui morar na Ilha do Governador e passei a ter mais contato com a agremiação e a frequentar a quadra. Naquele ano a Ilha foi rebaixada após 27 anos no Grupo Especial. Será que eu tinha dado azar pra escola?

Passei mais alguns anos morando na Ilha, frequentando a quadra, mas sem desfilar, e nada da União subir. Sempre achei que deveria participar mais ativamente da União da Ilha e ajudá-la nesse momento difícil, mas não tive a oportunidade. Voltei a morar próximo à Madureira e ter mais contato com a Portela, indo a ensaios, desfiles, feijoadas, mas sem deixar de acompanhar a saga da Ilha no Grupo de Acesso A.

Trabalhando num barracão que faz fantasias para algumas escolas, incluindo Portela e Ilha, voltei a ter contato com a escola insulana e, em 2009, consegui uma vaga para desfilar pela primeira vez na União da Ilha. Agora eu via que estava contribuindo para o crescimento da escola e que poderia ter feito isso antes.

O grande momento havia chegado, era hora do desfile, encontrei alguns conhecidos como diretores de harmonia ou fantasiados como eu, todos estavam cheios de garra e prontos para mostrar novamente que aquela era a escola que mais levava alegria à Sapucaí.

Começou o esquenta...

Ainda na concentração eu só consegui cantar o primeiro verso: "A minha alegria atravessou o mar..." Algo me fazia chorar compulsivamente.

Quando minha ala deixou a Presidente Vargas e eu deparei com a Sapucaí do povão (era a primeira vez que eu desfilava no Acesso), parei de chorar e incorporei o folião insulano, responsável pela fama e pela simpatia daquela escola. Todos nós fazíamos questão de mostrar que sabíamos o samba do ano de cor. Cantávamos até o último andar de camarote ouvir nosso canto rouco.

Na dispersão eu não conseguia falar e vi que todos se abraçavam. Abracei meu irmão e meus amigos que me acompanharam aquele dia. Da Apoteose podíamos ouvir o som que vinha das arquibancadas populares: "É campeã! É campeã!"

Perdi a voz de novo na quarta de cinzas. A União da Ilha era finalmente bicampeã do Grupo de Acesso, e eu pude ter a certeza de que havia feito a minha parte. Esse título era dos insulanos. Esse título era meu!

Na despedida do carnaval, foliões lotaram a Avenida Rio Branco para a passagem do Monobloco no primeiro domingo da quaresma. Não se ouvia sambas do Salgueiro, campeão do Especial, não, o povo cantava os sambas da Ilha! Não era sonho, após o bloco passar, a multidão cantava: "Ôôôhhh a União voltoou! A União voltou! A União voltou! Ôôôhhh..." Nunca vi tanta alegria por uma escola que voltava do Grupo de Acesso. Foi de arrepiar!"


Então vamos assistir um pouquinho da União da Ilha 2009, campeã do Grupo de Acesso, que estará ano quem vem novamente entre as escolas do Grupo Especial:

 

Continuem mandando suas histórias para thati@thatianapagung.com.br