CD: "4:13 Dream" (The Cure) - The Cure entra em eclipse solar

Luiz Felipe Carneiro | Resenhas | 12/03/2009 10h23

CD:

Volta e meia, Robert Smith assusta os fãs do The Cure ameaçando o encerramento das atividades de sua banda. De ameaça em ameaça, o The Cure continua firme e forte, lançado álbuns que, se não chegam a lembrar os áureos tempos de "Pornography" (1982), "The Head On The Door" (1985) e "Disintegration" (1989), pelo menos não deixam a peteca de uma das bandas mais importantes dos anos 80 cair. E o último álbum do conjunto "4:13 Dream" é um belo exemplo de que a insistência de Smith tem valido a pena.

Desde o surgimento do The Cure, há 30 anos, muita coisa aconteceu. Não seria cabível citar aqui todas essas mudanças, mas uma chama especialmente a atenção em "4:13 Dream": a ausência de tecladista, que já pôde ser sentida no DVD "Festival 2005", que mostrava a banda com um som mais cru, pesado e, para muitos, menos interessante.

Musicalmente, pode-se dizer que o The Cure mudou bastante, mas a inspiração de Robert Smith para compor novas canções não foi escoada pelo ralo. E isso pode ser ouvido no tão adiado "4:13 Dream", 13º álbum de estúdio do The Cure. Robert Smith, Porl Thompson, Simon Gallup e Jason Cooper criaram um belo disco, como havia muito tempo não era lançado pelo The Cure.

Apesar da sonoridade crua, a banda inglesa fez um trabalho solar, pop, que, em termos de estética (e qualidade) pode ser comparado a "Wish", que saiu em 1992 (aquele mesmo que tinha o megahit "Friday I'm In Love"). Lógico que a costumeira angústia de Robert Smith, expressada nas longas letras, permanece firme e forte. Mas qual seria a graça do The Cure se isso mudasse?

Bons exemplos dessa clareza solar são as faixas "The Perfect Boy" e "This. Here and Now. With You". A primeira, que foi um dos quatro singles lançados antes do álbum em si (os outros foram "The Only One", "Freakshow" e "Sleep When I'm Dead", todos lançados, respectivamente, no dia 13 dos meses de maio, junho e julho do ano passado), só não é a melhor do álbum porque a faixa de abertura de "4:13 Dream", "Underneath The Stars" é uma das maiores obras-primas da história da banda. A bipolar "This. Here and Now. With You" segue o mesmo caminho, misturando momentos sombrios e alegres, ou escuridão e raios solares, como um eclipse solar.

A climática "Underneath The Stars", a melhor do álbum tem um climão do obscuro "Disintegration" (1989), especialmente da sua faixa de abertura "Plainsong". As suas guitarras reverberadas e os vocais cheios de eco fazem da canção um clássico instantâneo do The Cure. Aliás, nesse álbum a banda de Smith faz referências a diversos álbuns antigos do conjunto. A maior inspiração, certamente, foi "Wish" (a nova "The Reasons Why" poderia estar tranquilamente nele, e "The Only One" chega a chupar a melodia de "High"), mas é inegável o eco de "Kiss Me, Kiss Me, Kiss Me" em "Freakshow", curtinha e alegre, no melhor estilo "Hot Hot Hot!!!" ou "Why Can't I Be You". Já "Sleep When I'm Dead" tem um quê de "The Head On The Door". Inclusive, a canção foi originalmente escrita para o álbum de 1985 - agora você entendeu o porquê daquele coro?

Mas mesmo na sonoridade, o The Cure tem os seus momentos de... The Cure. "The Hungry Ghost", cuja letra critica o consumismo, transita entre a alegria de "Wish" (1992) e a barra pesada de "Bloodflowers" (2000). A linda balada "Sirensong" remete a uma sonoridade mais dark, assim como a pesada "Switch" e "The Scream", essa última com as suas variações melódicas, em uma levada mais "paranóica", assim como a sua letra. O encerramento com "It's Over" eleva "4:13 Dream" a sua carga máxima, com os ótimos vocais de Robert Smith e a cozinha de Simon Gallup e Jason Cooper quebrando tudo.

Em suma, "4:13 Dream" desce bem como havia muito tempo um álbum do The Cure não descia. Logicamente, nele existem canções que acabam se sobressaindo com relação a outras, mas, de um modo geral, é aquele tipo de disco, que, logo que termina de tocar, a gente fica com vontade de ouvir novamente para descobrir algo novo.

E quem considera o The Cure uma espécie de "banda velha que está querendo se transformar em emo moderno", deve ouvir bastante "4:13 Dream". Robert Smith e seus companheiros ainda têm muita caloria para queimar. E, sim, o The Cure está vivo!

Cotação: ****

Em seguida, o videoclipe de "The Perfect Boy", um dos singles de "4:13 Dream".



***** Ótimo
**** Muito Bom
*** Bom
** Regular
* Ruim

Comentários (2)

Luiz Felipe Carneiro

13/03/2009 12:55:29

Oi Victor! Troquei as bolar ao dizer que o The Cure é dos Estados Unidos. Nem posso imaginar de onde veio essa "desinformação". Obrigado.

Victor

13/03/2009 08:58:10

Meu amigo dizer que the cure é uma banda norte americana é curel, eles sao britanicos! por favor faça logo essa correçao, outra os 2 albuns anteriores a etes tambem foram muito bem aceitos pelo publico e pela critica! favor tambem fazer essa correçao.

Também sobre Resenhas