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28/09/2006 00h00

INFÂNCIA PERDIDA: Mais de 125 milhões de crianças realizam tarefas perigosas
Da Redação/ Miranda Alencastro

No mundo vivem 1,566 bilhão de menores entre cinco e 17 anos, e existem 218 milhões de crianças que trabalham, sendo que 126,5 milhões realizam tarefas perigosas, segundo relatório divulgado ontem pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) em Quito, no Equador, durante a abertura do I Encontro Internacional Pró-Criança de Educação e Erradicação do Trabalho Infantil.

Segundo o responsável regional para o Trabalho Infantil e o Emprego Juvenil da OIT, Eduardo Araújo, entre as atividades perigosas exercidas por menores estão a exploração em minas, o trabalho em teares e a coleta de frutas, em condições e horários precários.

Segundo Araújo, a maioria dos 218 milhões de menores trabalham somente, e não estudam. Os principais índices de trabalho infantil registrados no relatório da OIT são da África, Ásia e América. Nesse último continente, os países onde há mais crianças trabalhadoras (principalmente no campo) são México, Brasil, Equador, Bolívia, Honduras e Nicarágua.

Para a OIT, entre as causas que empurram as crianças para o trabalho estão pobreza e pouco acesso á educação pública de qualidade. Além disso, a falta de políticas públicas sócio-econômicas para erradicar o trabalho infantil e a ignorância das famílias do risco que correm seus filhos. A OIT acredita que o trabalho infantil ainda não foi erradicado porque a força braçal das crianças é, em muitos países, peça-chave em algumas regiões ? apesar de a erradicação dessa prática seja hoje considerada, pela maioria dos países, como objetivo estratégico para o seu desenvolvimento.

Eduardo Araújo acredita que melhorias no sistema educacional reduziu o trabalho infantil na América Latina. O representante da OIT reconhece a importância do esforço conjunto para a erradicação dessa prática, uma tarefa que não se pode ser de responsabilidade apenas dos governos.

No encontro internacional em Quito estarão presentes representantes de 17 países com o objetivo de sensibilizar a sociedade para que ela se comprometa, junto com os governos, a fortalecer as políticas públicas de ediucação e erradicação do trabalho infantil. Entre outros, participam do encontro o indiano Kailash Satyarthi, presidente da Marcha Global contra o Trabalho Infantil e candidato ao Prêmio Nobel da Paz, organizações públicas, privadas e do Terceiro Setor - com destaque para Organização Internacional do Trabalho, Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Instituto Internacional de Planejamento da Educação e a Organização dos Estados Americanos (OEA), além do Fundo das Nações Unidas para a Criança e o Adolescente (Unicef).


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