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Opinião - A oportunidade para mudar na Formula 1

Paulo Alexandre Teixeira* | Opinião Pit Stop | 30/01/2009 10:57

Max Mosley já está no comando da FIA há 18 anos (Foto: Bildagentur Kraeling / GEPA Pictures / Red Bull Media)

Max Mosley já está no comando da FIA há 18 anos (Foto: Bildagentur Kraeling / GEPA Pictures / Red Bull Media)

Em meados deste ano, vai haver a eleição do presidente da FIA. É uma eleição onde participam somente os representantes das Federações Internacionais e, salvo sem grandes surpresas, Max Mosley será o eleito para mais um mandato.
 
Esse para mim é um problema. Não haver uma verdadeira oposição, principalmente depois da descoberta das atividades paralelas de Mosley, e a sua inclinação nazi existente na família: Max Mosley é filho de Oswald Mosley, o líder dos "camisas azuis" que tentou implementar o regime fascista na Grã-Bretanha. Depois da tempestade do ano passado, onde até Bernie Ecclestone pediu a sua demissão, a sua votação de confiança em junho fez acalmar as coisas, e esquecer um pouco incidente.
 
Mas há vozes isoladas aqui e ali, e a crise mundial fez despertar de novo a questão. Max Mosley está na chefia da FIA há quase 18 anos, batendo em muito o mandato do seu antecessor, o francês Jean-Marie Ballestre (1921-2008). Sendo o homem de confiança de Bernie Ecclestone, a impressão que fica é que quem realmente manda é este último, com Mosley no papel de "organizador das regras". E nos últimos anos, a tentativa bem sucedida de atrair os construtores para a Formula 1 deu imenso dinheiro para as equipas, mas também fez disparar os custos de construção e manutenção de uma equipa de Formula 1. Fala-se que a Toyota gasta à volta de 500 milhões de Euros por ano para tentar algo que ainda não conseguiu: vencer uma corrida. 
 
E agora estamos em plena crise económica, que se afigura grave para as construtoras. Com quedas nas vendas na ordem dos dois dígitos, em mercados como os Estados Unidos, elas estão agora a repensar a sua permanência na Formula 1, e a anunciada saída da Honda, em dezembro, foi apenas um primeiro aviso. E é mesmo, pois nas últimas semanas, insistentes rumores dão conta de que a Renault e Toyota podem estar de malas aviadas para sair em 2009, para além de a Williams, uma das mais antigas ainda em atividade, pode nem ter dinheiro que chegue para terminar esta temporada?
 
Se bem que as suas ultimas medidas, de reduzir drasticamente os custos da Formula 1, para evitar a fuga das construtoras e a redução do grid de partida (até prova em contrário, teremos 18 carros à partida em Melbourne, no próximo dia 29 de Março) até sejam bem vindas, a sensação que se têm é que vieram tarde, e vieram com a onda, ou seja, são medidas de reação e não de ação, embora, claro, tenham sido faladas desde há algum tempo.
 
E numa altura tão decisiva para o futuro da Formula 1, não seria uma má ideia uma mudança dos dirigentes, e uma revolução mental, com novas ideias, no sentido não só de embaratecer os custos de construir e manter uma equipa, mas também de promover outros esportes, como os Sport-Protótipos e o Mundial de Ralies. Um bom nome para a Presidência da FIA poderia ser Sir Jackie Stewart, provavelmente o homem que mais contribuiu para a mudança de mentalidades na Formula 1. Um arauto da segurança nos anos 60 e 70, tricampeão do Mundo, e depois um bem sucedido proprietário na curta participação da sua equipa na Formula 1 (três temporadas, uma vitória), tendo mais tarde sido o presidente do BRDC (British Racing Drivers Club), as suas ideias são sempre escutadas com respeito e atenção.
 
Só que há um problema: Stewart não quer o cargo. A sua hostilidade perante Bernie Ecclestone, que como gere a parte comercial da Formula 1, um cargo não-eleito, mas influente, e logo, é "vitalício", iria causar ainda mais problemas á Formula 1, algo que não precisa, nesta era difícil em que vivemos. Se Stewart não quer, então quem seria o candidato seguinte? Ron Dennis.
 
Agora numa situação de "semi-retirado" na McLaren, seria outro bom candidato no cargo. Mas aqui os problemas são os mesmos: com fama de arrogante, e proveniente de um das mais prestigiadas equipas de Formula 1, ficava-se com a ideia de que, caso fosse eleito, iria beneficiar a McLaren, algo que a Formula 1 também não precisa, pois Ecclestone e Mosley tem a "má-lingua" de beneficiarem a Ferrari. E o próprio Ron já disse que não quer o cargo.
 
Se Stewart e Dennis não querem, quem seria? Jean Todt é outra alternativa, mas já trabalhou com a Ferrari durante 15 anos e ainda não está reformado o tempo suficiente para se aventurar em cargos directivos. E depois, caso viesse a acontecer, a sensação que se fica é que o cargo parece ser um assunto "anglo-francês"?

Ontem à noite enquanto lia o excelente artigo do Becken Lima sobre este assunto no seu blog F1 Around (http://www.f1around.wordpress.com/ ), falava de uma sugestão dada por Clive Allen, no seu blog F1 Insight (http://www.f1insight.madtv.me.uk/ ): o ex-piloto Alexander Wurz, actualmente com 34 anos, com uma carreira feita na Benetton, McLaren e Williams, tendo também uma larga carreira como piloto de testes. Aleen defende esta tese, indo de encontro às pretensões de Stewart: jovem, muito entendido da realidade esportiva por dentro e por fora, neutro e como diz o Becken, "o cara bom".
 
Pensando bem, até nem seria uma má escolha, e com mais um ponto a favor: é natural de uma nação "neutra", a Áustria. Como diz o Clive Allen, "quem odeia os austríacos?". Mas há uma sombra no meio disto tudo: Bernie Ecclestone. Pode não ter poder, mas muita influência. E por agora, nada passa sem a sua aprovação tácita. Mas agora, com o surgimento da FOTA (Formula One Teams Assotiation), pode haver um contra-poder, da mesma forma que aconteceu no início da década de 80 com a FOCA (ironicamente, comandada por Bernie Ecclestone?), e as coisas podem mudar um pouco.
 
Mas, discutindo ou não este problema, a Formula 1 está numa encruzilhada: com o mundo mergulhado numa crise mundial, e com uma geração de dirigentes a chegar à reforma, é a altura ideal para uma mudança. Como disse Barack Obama no seu slogan "We need a change", caras novas, ideias novas, para fazer progredir o automobilismo. E agora, esta é a melhor altura para fazer.

*Paulo Alexandre Teixeira, 32 anos, é jornalista de formação, e é o homem por detrás do blog Continental Circus , que existe desde Fevereiro de 2007. Para além disso, trabalha nos sites Supermotores.net e Motormais

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