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Furadas de olho

Soares Júnior | Soares Júnior | 23/04/2009 18:28

Toda vez que como a gordura da picanha, meu fígado cobra a fatura. Neste momento me sinto traidor de órgão tão importante para minha sobrevivência. Já que resolvi dar um tempo nas minhas aventuras alcoólicas, resta-me os prazeres da carne. É, furei o olho do meu fígado.

Para quem não sabe o que esta expressão quer dizer, se isso é possível no ano da graça de 2009, fura-olho nada mais é do que o ato de trair.

Escrevendo nos dias de hoje, Machado de Assis poderia no prefácio de Dom Casmurro, dizer algo como: A eterna dúvida é se Capitu e Escobar furaram ou não o olho de Bentinho.

Tem um clipe no youtube, que sempre que quero me divertir inconsequentemente eu assisto. É só digitar "amigo fura-olho Latino". Numa visão pós-moderna e misturada podemos dizer que foi a conversa que Bentinho deveria ter com Escobar, caso você seja daqueles que acreditam na traição. Não é genial como a obra do Bruxo, mas é diversão sem precisar pensar muito.  Perdoem-me esta mistura Machado/Latino, eu sei que é heresia.

Uma das melhores furadas de olho que tenho notícia, aconteceu no mundo musical. O caso me foi contado pela vítima. O(a) algoz não estava por perto para dar sua versão. Para que minha consciência não fique toda se ardendo, não direi nomes.

A vítima era um músico que achou a sorte grande ao compor um mega hit. Era daquelas músicas que você estava ouvindo numa estação e girava o botão (pista da idade da música) ela estava lá também.

Na esteira do sucesso ele e a cantora que transformara a música em sucesso caíram na estrada. Excursões pelo país todo. Numa capital do sul do país, ele achou que aquele era seu ano da sorte. Uma loura escultural olhava para ele. Do palco à platéia o flerte corria solto.

Ao fim do show, o previsível. A gata se aproximou e o cara teve um pensamento que só meninos são capazes de entender: "vou me dar bem".

Quando tudo se encaminhava para que ele só corresse para o abraço, toca a campainha no quarto de hotel. A cantora apareceu pedindo um cigarro e dizendo que estava sem sono e perguntou se podia ficar. A concordância foi compulsória, pois ele não teria coragem de naquele momento contrariar a patroa.

Na frente da vítima começou o caminho da agulha em direção ao globo ocular.

- Gostou do show? - perguntou a cantora

- Achei o máximo - derretendo-se a fã

- Tô com os vídeos da turnê, quer ver agora?

- Claro.

Com aquela crueza de que acaba de puxar o tapete com satisfação, a cantora arremata: "tchau amigo".

No dia seguinte quando o rapaz contava a um colega de banda o acontecido, ele se depara com a realidade dos fatos.

A quase peguete descia as escadas de cabelos molhados num clima com a cantora.

Resignado ele conclui a história: "Pelo menos elas moraram juntas por seis meses, não foi coisa de uma noite só".

É melhor assim ou a eterna dúvida de Bentinho?

Cartas para essa seção.

P.S.

Que coisa antiga!!!!




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Postado por:Marco Grillo | 24/04/2009 12:24:17

O melhor é não acontecer né. Mas, se acontecer, é melhor ficar sabendo. E eu acho que, mais importante do que escrever muito, é escrever bem. Escrever coisas interessantes. E isso você faz sempre.


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Soares Junior

Jornalista desde 1996. Depois de passagens pela TV Bandeirantes e Rádio Tupi ingressou na rádio CBN. Durante os 9 anos no Sistema Globo de Rádio, ele apresentou e redigiu O Globo no Ar, fez cobertura aérea de trânsito, ancorou e foi chefe de reportagem. Soares Júnior é professor da PUC e da Escola de Rádio.