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Boa sorte para os carnavalescos

Luiz Fernando Reis | Luiz Fernando | 20/02/2009 01:51

Estamos na semana mais esperada do ano. Na verdade, nós já estamos, há um bom tempo, com olhos e mente totalmente focados nele. E para nós que abraçamos a carreira de carnavalesco, essa semana é tensa, nervosa, preocupante e a cada minuto que passa alternamos tensão com o que ainda temos por fazer e alivio e tranqüilidade com as coisas que estão sendo resolvidas. 

Seria bom que os amigos estivessem na pele de cada um de nós carnavalescos nesse pré carnaval e sentissem a forte carga emocional a que estamos sujeitos. 

Aquele tecido que chegaria na segunda feira ainda não chegou e a alegoria 4 ainda depende dele para o acabamento final. 

O ferreiro que conseguiu uma empreitada em outra escola, viajou para São Paulo e me prometeu que voltaria no domingo, a coisa atrasou e ele ainda está por lá e preciso dele para o encaixe dos esplendores dos destaques do carro 5 e só ele tem as medidas da ferragem.

E o nosso escultor ainda está concluindo aquela escultura numa escola do Acesso A e já era para ter terminado alguns adereços de nosso carro abre-alas. E o pintor de arte já está me pressionando, pois ele precisa pintar, ainda, todas as esculturas de uma escola do Grupo B.

Como se eu estivesse tranqüilo, chega o destaque principal do carro 7 reclamando que a grande escultura que vai estar na sua frente cobre sua bota importada e cravejada de strass tchecos.

Chega um diretor nervoso questionando o motivo de sua filha ter sido posicionada no lado esquerdo do carro, quando ele havia me pedido que sua composição desfilasse do lado dos camarotes, onde estará toda a sua família.

O carpinteiro, o cara da fibra, e o aderecista do carro 2 me cobrando ingressos para o desfile. Como se eu tivesse. Não tenho nem para mim.

A costureira reclama dos forros que chegaram atrasados e de alguns aviamentos erradamente comprados. O servente me pede emprestado um qualquer, que sei que nunca receberei de volta.

E quando penso que vou poder almoçar um desses sanduíches da vida, chega o presidente com seus "aspones" (assessores de por... caria nenhuma) e me pede para explicar todo o carnaval para a sua nova conquista amorosa.

Parece brincadeira, mas essa é a rotina de um carnavalesco, que tem seus momentos de glória, de luzes e foco, mas precisa passar por tudo isso. É dura a vida de um carnavalesco.

E aí vem meu querido e preferido editor-chefe, Alberto João, e me pede pra qualificar as escolas e apresentar minhas expectativas para o desfile que se aproxima, quem pode ganhar, quem pode descer, quem pode supreender.

Me perdoe Alberto, mas dessa não poderei atender seu pedido. Esse carnavalesco travestido de colunista, travestido não caiu legal (rsrsrs). Esse carnavalesco fantasiado de colunista prefere tirar a fantasia e ser, se você permitir, apenas carnavalesco nesse momento.

Serei corporativista e me colocarei ao lado de cada um de meus companheiros carnavalescos. Dessa vez ficarei em cima do muro aplaudindo e desejando boa sorte a todos os carnavalescos de nosso carnaval.

Boa Sorte Márcia Lage e suas sereias no Império Serrano.
Boa Sorte Cahê Rodrigues e sua França na Grande Rio.
Boa Sorte Alex de Souza, Boa Sorte Paulo Barros no Municipal da Vila Isabel.
Boa Sorte Cláudio Cebola contando Machado e Guimarães na Mocidade Independente.
Boa Sorte Alexandre Louzada e sua Comissão de Carnaval banhando-se na Beija Flor. 
Boa Sorte Luiz Carlos Bruno e sua Odisséia  Espacial na Unidos da Tijuca.  Boa Sorte Max Lopes curiando no Porto da Pedra. 
Boa Sorte Renato Lage nos tambores do Salgueiro. 
Boa Sorte Rosa Magalhães fazendo samba e arte na Imperatriz Leopoldinense. 
Boa Sorte Lane Santana, Boa Sorte Jorge Caribé falando de amor na Portela. 
Boa Sorte Roberto Szaniecki falando de Brasis na Mangueira. 
Boa Sorte Milton Cunha falando Vira-Bahia na Viradouro. 

E já que estou em estado de boa sorte, vou fugir um pouco do Especial e desejar a todos os carnavalescos dos Grupos A e dos Grupos Rio de Janeiro 1, 2, 3 e 4 muito boa sorte.

E puxando a brasa pra família. Boa sorte Fernanda Reis, minha filha, como coreógrafa da Comissão de Frente do Unidos do Cabral. Papai te ama e te deseja toda sorte nesse carnaval. E se teu irmão não coreografar direito pode dar uns cascudos no moleque por mim (até parece que eles precisam de minha autorização para trocarem socos, xingamentos e pontapés... rsrs).

Fiz questão de desejar esse boa sorte coletivo, pois sei que cada um de meus amigos carnavalescos me desejará o mesmo e entrarei na avenida, nesse sábado, como carnavalesco do Império da Zona Norte, no Rio Grande do Sul, com boa sorte de muita gente talentosa.

Me desculpem se não dei meu prognóstico sobre os desfiles, mas nesse momento o corporativismo carnavalesco falou mais alto.

Boa sorte para todos nós que amamos esse troço chamado carnaval.

Um abraço
Luiz Fernando Reis