Na matéria que noticiava a ida do Mestra Átila para a Vila Isabel pude ler alguns comentários que me indignaram. Até quando nós imaginaremos um evento da magnitude do carnaval carioca sendo feito de forma amadora? É muita inocência imaginarmos um mestre de bateria de uma escola do Grupo Especial ou mesmo em algumas do Grupo de Acesso não ter um comprometimento de seriedade e trabalho que implica num compromisso profissional.
Um mestre de bateria, assim como um casal de mestre-sala e porta-bandeira e um primeiro intérprete de samba-enredo ensaia, pelo menos, três ou quatro noites por semana. Esses ensaios normalmente começam às 21h e se estendem no mínimo até a 1 da madrugada. O abnegado integrante da escola espera um ônibus, se ainda estiver circulando, e chega em casa por volta das 3 da manhã, dorme até às 5h, levanta e vai para o batente de verdade.
Ele consegue seus R$ 800 mensais... Esse relato ainda acontece em escolas dos grupos de acesso B, C, D e E. Claro numa rotina bem menos exagerada, mas não há dinheiro e ele vai na empolgação mesmo, mas espera que um dia essa experiência o leve ao sonho "Especial" e de onde seu talento possa lhe valer o tão sonhado profissionalismo.
Um carnaval merece seriedade e responsabilidade de quem ocupa uma função, seja ela qual for, e isso merece ter um preço. A esse preço chamamos profissionalismo. Quem paga pode cobrar e quem recebe sabe que precisa justificar seu ganho. Só com o profissionalismo o nosso carnaval deu o necessário salto de qualidade. E esse salto será tão maior quanto maior for a profissionalização de nosso carnaval.
E numa boa; imaginar amadorismo de um evento que rende em torno de 4 milhões-ano por escola de samba é muito romantismo pro meu gosto.
Indignação
Sempre acompanho todos os comentários aqui postados e confesso que alguns me deixam bastante indignado. Seja pela falta de conhecimento de causa e até mesmo pela falta de sensibilidade de compreender o que rola de verdade no mundo do samba.
Inveja de Uruguaiana
Bastou o Eugênio Leal colocar da inveja que sentira ao assistir, como julgador, ao carnaval de Uruguaiana e presenciar, assim como eu, a alegria e paixão com que as arquibancadas recebiam suas escolas de coração. Os aplausos entusiasmados quando da apresentação dos casais de mestre-sala e porta-bandeira e a receptiva alegria ao perceberem um notável do carnaval carioca, ou mesmo de Porto Alegre, desfilando em suas escolas. A proximidade das arquibancadas da pista de desfile nos deu inveja. Inveja da fantástica interação público - componentes. O samba era cantado e público respondia cantando ainda mais alto. Mas não sentimos inveja do carnaval de Uruguaiana, percebemos, apenas, que o nosso carnaval carioca tem problemas e o maior deles é o afastamento do público assistente dos componentes de nossas escolas, e isso, em Uruguaiana é simplesmente emocionante.
Um abraço
Luiz Fernando Reis