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Você Sabia? - Loucuras de Gilles Villeneuve com carros de passeio

Gustavo Coelho | Você Sabia? | 09/03/2009 05:54

Canadense não costumava respeitar muito as leis de trânsito | Foto: Reprodução

Canadense não costumava respeitar muito as leis de trânsito (Foto: Reprodução)

Embora tenha sofrido seu acidente fatal há quase 27 anos, o canadense Gilles Villeneuve é um piloto que continua marcado na memória dos fãs da velocidade. Conhecido pelo estilo corajoso e agressivo dentro das pistas, Villeneuve conquistou a admiração dos torcedores da Ferrari e, apesar de ter somado apenas seis vitórias pela equipe vermelha, é considerado um dos maiores nomes que já passaram pelo time de Maranello.

Disposto a aceitar todos os riscos durante as corridas, Villeneuve também não abandonava o estilo quando dirigia carros de passeio. Conta-se que, certa vez, o canadense andava numa estrada italiana junto com Piero Lardi Ferrari, herdeiro do "Commendatore" Enzo Ferrari. Num certo momento da viagem, Lardi Ferrari percebeu que o carro estava praticamente sem combustível. Pior: não havia nenhum posto de gasolina à vista, e o último ficara para trás há vários minutos.

Sem hesitar, Villeneuve resolveu o problema. Depois de reconhecer que realmente não havia prestado atenção nenhuma no ponteiro da gasolina, o canadense deu um vigoroso "cavalo-de-pau" e seguiu pela estrada na contra-mão, sem a menor cerimônia. Chegaram ao posto de gasolina que ficara para trás, encheram o tanque e seguiram viagem. Para Lardi Ferrari, uma história que nunca mais esqueceria. Para Villeneuve, apenas mais um dia na estrada.

Médico da Fórmula 1 durante décadas, o Dr. Sid Watkins descreve Villeneuve em seu livro "Vivendo nos Limites" como o "mais temerário" de todos os pilotos ao volante de um carro de passeio. Watkins conta um episódio em que pegou uma simples carona com Villeneuve durante um fim de semana em São Paulo, onde o circuito de Interlagos receberia o GP Brasil de Fórmula 1. O relato da experiência aterrorisadora de Watkins está logo abaixo:

"Tive o azar de encontrar com Gilles na entrada do hotel. A Madame Villeneuve estava com ele e, quando entramos no carro, eu fui me sentar no banco de trás. Entretanto, a Madame insistiu que eu me sentasse à frente. Gilles num carro de estrada era assustador e quando me virei para falar com a sua mulher, ela tinha sumido, deitada no chão. Ela falou que isso era normal e eu logo descobri as razões.

Villeneuve acreditava na 'teoria do hiato' - ou seja, que existia sempre um espaço no qual ele podia se enfiar quando se deparava com uma colisão em alta velocidade. Ele ignorava todos os sinais vermelhos, gentilmente batia em carros estacionados ou postos de iluminação, falando o tempo inteiro. Quando chegamos no circuito, ele ainda me perguntou se eu gostaria de uma carona para voltar!

No domingo à noite deste fim de semana, ele me pediu para eu levar seu carro alugado até o aeroporto e lá deixar o veículo. Entrei nos destroços amassados, descobri que o carro estava sem embreagem e deixei as chaves na recepção mesmo. Peguei um táxi".


Ainda segundo Watkins, o comportamento de Villeneuve ao pilotar helicópteros era semelhante. Com frequência, o canadense se levantava com o ponteiro do combustível no zero e voava sempre com espantosa frieze. Era este o estilo de Villeneuve, um homem que nunca deixou de viver no limite. E que, talvez por isso, tenha perdido a vida cedo demais.

*A coluna "Você Sabia?" é publicada todas as segundas e quartas no Pit Stop




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