É diferente avaliar um júri formado na última hora para o carnaval deste ano, como é o caso da LESGA. Não é possível apontar uma tendência de longo prazo nem mesmo identificar uma filosofia de julgamento. Tudo é muito novo.
Talvez por isso os resultados de certa forma repitam a tendência do Grupo Especial ao dar maior peso às alegorias e menor às baterias. Há, entretanto, uma diferença fundamental para o impacto dos carros alegóricos no somatário final: o descarte das notas mais baixas de cada quesito. No total, os julgadores tiraram 11,3 pontos das "Alegorias e adereços", mas apenas 5,5 foram descontados de verdade. Nada menos do que 5,8 pontos jogados no lixo. Na outra ponta, assim como entre as "grandes" está o quesito "Bateria" - onde apenas dois décimos foram efetivamente descontados dentre as dez agremiações.
A diferença na ordem hierárquica dos itens julgados está na valorização do samba-enredo (ficou em segundo lugar com 4,5 pontos descontados). Há uma explicação: um dos julgadores teve seu mapa anulado o que cancelou o descarte das notas mais baixas.
O super quesito "Conjunto harmônico", que poderia ser um peso para as escolas por observar vários itens, ficou em terceiro lugar com um total de 3,9 pontos descontados. Confira a classificação geral no quadro abaixo:
Alegorias e adereços
Total: 11,3 Válidos: 5,5
Samba-enredo
Total: 4,5 (6,0 - se o jurado eliminado mantivesse a média) Válidos: 4,5
Conjunto Harmônico
Total: 7,7 Válidos: 3,9
Fantasias
Total: 7,7 Válidos: 3,8
Enredo
Total: 5,7 Válidos: 2,3
Comissão de Frente
Total: 3,5 Válidos: 1,7
Mestre-sala e Porta-bandeira
Total: 2,8 Válidos: 1,4
Bateria
Total: 1,0 Válidos: 0,2
O DESCARTE
O descarte da menor nota em cada quesito é um dos problemas deste julgamento. Além de uma grande injustiça com quem errou menos é uma prova de falta de confiança nos julgadores. Eliminar a nota mais baixa significa fazer vista grossa para os erros mais graves. Se uma escola passa bem nos três primeiros módulos, ela pode encerrar o desfile que a quarta cabine não vai contar.
Podem dizer que a medida visa a inibir eventuais injustiças cometidas por um ou outro julgador - prova de que eles não confiam em quem escolhem para julgar - mas a anulação de erros pode significar um problema ainda maior.
O resultado final seria outro sem os descartes. Não mudaria a campeã, até porque na visão dos julgadores a Ilha foi quase perfeita. Mas o segundo lugar seria da Rocinha e o quarto da Estácio. E a Império da Tijuca ficaria em penúltimo*. E se subissem e caíssem duas escolas ou a troca de posições fosse na primeira liderança? Seria justo?
Resultado sem descarte:
1 - União da Ilha - 309,5
2 - Rocinha - 308,3
3 - Renascer - 307,6
4 - Estácio - 306,6
5 - São Clemente - 306,5
6 - Santa Cruz - 306,1
7 - Tuiuti - 304,4
8 - Inocentes - 302,9
9 - Império da Tijuca - 302,8
10 - Caprichosos - 300,7
Em breve, a análise escola por escola.
* Não estou levando em conta a anulação do relatório de obrigatoriedades, onde com certeza a Inocentes seria punida pela falta de baianas.