As escolas de samba estão passado por uma fase complexa; eu diria até, fazendo jogo de palavras, que elas estão vivendo um complexo - o complexo de Cinderela. O que é isso?
Acredito que algumas pessoas se lembrem da aparente inocente história que, na verdade, é um estereótipo baseado no emocional coletivo. A Cinderela é um arquétipo na vida de muita gente. A ideia de vida perfeita passa por esse caminho; mas, claro, essa expectativa criada pela sociedade desde o berço não se concretiza, e raros casos conseguem viver felizes para sempre. E, quando a história chega ao fim sem final feliz, somos tomados pela sensação de que o relacionamento acabou sem que pudéssemos aproveitá-lo.
Onde esteve o erro? Esteve na suposição de que, após conhecer o Príncipe Encantado, a história já estava escrita, tudo sairia à perfeição.
Imaginem as escolas de samba como se fossem a linda Cinderela. Em primeiro lugar, elas se sentem vítimas, sempre precisam de ajuda, não enxergam o poder interno, sua base, a sua força.
A partir daí, começam a sonhar com uma solução mágica, com a fada madrinha chamada "patrocínio" que vai resolver todos seus problemas. Lembrei-me agora da propaganda dos produtos "Tabajara", do humorístico "Casseta e Planeta": "Seus problemas acabaram, Tabajara's Patrocínio!" Seria ótimo, não é mesmo?
Há escolas que ainda conseguem esse feito. Parabéns a elas, maravilha! As que conseguem acreditam que assim conquistarão seus príncipes encantados, ou seja, os profissionais mais caros e considerados melhores do carnaval, e assim, serão felizes para sempre. Fim. Ai, meus Deus do céu!, quem inventou esse fim? Agora é que começa tudo.
Ninguém nunca parou para pensar que o príncipe só viu a Cinderela duas vezes, e que ela estava toda arrumada na personagem de princesa. Onde entra a chamada convivência? Aí é que começa a vida de fato. Não existe essa tão sonhada perfeição.
Não podemos imaginar que, por sermos o "maior espetáculo a céu aberto do mundo", ou porque tal escola seja tradicional, podemos nos considerar lindas cinderelas à espera de uma fada madrinha.
A melhor forma de fazer isso é encontrando a base verdadeira, a que existe dentro de cada agremiação. Assim, evita-se que saiam desesperadas achando que as "irmãs más" chegarão primeiro que elas. Lembram-se das irmãs más da Cinderela, filhas da madrasta? Pois então, acontece tal rivalidade por puro ego e vaidade.
Mais uma vez, o segredo está na base de cada uma. Formem uma equipe unida, que seja a estrutura para que a escola possa se apoiar e seguir. Tracem uma meta, e tenham foco para atingi-lo.
Só assim, sendo sólidas e verdadeiras, para que, quando passar o carnaval, e chegar a Quarta-Feira de Cinzas, algumas escolas não virem abóboras e percam seu encanto.
Conheço uma bela canção que diz:
"Então, vem vamos embora que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora não espera acontecer"
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